terça-feira, 27 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Mãos Que Sentem - Capítulo 14!




 O que as nossas mãos sabem antes de nós!

Há momentos em uma leitura em que uma frase nos faz parar. Não porque seja difícil, mas porque parece tocar alguma coisa que já conhecíamos antes mesmo de encontrar palavras para explicar.

Foi assim comigo ao chegar a um trecho de A Donzela sem Mãos, em Mulheres que Correm com os Lobos, no qual Clarissa Pinkola Estés fala sobre o mistério das mãos.

Ela diz que as mãos não são apenas receptoras. Elas também são transmissoras.

E, para quem conhece ou vivencia o Reiki, é quase impossível passar rapidamente por essa ideia.

Não porque Clarissa esteja falando diretamente de Reiki — ela não está. Mas porque toca exatamente num território que o Reiki também nos convida a perceber: as mãos como lugar de presença, percepção, troca e cuidado.

Nós costumamos pensar nas mãos principalmente pelo que elas fazem.

As mãos trabalham.

Escrevem.

Cozinham.

Limpam.

Constroem.

Seguram.

Carregam.

Protegem.

Abraçam.

Mas talvez exista nas mãos uma sabedoria que anteceda o fazer.

Antes de agir, elas sentem.

Pense no gesto quase automático de colocar a mão sobre a testa de uma criança para perceber se ela está quente.

Na mão que pousa no ombro de alguém que está chorando quando nenhuma palavra parece suficiente.

Na maneira como seguramos a mão de uma pessoa doente.

Na mão de uma mãe sobre o peito do filho assustado.

Na mão que acaricia alguém que amamos.

Na mão que se estende para dizer: “Venha, eu estou aqui.”

Em muitos desses momentos, não estamos tentando produzir nada.

Estamos apenas presentes.

E, ainda assim, alguma coisa é comunicada.

Clarissa chama atenção justamente para isso. A pressão de um aperto de mãos, a duração do toque, a temperatura, a intensidade, tudo comunica alguma coisa. O corpo percebe aquilo que muitas vezes a mente ainda não conseguiu organizar em palavras.

Talvez por isso existam pessoas cujo toque nos tranquiliza imediatamente.

E outras diante das quais o corpo se contrai.

Não precisamos transformar isso em algo sobrenatural para reconhecer que existe uma linguagem silenciosa acontecendo.

O corpo fala.

E as mãos parecem ser uma de suas formas mais antigas de expressão.

Clarissa percorre imagens muito bonitas antes de chegar a essa reflexão. Lembra das palmas no flamenco, que praticamente conversam por meio do ritmo. Fala das mãos voltadas para o Menino Jesus em antigas representações mediterrâneas, como se aquelas palmas pudessem receber sua luz. Recorda a imagem da Virgem de Guadalupe com as mãos voltadas para quem a contempla. E menciona uma antiga marca de mão vermelha encontrada numa cabana navajo, cujo significado era algo próximo de: aqui estamos seguros.

É interessante perceber quantas culturas colocaram nas mãos significados que vão muito além da função física.

A mão abençoa.

A mão acolhe.

A mão protege.

A mão dá.

A mão recebe.

E talvez seja justamente por isso que a imagem da Donzela sem Mãos seja tão dolorosa.

Porque não estamos falando apenas de uma mulher que perde uma parte do corpo num conto antigo.

Simbolicamente, ela perde temporariamente uma maneira de se relacionar com o mundo.

Clarissa diz que, ao perder as mãos, a mulher é afastada da capacidade de consolar a si mesma, de agir imediatamente sobre sua própria dor, de tocar, perceber e cuidar da maneira como fazia antes.

E isso muda completamente a leitura da mutilação.

Há épocas da vida em que também nos sentimos assim.

Como se aquilo que sempre usamos para nos ajudar de repente não funcionasse mais.

A razão não resolve.

O controle não resolve.

A força não resolve.

Os conselhos não resolvem.

Até as práticas que normalmente nos equilibram podem parecer distantes.

É como estar, simbolicamente, sem mãos.

E talvez uma das partes mais difíceis desses períodos seja aceitar que nem toda dor pode ser imediatamente “consertada”.

Nós temos uma cultura muito voltada para solucionar.

Sentiu? Resolva.

Doeu? Faça passar.

Ficou triste? Reaja.

Está angustiada? Encontre logo uma explicação.

Mas há dores que não pedem solução imediata.

Pedem presença.

E é aqui que encontro uma aproximação muito bonita com o Reiki.

No Reiki, as mãos não precisam chegar dizendo: “Eu vou resolver você.”

Talvez a experiência seja justamente o contrário.

As mãos podem chegar dizendo:

“Eu estou aqui.”

Há uma diferença enorme.

Uma mão que tenta dominar a experiência do outro é diferente de uma mão que oferece presença.

Uma mão que chega cheia de intenção de controlar é diferente daquela que apenas sustenta um espaço de cuidado.

E talvez esse seja um dos ensinamentos mais delicados da imposição das mãos: aprender que cuidar nem sempre significa fazer.

Às vezes cuidar significa permanecer.

Escutar.

Respirar.

Acolher.

Permitir.

Quem trabalha com Reiki conhece essa experiência de colocar as mãos e, ao mesmo tempo, aprender a não interferir com a ansiedade do ego.

Não é preciso saber exatamente o que está acontecendo dentro do outro.

Não é preciso “adivinhar”.

Não é preciso assumir o peso da pessoa.

Muito menos acreditar que somos responsáveis por resolver sua dor.

A presença já é alguma coisa.

E talvez as mãos saibam disso melhor do que nós.

Elas sabem quando apertar e quando afrouxar.

Quando sustentar e quando soltar.

Quando tocar e quando respeitar a distância.

Essa escuta também é uma forma de sabedoria.

Mas há ainda outra questão muito bonita no texto de Clarissa: se as mãos recebem, elas também transmitem.

Isso nos leva a uma pergunta que raramente fazemos:

O que transmitimos quando tocamos alguém?

Pressa?

Ansiedade?

Controle?

Carinho?

Segurança?

Medo?

Presença?

Não precisamos pensar apenas numa sessão de Reiki.

Isso acontece todos os dias.

Quando pegamos na mão de alguém.

Quando abraçamos uma criança.

Quando tocamos o braço de uma amiga.

Quando fazemos carinho em quem amamos.

Quando cuidamos de uma pessoa idosa.

Quando colocamos a mão sobre o nosso próprio peito tentando recuperar o fôlego depois de um dia difícil.

Talvez o toque seja uma conversa muito mais profunda do que imaginamos.

E talvez por isso a mão tenha ocupado um lugar tão importante em símbolos religiosos, práticas espirituais, rituais de bênção e gestos de cuidado ao longo da história.

A mão estendida também diz:

“Eu reconheço você.”

A mão pousada suavemente pode dizer:

“Você não está sozinha.”

E talvez a mão sobre nós mesmas possa dizer algo ainda mais necessário:

“Eu não vou me abandonar.”

Essa última imagem me toca especialmente quando penso na Donzela.

Porque a história não fala apenas da capacidade de curar o outro.

Fala também da perda e da recuperação da capacidade de cuidar de si.

Há mulheres extraordinárias para colocar as mãos sobre a vida dos outros.

Cuidam dos filhos.

Dos pais.

Dos parceiros.

Dos amigos.

Dos clientes.

Dos pacientes.

Da casa.

Do trabalho.

Sabem perceber quando alguém não está bem antes mesmo de a pessoa falar.

Mas quando a pergunta é:

“E quando é você que precisa ser acolhida?”

algumas não sabem onde colocar as próprias mãos.

Talvez exista aí uma reflexão muito profunda.

Aprendemos a transmitir.

Mas será que aprendemos a receber?

Aprendemos a cuidar.

Mas conseguimos permitir que cuidem de nós?

Aprendemos a oferecer presença.

Mas conseguimos permanecer presentes diante da nossa própria dor?

Talvez o verdadeiro mistério das mãos esteja justamente nessa dupla direção.

Receber e transmitir.

Dar e acolher.

Tocar e ser tocada.

Perceber o outro sem desaparecer de si.

E talvez seja por isso que esse pequeno trecho de Clarissa tenha me feito pensar tanto no Reiki.

Não porque precisemos provar que as duas coisas estejam falando exatamente da mesma tradição.

Mas porque existe entre elas uma pergunta comum e muito antiga:

o que acontece quando uma mão se aproxima de outro ser humano com verdadeira presença?

Talvez nem tudo precise ser explicado.

Algumas coisas são reconhecidas primeiro pelo corpo.

Uma mão pousada no lugar certo.

Um silêncio respeitado.

Uma respiração que desacelera.

Um abraço que não tenta mudar nada.

A sensação simples de que, por alguns instantes, não precisamos sustentar tudo sozinhas.

Talvez seja isso que nossas mãos saibam antes de nós.

Que existem momentos em que a presença não precisa de discurso.

Ela simplesmente toca.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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Mulheres Que Correm Com os Lobos - Capítulo 14 - Deusas do Barro!

 

A Mulher de Lama — quando perder a aparência de controle nos aproxima de quem realmente somos!

Há momentos em nossa vida em que já não conseguimos parecer como antes.

Alguma coisa mudou.

Por fora, talvez ninguém compreenda exatamente o que está acontecendo.

Mas por dentro sabemos que uma antiga forma de existir já não consegue nos sustentar.

É nesse lugar que encontro uma das imagens mais fortes de A Donzela sem Mãos, apresentada por Clarissa Pinkola Estés em Mulheres que Correm com os Lobos.

A Mulher de Lama.

No conto, o Diabo tenta dominar a donzela.

Ela se banha.

Ela chora.

E ele não consegue se aproximar.

Então muda de estratégia.

Proíbe que ela se banhe.

Sua intenção é fazer com que ela se torne suja, desgrenhada, aparentemente degradada.

Ele acredita que, retirando sua chamada “camada civilizada”, conseguirá também retirar sua força.

Mas não compreende a natureza da mulher que está diante dele.

Porque, quanto mais ele tenta afastá-la de si mesma, mais ela se aproxima de alguma coisa profunda.

A donzela se transforma na Mulher de Lama.

E é justamente ali que ela permanece ligada à Mulher Selvagem.

Essa imagem sempre me faz pensar:

quantas vezes acreditamos que estamos nos perdendo justamente quando estamos começando a nos encontrar em outra camada?

Talvez você conheça essa experiência.

Durante muito tempo você consegue.

Cuida.

Resolve.

Organiza.

Trabalha.

Acolhe.

Sorri.

Diz que está tudo bem.

Continua mesmo estando cansada.

Até que um dia aquilo que antes parecia possível começa a pesar demais.

Você já não quer alguns lugares.

Algumas conversas cansam.

Certas obrigações deixam de fazer sentido.

O silêncio começa a chamar.

Algumas expectativas parecem pequenas diante daquilo que está acontecendo por dentro.

E você percebe:

não consigo mais continuar exatamente como antes.

Para quem vê de fora, talvez pareça uma crise.

Talvez digam que você mudou.

E provavelmente mudou.

Mas mudança nem sempre significa que estamos piorando.

Às vezes, significa que nossa energia deixou de alimentar uma imagem e começou a procurar a verdade.

Quando a lama aparece!

Nós costumamos olhar para a lama como algo sujo.

Algo que deve ser lavado.

Retirado.

Escondido.

Mas há uma outra possibilidade.

A lama é terra e água.

É matéria primordial.

Pode receber marcas.

Pode ser moldada.

Pode assumir outra forma.

E é justamente por isso que gosto tanto dessa imagem.

A mulher de lama talvez seja aquela que, por algum tempo, já não consegue apresentar ao mundo uma versão perfeitamente organizada de si mesma.

Ela está sendo tocada pela vida.

Está sendo marcada.

Está sendo transformada.

Ainda não sabe exatamente em que forma irá se tornar.

E isso não significa que tenha perdido seu valor.

Significa que está em processo.

As antigas Deusas do Barro!

Essa imagem ganha ainda mais força quando lembramos que, em outro momento de Mulheres que Correm com os Lobos, no capítulo O Urso da Meia-Lua, aparecem Muerte e Hecoteptl, divindades femininas de lama ligadas à capacidade de rastrear e penetrar aquilo que está abaixo da superfície.

Não estou dizendo que Clarissa estabeleça diretamente uma sequência entre essas figuras e a Mulher de Lama.

Essa é uma associação simbólica que podemos fazer.

Mas ela me parece profundamente fértil.

Primeiro encontramos figuras femininas de lama capazes de conhecer aquilo que está por baixo.

Depois encontramos uma mulher que se torna ela própria lama.

É como se a jornada mudasse de lugar.

Antes:

escavar.

Agora:

descer.

Antes:

olhar para aquilo que existe abaixo da superfície.

Agora:

entrar na própria terra.

E talvez seja justamente disso que algumas fases da vida estejam nos pedindo.

Não apenas compreender.

Mas atravessar.

A queda da camada civilizada!

Existe uma camada que aprendemos a construir para viver no mundo.

Ela tem sua importância.

Mas às vezes ficamos presas nela.

A mulher que não incomoda.

A mulher que sempre sabe o que fazer.

A mulher que dá conta de tudo.

A mulher que cuida de todos.

A mulher que precisa parecer forte.

A mulher que mantém tudo organizado mesmo quando sua vida interior está pedindo socorro.

Talvez essa mulher receba muitos elogios.

“Como você é forte.”

“Como consegue fazer tudo?”

“Você nunca para.”

Mas existe uma pergunta que raramente fazemos:

quanto custa sustentar essa imagem?

Talvez, em algum momento, a vida retire algumas dessas certezas.

Não para destruir a mulher.

Mas para que ela descubra quem existe por baixo delas.

Quando deixamos de parecer intactas!

Existe uma frase que resume muito do que sinto diante da Mulher de Lama:

não preciso parecer intacta para continuar inteira em algum lugar profundo.

Isso não significa romantizar sofrimento.

Nem abandono.

Nem perda de autocuidado.

Nem imaginar que qualquer crise seja um despertar espiritual.

Há situações em que precisamos de auxílio, tratamento, apoio e cuidado concreto.

Mas existe também um tipo de travessia interior em que a mulher simplesmente já não consegue dedicar tanta energia a parecer perfeita.

Ela precisa voltar essa energia para dentro.

Precisa entender o que sente.

O que deseja.

O que perdeu.

O que precisa terminar.

O que está nascendo.

Às vezes é nessa fase que ela começa a dizer não.

Que diminui o ritmo.

Que escolhe melhor onde permanece.

Que percebe quais relações a esgotam.

Que já não consegue sorrir apenas para tranquilizar os outros.

E então alguém diz:

“Você mudou.”

Talvez seja verdade.

Talvez ela esteja começando a voltar para si.

O predador não conhece tudo!

O Diabo do conto acredita que, retirando a aparência organizada da donzela, retirará também sua força.

Esse é o erro.

Ele conhece a superfície.

Mas não conhece completamente aquilo que vive embaixo dela.

Existe em nós alguma coisa que não depende de aplauso.

Não depende de aprovação.

Não depende de produtividade.

Não depende de beleza.

Não depende de desempenhar perfeitamente todos os papéis que nos foram entregues.

Existe uma natureza mais antiga.

Uma inteligência que muitas vezes se manifesta como sensação, intuição, desconforto, sonho, desejo de silêncio ou uma certeza que ainda não conseguimos explicar racionalmente.

É dessa região que a Mulher de Lama começa a se aproximar.

O barro guarda a história, mas aceita outra forma!

Há algo no barro que sempre me toca.

Ele guarda marcas.

Se colocamos a mão, a impressão fica.

Se caminhamos sobre a terra molhada, deixamos pegadas.

Assim também acontece conosco.

A vida deixa marcas.

Relacionamentos deixam marcas.

Perdas deixam marcas.

Escolhas deixam marcas.

O tempo deixa marcas.

Mas uma marca não significa uma sentença.

A lama pode registrar aquilo que aconteceu e continuar sendo matéria transformável.

Talvez nós também possamos.

Não precisamos negar a nossa história.

Mas também não precisamos acreditar que tudo o que nos aconteceu precisa determinar aquilo que seremos.

Podemos reconhecer a marca.

E continuar criando forma.

A Deusa do Barro não vive num pedestal!

Quando penso em Deusas do Barro, não penso em mulheres perfeitas.

Não penso em figuras que nunca caem.

Não penso numa espiritualidade em que precisamos parecer constantemente iluminadas, equilibradas e serenas.

Penso na mulher que toca a própria terra.

Na mulher que reconhece a raiva que tentou esconder.

A tristeza que tentou controlar.

A exaustão que chamou de força.

O desejo que julgou inadequado.

A mudança que tentou adiar.

A necessidade de silêncio.

Penso na mulher que começa a compreender que aquilo que existe dentro dela não precisa primeiro se tornar bonito para merecer atenção.

Algumas partes precisam ser acolhidas antes de serem transformadas.

Talvez você esteja vivendo sua fase de barro!

Talvez você esteja num momento em que tudo parece menos organizado.

Talvez algo esteja terminando.

Talvez você esteja questionando uma relação.

Um trabalho.

Uma identidade.

Uma forma de viver.

Talvez você já não consiga responder tão rapidamente quando alguém pergunta:

“E agora, o que você vai fazer?”

Talvez você ainda não saiba.

E tudo bem não saber imediatamente.

Porque existe diferença entre estar perdida e estar num território ainda sem mapa.

A Mulher de Lama conhece esse território.

Ela está próxima da terra.

Ainda não apresenta uma forma definitiva.

Mas continua viva.

Continua sentindo.

Continua caminhando.

O que existe por baixo?

Talvez a pergunta mais importante não seja:

“Como eu volto a ser quem eu era?”

Talvez seja:

“Quem está tentando nascer agora?”

O que existe por baixo da aparência?

Por baixo da necessidade de agradar?

Por baixo da mulher que sempre precisou dar conta?

Por baixo da imagem de força?

Por baixo daquilo que você aprendeu que deveria ser?

A lama nos convida a tocar essas camadas.

Não para permanecer para sempre nelas.

Mas para recuperar aquilo que deixamos enterrado.

Nossa percepção.

Nosso instinto.

Nossa verdade.

Nossa própria natureza.

Talvez seja isso que as Deusas do Barro tenham a nos lembrar:

há fases em que não precisamos subir.

Precisamos descer.

Há momentos em que não precisamos parecer prontas.

Precisamos permitir que uma nova forma comece a nascer.

E talvez voltar para si não aconteça quando finalmente conseguimos deixar tudo perfeito.

Talvez comece no instante em que paramos de ter medo de sujar as mãos e temos coragem de tocar novamente a terra de onde viemos.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

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