quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!

 

Participação mística: 

de Lévy-Bruhl a Jung — 

e por que Clarissa Pinkola Estés fala sobre isso?

No início do capítulo 14 de Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés apresenta uma ideia curiosa: quando realmente entramos em uma história, não permanecemos apenas como espectadores.

Por algum tempo, acompanhamos aquela experiência de dentro.

Ela explica que os junguianos chamam esse fenômeno de “mística da participação”, expressão associada ao antropólogo francês Lucien Lévy-Bruhl. Depois, aproxima a ideia da “identificação projetiva” na psicanálise e daquilo que os contadores de histórias chamariam de “magia solidária”. Para Clarissa, existe uma capacidade da mente de se afastar temporariamente do seu ponto de vista habitual, entrar em outra realidade e depois retornar trazendo algo aprendido.

Mas de onde veio essa ideia?

Primeiro: Lucien Lévy-Bruhl!

Lucien Lévy-Bruhl foi um filósofo e antropólogo francês que, em 1910, publicou Les fonctions mentales dans les sociétés inférieures.

Ele estudava relatos sobre povos que, naquela época, eram chamados de “primitivos” e tentou compreender uma forma de pensamento na qual as fronteiras entre uma pessoa, a comunidade, os animais, os objetos e as forças da natureza não apareciam da mesma maneira que no pensamento racional ocidental.

Foi nesse contexto que desenvolveu a chamada “lei da participação”.

Em sua formulação original, seres e objetos poderiam estar ligados de tal maneira que algo pudesse ser percebido simultaneamente como ele mesmo e, em certo sentido, como outra coisa. Não se tratava simplesmente de uma comparação intelectual. A ligação era vivenciada como real. 

É importante entender isso antes de chegar a Jung.

Para Lévy-Bruhl, portanto, “participar” não significava simplesmente:

“Eu compreendo o que aquela pessoa sente.”

Era algo mais próximo de:

“Existe uma ligação entre mim e aquilo que está fora de mim que não obedece completamente à separação racional entre sujeito e objeto.”

Mas existe um problema histórico nessa teoria!

Lévy-Bruhl escreveu dentro da antropologia do início do século XX, quando ainda era comum estabelecer uma separação rígida entre povos considerados “primitivos” e sociedades consideradas “civilizadas”.

Hoje essa oposição é problemática.

E o próprio Lévy-Bruhl começou a rever profundamente sua posição.

Nos seus últimos cadernos, escritos entre 1938 e 1939, ele abandonou a ideia de que a chamada mentalidade “primitiva” pudesse ser definida fundamentalmente como pré-lógica. Seus escritos tardios mantiveram o interesse pela participação e pela experiência mística, mas sua posição tornou-se muito menos rígida do que aquela apresentada no início de sua obra. 

Isso é especialmente importante porque Clarissa chama atenção justamente para esse problema.

Na nota 1 do capítulo 14, ela observa que a utilização de Jung do conceito nasceu de uma antropologia do final do século XIX e início do XX, quando pesquisadores frequentemente tratavam os povos estudados como se estivessem separados do restante da humanidade.

Clarissa propõe outra leitura: esses fenômenos precisam ser compreendidos dentro de uma continuidade humana, isto é, como possibilidades que podem ocorrer com qualquer pessoa e não como característica exclusiva de determinado povo.

Essa nota muda bastante a forma como devemos ler o trecho.

O que Jung fez com essa ideia?

Carl Gustav Jung pegou o conceito antropológico de Lévy-Bruhl e o trouxe para a psicologia.

Em Tipos Psicológicos, publicado originalmente em 1921, Jung define a participação mística como uma relação psicológica na qual o sujeito não consegue se distinguir completamente do objeto, estabelecendo com ele uma espécie de identidade parcial. 

Aqui acontece uma mudança fundamental.

A questão deixa de ser apenas:

“Como determinados povos compreendem o mundo?”

e passa também a ser:

“Isso não acontece, em algum grau, dentro de todos nós?”

Para Jung, sim.

A participação mística poderia aparecer também no homem moderno, principalmente nas relações entre pessoas. Jung relaciona esse fenômeno à projeção, à transferência e a situações nas quais aquilo que pertence ao nosso mundo interior é vivido como se estivesse no outro.

Imagine, por exemplo, alguém que idealiza profundamente outra pessoa.

Ela pode dizer:

“Essa pessoa é absolutamente extraordinária. Ela possui tudo aquilo que me falta.”

Pode existir algo verdadeiro nessa percepção.

Mas também pode existir uma projeção: qualidades, desejos ou possibilidades que pertencem à própria pessoa estão sendo percebidos exclusivamente no outro.

Enquanto essa projeção permanece inconsciente, fica difícil distinguir:

“O que realmente pertence ao outro?”

e

“O que eu coloquei nele?”

Essa é uma das maneiras de compreender psicologicamente a participação mística em Jung.

Então é a mesma coisa que empatia?

Não.

Essa diferença é importante, principalmente porque nós relacionamos esse trecho anteriormente à escuta terapêutica.

A comparação ajuda a compreender o movimento, mas os conceitos não são iguais.

Na escuta empática, idealmente eu consigo me aproximar da experiência do outro sem perder a diferenciação:

“Eu consigo compreender sua dor, mas sei que essa dor é sua e não minha.”

Na participação mística, essa fronteira pode ficar menos clara.

Existe algum grau de identidade ou fusão psicológica entre sujeito e objeto.

Portanto:

Empatia = aproximação com diferenciação.

Participação mística = aproximação em que a diferenciação pode diminuir.

Na terapia, inclusive, uma das capacidades importantes do terapeuta é justamente poder se aproximar profundamente da experiência da pessoa sem se confundir completamente com ela.

E a “identificação projetiva” mencionada por Clarissa?

Aqui vale uma pequena precisão histórica.

Clarissa escreve que entre os freudianos haveria uma atitude chamada “identificação projetiva”.

Mas o termo técnico identificação projetiva não foi criado por Freud. Ele foi desenvolvido por Melanie Klein, dentro da tradição psicanalítica, a partir de conceitos como projeção e identificação que possuem raízes na obra freudiana. A literatura psicanalítica situa sua formulação no trabalho de Klein sobre mecanismos esquizoides, publicado originalmente em 1946 e posteriormente revisto. 

Portanto, quando Clarissa diz “entre os freudianos”, podemos entender isso de forma ampla como a tradição psicanalítica, e não como se Freud tivesse criado pessoalmente esse conceito.

E identificação projetiva também é um conceito mais específico do que simplesmente “sentir o que o outro sente”. Em sua formulação psicanalítica, envolve projeção de aspectos do próprio self no outro e uma relação inconsciente com aquilo que foi projetado. 

Então por que Clarissa traz tudo isso para falar de histórias?

Aqui chegamos ao ponto principal do capítulo.

Clarissa não está dando uma aula de antropologia nem tentando fazer uma exposição técnica da teoria de Jung.

Ela está tentando explicar por que uma história pode nos afetar tão profundamente.

Quando ouvimos A Donzela sem Mãos, podemos saber racionalmente:

“Isso é um conto.”

“Eu não sou essa mulher.”

“Eu não perdi literalmente minhas mãos.”

Mesmo assim, em determinado momento podemos sentir:

“Eu sei como é não saber o que fazer.”

“Eu já me senti sem recursos.”

“Eu também já precisei continuar sem saber para onde estava indo.”

“Eu também já precisei receber ajuda.”

A história cria uma espécie de experiência intermediária.

Continuamos sendo nós mesmas, mas temporariamente permitimos que a experiência da personagem mobilize alguma coisa dentro de nós.

É nesse sentido que podemos entender a frase de Clarissa sobre a mente se afastar do ego por algum tempo.

O ego não desaparece.

Nós não perdemos nossa identidade.

O que diminui temporariamente é a necessidade de analisar tudo apenas a partir de:

“Eu penso assim.”
“Eu faria diferente.”
“Isso nunca aconteceu comigo.”

Entramos na experiência antes de julgá-la.

Depois retornamos.

E talvez retornemos percebendo algo que anteriormente não conseguíamos nomear.

É parecido com o que acontece na terapia?

Aqui, sim, existe uma comparação interessante — desde que saibamos que é uma analogia, e não uma equivalência teórica.

Imagine alguém dizendo durante uma sessão:

“Meu marido demorou para responder minha mensagem e eu senti que estava sendo abandonada.”

Quem escuta poderia imediatamente pensar:

“Que exagero. Ele só demorou para responder.”

Nesse caso, continua preso à própria perspectiva.

Uma escuta empática tentaria primeiro compreender:

“O que significa, para essa pessoa, não receber aquela resposta?”

Por alguns instantes, quem escuta tenta entrar na experiência psicológica do outro.

Não precisa concordar que houve abandono.

Mas precisa conseguir compreender por que aquilo foi vivido como abandono.

Depois volta à posição de observador e consegue refletir sobre o que aconteceu.

O movimento se parece com aquele descrito por Clarissa:

entrar → experimentar → compreender → retornar.

E agora podemos entender melhor a frase “a história é uma semente e nós somos o solo”

A história não chega a uma mente vazia.

Ela encontra nossa memória, nossos relacionamentos, nossas perdas, nossos medos, nossas experiências e aquilo que ainda não conseguimos compreender completamente.

Por isso duas pessoas podem ouvir exatamente o mesmo conto e serem profundamente tocadas por partes diferentes.

Uma mulher pode ficar impressionada com a perda das mãos.

Outra com a decisão de partir.

Outra com a árvore que se inclina para alimentá-la.

Outra com as mãos que voltam a crescer.

A história é a mesma. O solo não.

E talvez seja justamente isso que Clarissa esteja chamando de sermos “impregnadas de conhecimento”.

Não necessariamente saímos do conto pensando:

“Aprendi a seguinte teoria.”

Às vezes saímos simplesmente sentindo:

“Alguma coisa nessa história fala comigo.”

E somente depois conseguimos compreender o quê.

Um cuidado importante!

Participar de uma história não significa perder permanentemente nossos limites psicológicos.

Na verdade, a possibilidade de entrar e depois sair é fundamental.

Se eu consigo entrar na experiência de uma personagem e depois voltar para mim, posso utilizar aquela experiência simbolicamente.

Da mesma maneira, se consigo compreender profundamente outra pessoa e depois reconhecer novamente:

“isso pertence a ela; isto pertence a mim”,

existe diferenciação.

Por isso talvez possamos resumir todo esse percurso assim:

Lévy-Bruhl observou a participação como uma relação em que as fronteiras entre seres e mundo não apareciam rigidamente separadas. Jung levou essa ideia para a psicologia e percebeu que essa falta de diferenciação também existe no homem moderno. Clarissa utiliza o conceito para explicar uma capacidade humana ainda mais próxima da experiência das histórias: por alguns momentos, podemos sair do nosso ponto de vista habitual, entrar simbolicamente em outra experiência e retornar trazendo algo dela.

E é justamente por isso que alguns contos permanecem conosco muito depois de terminarmos a leitura.

Talvez não seja apenas porque entendemos a história.

Talvez seja porque, durante algum tempo, nós também a vivemos por dentro.

Para refletir!

Você já terminou um livro, filme, história ou conversa sentindo que viveu alguma coisa que não aconteceu diretamente com você — mas que, mesmo assim, lhe ensinou algo sobre a sua própria vida?

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.


Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Referências para aprofundamento:


  • Estés, Clarissa Pinkola. Mulheres que Correm com os Lobos. Capítulo 14 — “La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea”.
  • Lucien Lévy-Bruhl, Les fonctions mentales dans les sociétés inférieures (1910), obra em que desenvolve a chamada lei da participação. Pure
  • Lucien Lévy-Bruhl, La mentalité primitive (1922). Classiques UQAM
  • Lucien Lévy-Bruhl, Carnets (1938–1939, publicados postumamente), importantes para acompanhar a revisão de suas primeiras formulações. Classiques UQAM
  • C. G. Jung, Psychological Types / Tipos Psicológicos, especialmente a definição de participation mystique no §781. IAAP
  • International Association for Analytical Psychology, panorama sobre participation mystique e seu uso em Jung. IAAP
  • Melanie Klein Trust e International Psychoanalytical Association para a história e definição de identificação projetiva. Melanie Klein Trust

Leituras complementares online: International Association for Analytical Psychology (IAAP), Melanie Klein Trust e acervos digitais de obras de Lévy-Bruhl.

Fonte principal: Clarissa Pinkola Estés, Mulheres que Correm com os Lobos, cap. 14.

Referências complementares: C. G. Jung e Lucien Lévy-Bruhl.

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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!


O que Clarissa quer dizer com “mística da participação”?

No capítulo 14 de Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés fala sobre algo que acontece quando realmente entramos em uma história.

Ela diz que, por alguns momentos, podemos deixar de observar aquela narrativa apenas “de fora” e passar a vivê-la emocionalmente por dentro. Sentimos o medo da personagem, sua angústia, sua coragem, sua perda, sua esperança.

É nesse contexto que ela menciona a chamada “mística da participação”.

A expressão vem do antropólogo francês Lucien Lévy-Bruhl e depois foi utilizada por Carl Jung. De forma simples, ela descreve momentos em que a separação entre “eu” e aquilo que estou observando fica temporariamente menos rígida.

Isso não significa perder a identidade ou deixar de saber quem somos.

Significa conseguir, por alguns instantes, entrar na experiência de outra pessoa, personagem ou realidade simbólica.

Podemos pensar em algo parecido com o que acontece durante uma escuta verdadeiramente empática.

Quando alguém nos conta uma experiência dolorosa, podemos ouvi-la apenas a partir de nós mesmas:

“Eu não reagiria assim.”

“Isso não é tão grave.”

“Ela deveria fazer outra coisa.”

Mas também podemos suspender um pouco nosso próprio ponto de vista e tentar compreender:

“Como essa experiência está sendo vivida por essa pessoa?”

Isso não significa concordar com tudo o que ela pensa ou sente. Significa conseguir sair, temporariamente, do centro da própria perspectiva para visitar a experiência do outro.

Com uma história acontece algo semelhante.

Sabemos que não somos a personagem, mas podemos nos reconhecer em alguma parte daquilo que ela vive.

Uma história sobre perda pode nos aproximar das nossas próprias perdas.

Uma história sobre medo pode nos fazer reconhecer nossos medos.

Uma história sobre resistência pode despertar em nós lembranças de momentos em que também precisamos continuar.

Depois, voltamos para nossa própria realidade.

Mas podemos voltar levando alguma compreensão nova.

É justamente esse movimento que Clarissa descreve quando fala da capacidade da mente de se afastar temporariamente do ego, entrar em outra realidade e depois retornar trazendo algo aprendido.

Mas por que Clarissa cita Lévy-Bruhl?

Aqui existe um detalhe importante.

Na nota do capítulo, Clarissa explica que Jung utilizou esse conceito a partir de ideias antropológicas do final do século XIX e início do século XX.

Naquela época, muitos estudiosos observavam povos tribais como se eles fossem muito diferentes do restante da humanidade, quase como se pertencessem a outro tipo de funcionamento psicológico.

Clarissa faz uma crítica a essa separação.

Ela lembra que esse tipo de experiência faz parte de uma continuidade humana e pode ocorrer “em qualquer lugar e com qualquer um”.

Ou seja, ela preserva a ideia da participação psíquica, mas rejeita a noção de que ela pertença apenas a povos considerados “primitivos”.

Essa capacidade é humana.

Podemos vivê-la quando ouvimos uma história, quando assistimos a um filme, quando lemos um livro ou quando escutamos profundamente a experiência de alguém.

Talvez por isso algumas histórias nos acompanhem por tanto tempo.

Elas não apenas nos contam alguma coisa.

Por alguns instantes, elas nos permitem experimentar alguma coisa.

E, quando voltamos para nós mesmas, talvez já não estejamos exatamente no mesmo lugar de antes.

Para refletir!

Você já terminou um livro, um filme ou uma conversa sentindo que compreendeu alguma coisa sobre si mesma que ninguém havia explicado diretamente para você?

Talvez seja justamente aí que uma história deixa de ser apenas uma história e começa a trabalhar dentro de nós.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de outubro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.


Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

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sábado, 3 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Gratidão Marcas de Combate!


 Hoje foi dia de mais uma roda de Mulheres que Correm com os Lobos, e o tema que nos conduziu foi “Marcas de Combate”.

Falamos sobre as marcas que a vida deixa, sobre aquilo que atravessamos, suportamos, aprendemos e carregamos conosco depois de determinadas experiências.

Nem toda marca precisa ser escondida. Algumas contam histórias de perda, outras de resistência, outras de transformação. E muitas vezes elas revelam não apenas o que nos feriu, mas também os recursos que fomos desenvolvendo ao longo do caminho.

Foi um encontro de escuta, reflexão e partilha, em que cada mulher pôde olhar para suas próprias marcas a partir da sua história e do seu tempo.

Agradeço profundamente a todas que estiveram presentes, que compartilharam suas experiências e que ajudaram a construir mais uma roda tão significativa.

Que possamos olhar para nossas marcas não apenas como lembranças do que enfrentamos, mas também como testemunhos da mulher que continuou caminhando.


Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

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Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Marcas de Combate - Capítulo 13!

 

Você precisa esquecer para seguir em frente?

Existe uma ideia bastante repetida quando alguém passa por uma perda, uma decepção ou uma experiência dolorosa: para seguir em frente, seria preciso esquecer.

Mas será mesmo?

No capítulo “Marcas de combate: A participação no Clã das Cicatrizes”, Clarissa Pinkola Estés mostra uma perspectiva diferente. Algumas experiências não desaparecem da nossa história simplesmente porque o tempo passou. Certas perdas, mágoas e vergonhas podem continuar sensíveis durante muitos anos. 

Isso não significa, necessariamente, que a pessoa ficou presa ao passado.

Talvez exista uma diferença importante entre lembrar de uma dor e continuar vivendo dentro dela.

Uma ferida aberta exige atenção o tempo inteiro. Ela dói, limita, interfere diretamente na vida. Já uma cicatriz conta outra história: houve uma ferida, houve algum processo de reparação, mas aquela região pode continuar sensível.

Por isso, uma lembrança voltar a doer, e não significa necessariamente que tudo foi perdido ou que a pessoa “voltou ao começo”. Clarissa questiona justamente a ideia de que a dor deveria obedecer a um prazo determinado. Ela cita estudos sobre luto para mostrar que, depois da fase mais intensa, episódios de dor ainda podem reaparecer ao longo dos anos, embora tendam a se tornar menos frequentes e mais curtos. 

Pense em alguém que perdeu uma pessoa muito importante.

Anos depois, ela pode trabalhar, amar novamente, fazer planos, rir, viajar e construir uma nova vida. Ainda assim, uma data, uma música, um lugar ou uma lembrança pode trazer de volta uma emoção intensa.

Isso significa que ela não seguiu em frente?

Não necessariamente.

Significa que aquela pessoa e aquela experiência fizeram parte da sua história.

O mesmo pode acontecer com uma rejeição, uma separação, uma humilhação, uma escolha difícil ou uma experiência vivida na infância. A vida continua, mas algumas marcas permanecem.

Talvez o problema esteja na ideia de que seguir em frente precisa significar não sentir mais nada.

Elaborar uma experiência não é apagá-la.

É poder olhar para aquilo e reconhecer:

“Isso aconteceu comigo.”

“Isso me marcou.”

“Ainda pode doer em alguns momentos.”

“Mas isso já não ocupa toda a minha vida.”

No capítulo, Clarissa usa justamente a imagem da cicatriz para mostrar essa diferença. A cicatriz não nega a ferida que existiu. Ela também não exige que aquele lugar nunca mais doa. Ela mostra que alguma forma de reparação aconteceu ali. 

E talvez seja por isso que tentar esquecer à força nem sempre ajude.

Quando fazemos um esforço constante para apagar determinada experiência, podemos continuar organizando parte da nossa vida em torno dela: evitando assuntos, lugares, lembranças, pessoas ou sentimentos.

Integrar é diferente.

Integrar é permitir que aquilo ocupe um lugar na história, sem ocupar a história inteira.

Clarissa escreve ainda que aquilo que foi resgatado pode curar uma ferida aberta, mas deixar uma cicatriz; e essa cicatriz pode voltar a doer com as mudanças do tempo. Para ela, isso faz parte da própria natureza de algumas dores humanas. 

Por isso, talvez a pergunta não seja:

“Quando vou conseguir esquecer?”

Talvez seja:

“Que lugar essa experiência ocupa hoje dentro de mim?”

Ela ainda dirige minhas escolhas?

Ainda define quem eu sou?

Ou consigo reconhecê-la como parte da minha história, ao lado de muitas outras coisas que também me constituem?

Seguir em frente não precisa significar abandonar tudo o que ficou para trás.

Às vezes significa conseguir carregar uma lembrança sem precisar viver permanentemente dentro dela.

Porque uma cicatriz continua fazendo parte do corpo.

Mas ela já não é a ferida aberta.

Para refletir

Existe alguma experiência que você ainda tenta esquecer, quando talvez o que precise seja encontrar um lugar diferente para ela dentro da sua história?

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 3 de outubro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o capítulo 13:

Marcas de Combate: A participação no Clã das Cicatrizes.

Vamos refletir sobre os segredos que carregamos, a vergonha, as feridas, a importância de encontrar voz para aquilo que ficou silenciado e o significado das cicatrizes que fazem parte da nossa história.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

03 de outubro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp.

Talvez algumas lágrimas não venham para nos afundar. Talvez venham justamente para colocar novamente em movimento aquilo que, dentro de nós, estava parado.

 🌿 Com carinho,

#mulheresquecorremcomoslobos #clarissapinkolaestés #capitulo13 #Autoconhecimento #Relacionamentos #CuraEmocional #LibertaçãoEmocional  #Reflexão #Ressignificação #BethCastrotaróloga #literaturaemocional #rodademulheressabiasefortes #reflexão #bhtarot #bethcastroterapias #rodadeconversavirtual #rodavirtual #rodademulheres #mulherajudamulher #mulherinteligente #forçafeminina #psicologiaarquetípica #vivênciastransformadoras #mulherselvagem #desapego #encerramentodeciclo #espiritualidade #pazinterior # #ProcessosDeCura #SabedoriaFeminina #Limites #Transformação #clãdascicatrizes #marcasdecombate  #rodaterapêutica  #saúdeemocional #psicologiafeminina #curaemocional #femininoselvagem #mulheresquesecuram #históriasdemulheres #desenvolvimentopessoal #Vergonha #Segredos  #FeridasEmocionais #CicatrizesDaAlma #MulheresEmProcesso #DesenvolvimentoPessoal #FemininoSelvagem    #escutaempática #vozfeminina #vergonha #mulherexausta #mulhercansada #coraçãocomovido #roupasujaselavaemcasa #darnomeaoquesinto #seguiremfrente #cicatriz #luto

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Marcas de Combate - Capítulo 13!

 


Dar nome ao que sentimos muda alguma coisa?

Às vezes sabemos que alguma coisa está errada, mas não conseguimos explicar exatamente o quê.

Sentimos um peso, uma angústia, uma irritação, uma tristeza que volta, um desconforto no corpo ou uma vontade de evitar determinados assuntos.

Mas ainda não conseguimos dizer:

“É isso que estou sentindo.”

No capítulo Marcas de Combate: A participação no Clã das Cicatrizes, Clarissa Pinkola Estés trabalha justamente com a passagem do que estava silenciado para aquilo que finalmente encontra voz.

No conto da Mulher dos Cabelos de Ouro, aquilo que estava enterrado continua vivo. Os cabelos crescem, atravessam a terra, transformam-se em juncos, depois em flautas e finalmente em canção.

A canção representa aquilo que antes não podia ser dito encontrando uma forma de expressão. É nesse movimento que Clarissa relaciona a descoberta da própria voz ao início da recuperação psíquica. 

Mas dar nome ao que sentimos não significa que a dor desapareça imediatamente.

Dizer:

“Eu estou com raiva.”

“Eu me senti rejeitada.”

“Aquilo me humilhou.”

“Eu ainda sinto falta.”

“Eu estava com medo.”

não resolve automaticamente aquilo que aconteceu.

Mas pode mudar nossa relação com a experiência.

Porque existe diferença entre sentir alguma coisa sem compreender o que está acontecendo e conseguir reconhecer:

“É isso que está acontecendo dentro de mim.”

Quando uma experiência começa a ganhar palavras, ela deixa de existir apenas como uma sensação confusa.

Podemos observá-la.

Pensar sobre ela.

Perceber de onde veio.

Decidir o que fazer com ela.

E, se quisermos, compartilhá-la com alguém capaz de nos ouvir.

No seu roteiro do capítulo, essa ideia aparece de maneira muito clara: aquilo que estava escondido começa a poder ser visto, nomeado e compreendido, seja numa terapia, numa conversa com alguém de confiança, através da escrita ou em outra forma segura de expressão. 

Talvez por isso algumas pessoas digam:

“Eu nem sabia que sentia isso até começar a falar.”

Não porque o sentimento tenha surgido naquele momento.

Ele já estava ali.

O que surgiu foi uma forma de reconhecê-lo.

E reconhecer não significa concordar com tudo o que sentimos.

Podemos sentir raiva e escolher não agir movidas por ela.

Podemos sentir culpa e perceber depois que aquela culpa nem nos pertence.

Podemos sentir vergonha e descobrir que ela nasceu muito mais do julgamento dos outros do que de um erro nosso.

Podemos sentir tristeza e entender que aquilo é parte de um luto que ainda precisa de cuidado.

Dar nome cria uma pequena distância entre:

“Eu sou isso”

e

“Eu estou sentindo isso.”

E essa diferença pode ser importante.

Porque talvez a emoção deixe de ocupar todo o espaço e passe a ser algo que podemos observar, compreender e cuidar.

Clarissa não propõe simplesmente “fale e tudo ficará bem”.

O movimento é mais profundo:

aquilo que estava enterrado encontra voz, aquilo que encontra voz pode ser reconhecido, e aquilo que pode ser reconhecido começa a ter a possibilidade de ser elaborado. 

Então talvez a pergunta não seja apenas:

“Dar nome ao que sentimos muda alguma coisa?”

Talvez seja também:

“O que dentro de mim ainda está procurando palavras?”

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 3 de outubro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o capítulo 13:

Marcas de Combate: A participação no Clã das Cicatrizes.

Vamos refletir sobre os segredos que carregamos, a vergonha, as feridas, a importância de encontrar voz para aquilo que ficou silenciado e o significado das cicatrizes que fazem parte da nossa história.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

03 de outubro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp.

Talvez algumas lágrimas não venham para nos afundar. Talvez venham justamente para colocar novamente em movimento aquilo que, dentro de nós, estava parado.

 🌿 Com carinho,

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