quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!

 


Quando as lágrimas se tornam proteção: 

C. S. Lewis, Mary Culhane 

e A Donzela sem Mãos!

Quando pensamos em lágrimas, geralmente pensamos em tristeza.

Choramos quando alguma coisa dói, quando perdemos alguém, quando estamos cansadas ou quando já não conseguimos conter aquilo que sentimos.

Mas, no capítulo 14 de Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés apresenta uma ideia diferente.

Em A Donzela sem Mãos, as lágrimas não aparecem apenas como consequência do sofrimento. Elas começam a funcionar como proteção.

A donzela chora sobre as próprias mãos.

E Clarissa diz que essas lágrimas são a germinação daquilo que irá preservá-la e purificar a ferida recebida. 

Para desenvolver essa ideia, ela reúne várias histórias e referências.

Entre elas aparecem C. S. Lewis, o conto inuit da Criança de Pedra e a história de Mary Culhane.

Mas por que Clarissa coloca personagens e tradições tão diferentes lado a lado?

Porque todos eles ajudam a construir uma mesma imagem:

aquilo que parece frágil — uma lágrima — pode possuir uma enorme força psíquica.

Primeiro, quem foi C. S. Lewis?

C. S. Lewis foi um escritor e professor britânico, conhecido principalmente por As Crônicas de Nárnia.

Grande parte de sua obra trabalha com fantasia, mito, espiritualidade, sofrimento, escolhas morais e transformação.

E é justamente por meio de uma imagem atribuída a Lewis que Clarissa começa essa sequência.

Ela escreve que C. S. Lewis falou, sobre um frasco de lágrimas de criança capaz de curar qualquer ferimento com apenas uma gota.

É uma imagem muito forte.

Uma única gota.

Algo pequeno.

Algo aparentemente frágil.

E, no entanto, capaz de tocar uma ferida.

Mas existe um detalhe importante!

No trecho de Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa não informa de qual obra de Lewis está retirando essa imagem.

Nas histórias de Nárnia existe, de fato, um pequeno frasco entregue a Lucy contendo um cordial mágico capaz de curar quase qualquer ferimento ou doença. Mas o líquido é descrito por Lewis como um cordial produzido a partir de flores mágicas, e não literalmente como lágrimas de criança. 

Por isso, se formos apresentar essa referência, o mais seguro é dizer:

Clarissa atribui a C. S. Lewis essa imagem das lágrimas curativas.

Sem precisar afirmar que existe uma passagem específica de Nárnia exatamente dessa forma.

E talvez o mais importante nem seja localizar literalmente o frasco.

O que interessa para Clarissa é o símbolo que ele oferece.

Algo líquido, pequeno e aparentemente delicado pode possuir uma enorme capacidade reparadora.

E quem é Mary Culhane?

Clarissa traz uma antiga história associada à tradição irlandesa, conhecida em diferentes versões como Mary Culhane ou Mary Culhane and the Dead Man. Há variantes desse conto transmitidas oralmente e posteriormente registradas por diferentes contadores de histórias. 

Mas Clarissa seleciona um detalhe muito específico.

Na versão que ela menciona, um demônio que tomou Mary não consegue entrar numa casa onde tenham sido derramadas lágrimas sinceras.

Para ele, aquelas lágrimas são como “água benta”. 

Observe como a imagem muda novamente.

Com C. S. Lewis, temos a lágrima associada à cura.

Em Mary Culhane, a lágrima cria uma espécie de limite que o mal não consegue atravessar.

É exatamente aí que começamos a entender por que Clarissa reuniu essas histórias.

As lágrimas da donzela estão fazendo a mesma coisa!

A Donzela sem Mãos está num momento de extrema vulnerabilidade.

O Diabo quer alcançá-la.

Primeiro ela se purifica.

Depois se veste de branco.

Entra no círculo de giz.

E continua chorando.

Clarissa vai mostrando que, simbolicamente, a mulher está criando formas de proteção mesmo quando aparentemente não possui recursos suficientes para enfrentar aquilo que a ameaça.

As lágrimas tornam-se uma dessas formas.

Mais adiante, depois que suas mãos são cortadas, a donzela continua chorando.

E essas lágrimas funcionam quase como um muro de água entre ela e o predador. 

Não porque o Diabo tenha pena dela.

Ele não tem.

Mas porque aquilo que as lágrimas representam — contato verdadeiro com o sentimento, consciência e vida psíquica — impede que a força destrutiva domine tudo.

Chorar mantém alguma coisa viva!

Talvez essa seja uma das ideias mais importantes desse trecho.

Quando estamos profundamente feridas, existem diferentes maneiras de sobreviver.

Uma delas é endurecer.

Parar de sentir.

Negar.

Dizer:

“Não aconteceu nada.”

“Não me importo.”

“Já passou.”

“Não vou pensar nisso.”

Em algumas circunstâncias, essa defesa pode até nos ajudar temporariamente.

Mas Clarissa parece interessada em outra possibilidade.

Continuar sentindo.

Não para permanecer eternamente no sofrimento.

Mas para não perder contato com aquilo que está acontecendo dentro de nós.

Ela diz que as lágrimas tornam a mulher consciente.

Quando estamos chorando verdadeiramente, existe algo que já não consegue voltar completamente ao estado de entorpecimento anterior. 

Talvez por isso o choro seja tão perigoso para o predador.

Porque sentir também significa perceber.

E perceber pode levar a reconhecer:

“Isso está me machucando.”

“Isso não é aceitável.”

“Eu não quero continuar assim.”

“Eu preciso me proteger.”

Lágrimas não significam passividade!

Esse ponto também é importante.

Chorar não significa apenas ficar parada sofrendo.

No simbolismo utilizado por Clarissa, a lágrima participa de um processo.

Ela pode revelar.

Purificar.

Proteger.

Convocar ajuda.

Restaurar contato com aquilo que sentimos.

Clarissa resume isso dizendo que, ao longo dessas histórias, as lágrimas desempenham três funções: aproximam forças protetoras, afastam aquilo que tenta aprisionar a alma e ajudam a reparar danos decorrentes de pactos infelizes. 

Isso muda bastante a ideia comum de que chorar significa simplesmente fraqueza.

Às vezes, chorar é justamente o momento em que algo dentro de nós deixa de aceitar silenciosamente aquilo que estava acontecendo.

Mas chorar não resolve tudo!

E Clarissa também não romantiza as lágrimas.

Ela não diz que basta chorar e tudo estará curado.

Em outro momento desse mesmo estágio, ela escreve uma frase fundamental:

“Chorar não cura o dilema, mas permite que o processo continue em vez de entrar em colapso.” 

Talvez essa seja a melhor maneira de compreender todas essas referências.

A lágrima não desfaz o que aconteceu.

Não apaga uma violência.

Não termina automaticamente um relacionamento ruim.

Não recupera imediatamente aquilo que foi perdido.

Mas ela pode impedir que a mulher fique completamente separada do próprio sentir.

E, enquanto alguma coisa ainda consegue sentir, o processo pode continuar.

Talvez seja por isso que Clarissa tenha recorrido a tantas histórias!

Lewis.

A Criança de Pedra.

Mary Culhane.

São universos muito diferentes.

Mas Clarissa não está tentando provar que todas essas tradições dizem exatamente a mesma coisa.

Ela está mostrando como uma mesma imagem simbólica reaparece em histórias diferentes.

A água.

A lágrima.

A purificação.

A proteção.

O amolecimento daquilo que endureceu.

A cura da ferida.

O limite contra aquilo que ameaça destruir.

E então voltamos para a Donzela sem Mãos.

Uma mulher que perdeu sua antiga capacidade de agir, mas que ainda possui uma coisa fundamental:

ela ainda sente.

E talvez seja justamente isso que o predador não consegue retirar dela.

Para refletir!

O que acontece com você quando sofre: você consegue sentir ou tende a endurecer?

Existem lágrimas que você ainda não conseguiu permitir?

O que talvez esteja sendo protegido por baixo daquilo que ficou rígido?

Existe alguma verdade que começou a aparecer justamente quando você finalmente conseguiu chorar?

E talvez a pergunta mais importante:

e se algumas lágrimas não forem sinal de que estamos perdendo nossa força, mas de que alguma parte profunda de nós ainda está lutando para permanecer viva?

“Há lágrimas que não nos afundam. Elas impedem que a alma seque.”

Essa última frase é uma síntese nossa, não uma citação de Clarissa. Para a imagem do blog, eu usaria justamente ela — diferencia bastante da postagem anterior sobre a pedra e mantém as duas publicações conectadas sem ficarem repetitivas.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!



Quando as lágrimas derretem a pedra: 

 Criança de Pedra!

Existem momentos em que o sofrimento não nos faz apenas chorar.

Às vezes ele faz exatamente o contrário.

Ele endurece.

Depois de muitas rejeições, perdas, humilhações ou decepções, podemos começar a criar uma espécie de proteção.

Sentimos menos.

Esperamos menos.

Confiamos menos.

E, algumas vezes, dizemos:

“Não vou mais deixar isso me atingir.”

Mas talvez exista uma diferença importante entre estar protegida e estar petrificada.

Em A Donzela sem Mãos, Clarissa Pinkola Estés traz um pequeno conto inuit justamente quando fala sobre o poder das lágrimas.

Nele, as lágrimas quentes de um menino atingem uma pedra fria.

E a pedra se rompe.

De dentro dela é libertado um espírito protetor.

A imagem é pequena, mas profundamente simbólica.

A pedra pode ser aquilo que endureceu em nós

Clarissa está falando das lágrimas não apenas como expressão de tristeza.

Elas possuem uma função.

Elas ajudam a tornar consciente aquilo que está acontecendo.

Algo que estava congelado começa a se mover.

Algo que estava fechado começa a se abrir.

Algo que parecia sem vida revela que ainda havia alguma coisa ali dentro.

Por isso gosto tanto dessa imagem:

as lágrimas não criam o espírito protetor.

Ele já estava lá.

Elas apenas ajudam a romper aquilo que o mantinha preso.

Água mole em pedra dura…

E essa imagem me lembra também um ditado popular muito conhecido:

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.”

É uma associação nossa, não uma relação feita por Clarissa no livro. Mas é interessante perceber como as duas imagens se encontram.

No ditado, a água representa principalmente a persistência.

Algo aparentemente frágil diante de uma pedra dura, pela constância, consegue produzir uma transformação.

No conto inuit citado por Clarissa, a imagem ganha outro significado.

São justamente as lágrimas — uma forma de água — que atingem a pedra fria e libertam aquilo que estava aprisionado dentro dela.

A pedra parece mais forte.

Mais resistente.

Mais difícil de atravessar.

A água parece frágil.

Mas é a água que consegue abrir passagem.

Talvez algumas lágrimas façam algo parecido conosco:

não destroem quem somos, mas vão abrindo passagem através daquilo que endureceu.

E isso me leva a pensar em outro conto.

E foi aí que me lembrei de O Patinho Feio!

Essa também é uma associação minha.

Quando reli esse trecho da Criança de Pedra, pensei imediatamente em O Patinho Feio.

Porque ali também encontramos uma criatura que passa muito tempo vivendo sob o impacto da rejeição.

Ele tenta pertencer.

É ridicularizado.

É afastado.

Passa por solidão.

E chega um momento em que já não sabe direito onde é o seu lugar.

Talvez muitas pessoas conheçam essa experiência.

Depois de ouvir durante muito tempo que somos demais, de menos, estranhas, inadequadas ou diferentes, existe o risco de começarmos a acreditar que o problema está em nossa própria natureza.

Foi isso que sempre me chamou atenção em O Patinho Feio.

Ele não precisava aprender a ser um pato melhor.

Ele precisava descobrir quem era.

Nem toda adaptação significa pertencimento!

Quando não sabemos quem somos, podemos gastar uma enorme quantidade de energia tentando caber em lugares que não conseguem nos reconhecer.

Mudamos nosso comportamento.

Diminuímos características nossas.

Tentamos agradar.

Escondemos sensibilidades.

Abandonamos desejos.

Silenciamos partes de nós.

E, pouco a pouco, alguma coisa pode começar a endurecer.

É como se a psique dissesse:

“Se sentir dói tanto, talvez seja melhor sentir menos.”

E isso pode funcionar como proteção durante algum tempo.

O problema é que existe um preço.

Porque a mesma proteção que impede que parte da dor nos alcance também pode nos afastar daquilo que continua vivo em nós.

A lágrima aparece quando a pedra começa a ceder!

Talvez seja por isso que a imagem trazida por Clarissa seja tão bonita.

Não é a força bruta que rompe a pedra.

Não é um martelo.

Não é uma batalha.

São lágrimas quentes.

Algo profundamente humano e aparentemente frágil consegue atingir aquilo que havia se tornado rígido.

Isso muda um pouco a maneira como podemos pensar sobre o choro.

Às vezes acreditamos que choramos porque estamos fracas.

Mas talvez existam momentos em que conseguimos chorar justamente porque já existe força suficiente para sentir aquilo que antes precisávamos manter congelado.

Clarissa traz outras imagens nesse mesmo trecho para mostrar que as lágrimas podem proteger, purificar e ajudar o processo psíquico a continuar.

Elas não são apenas consequência da dor.

Também podem fazer parte da maneira como a psique responde a ela. 

O Patinho Feio também precisa atravessar um inverno!

Existe ainda outra imagem que aproxima esses universos.

O Patinho Feio atravessa o frio.

Passa por um período de isolamento, sofrimento e sobrevivência antes do momento em que finalmente reconhece sua própria natureza.

E essa transformação não acontece porque alguém simplesmente o convence:

“Você precisa ter mais autoestima.”

Ele precisa chegar a um encontro.

Um encontro com aquilo que é semelhante a ele.

E, nesse encontro, algo muda.

Pela primeira vez, sua diferença deixa de ser interpretada apenas como defeito.

Talvez seja essa uma das experiências psíquicas mais importantes que podemos viver:

encontrar um lugar onde aquilo que sempre pareceu inadequado finalmente faça sentido.

Às vezes passamos tanto tempo tentando caber em determinado ambiente, relacionamento, grupo ou expectativa que nem chegamos a perguntar:

“E se o problema não for aquilo que eu sou?”

Talvez estejamos apenas tentando pertencer ao lugar errado.

Às vezes o que precisa ser libertado não é uma nova pessoa!

Talvez seja alguém que sempre esteve ali.

Essa é outra aproximação interessante entre as duas imagens.

Na Criança de Pedra, o espírito protetor não nasce quando a pedra se rompe.

Ele é libertado.

No Patinho Feio, o cisne não aparece porque o patinho finalmente conseguiu se transformar em outra coisa.

Aquela natureza já estava nele.

Ele é que ainda não conseguia reconhecê-la.

Por isso existe uma diferença importante entre transformação e recuperação.

Nem todo processo psíquico consiste em nos tornarmos alguém completamente diferente.

Algumas vezes ele consiste em recuperar acesso a algo que ficou escondido, congelado, reprimido ou simplesmente desconhecido dentro de nós.

Talvez seja nossa capacidade de dizer não.

De criar.

De confiar na própria percepção.

De desejar.

De escolher.

De sentir.

De reconhecer aquilo que realmente combina conosco.

E talvez por isso algumas lágrimas sejam tão importantes!

Clarissa não está dizendo que chorar resolve tudo.

Muito pelo contrário.

Em outro momento desse mesmo estágio, ela é bastante clara ao dizer que:

“Chorar não cura o dilema, mas permite que o processo continue em vez de entrar em colapso.” 

Essa diferença é fundamental.

A lágrima não desfaz aquilo que aconteceu.

Não apaga uma rejeição.

Não muda o passado.

Não transforma automaticamente uma situação difícil.

Mas pode permitir que alguma coisa continue se movimentando dentro de nós.

Em vez de endurecermos completamente, alguma coisa ainda consegue sentir.

E, enquanto conseguimos sentir, talvez também consigamos perceber.

Enquanto conseguimos perceber, talvez consigamos escolher.

E enquanto conseguimos escolher, o processo ainda pode continuar.

Nem toda pedra precisa continuar sendo pedra!

Talvez o mais interessante na história da Criança de Pedra seja justamente isso:

a pedra não estava vazia.

Havia algo dentro dela.

Aquilo que parecia apenas frio, duro e imóvel escondia uma força protetora.

Talvez também existam partes nossas que parecem assim.

Uma mulher pode dizer:

“Eu fiquei fria.”

“Não consigo confiar em ninguém.”

“Não quero mais me envolver.”

“Não quero sentir isso outra vez.”

“Não me importo mais.”

Mas talvez nem sempre exista ausência de sentimento.

Às vezes existe sentimento protegido por uma pedra.

E talvez essa pedra tenha sido necessária durante algum tempo.

O problema começa quando aquilo que foi criado para proteger passa também a nos impedir de viver.

É nesse ponto que a água se torna tão interessante como símbolo.

Ela não enfrenta a pedra tentando ser mais dura do que ela.

Ela continua sendo água.

E, ainda assim, encontra passagem.

Da pedra ao cisne!

Talvez seja isso que une, para mim, a Criança de Pedra e O Patinho Feio.

Nos dois casos, algo essencial permanece escondido durante algum tempo.

No primeiro, existe um espírito protetor preso dentro da pedra.

No segundo, existe uma natureza que ainda não foi reconhecida.

Nenhum dos dois precisa fabricar do zero aquilo que irá salvá-lo.

Existe algo que precisa ser libertado, reconhecido ou reencontrado.

E talvez muitos dos nossos processos sejam assim.

Passamos tanto tempo tentando nos corrigir que esquecemos de perguntar:

“O que em mim talvez não precise ser corrigido?”

Talvez precise apenas ser compreendido.

Talvez tenha sido rejeitado.

Talvez tenha endurecido.

Talvez esteja esperando um ambiente em que possa finalmente aparecer.

Talvez precise de tempo.

Ou talvez precise apenas de uma pequena abertura na pedra.

Para refletir!

O que em você precisou endurecer para sobreviver?

Essa proteção ainda é necessária da mesma maneira hoje?

O que continua vivo por baixo dela?

Existe alguma característica sua que você passou anos tentando corrigir porque ela não cabia no ambiente em que você estava?

Em quais lugares você tentou ser um “pato melhor” quando talvez precisasse apenas encontrar seus cisnes?

E, principalmente:

o que poderia ser libertado se aquilo que virou pedra finalmente pudesse voltar a sentir?

Porque talvez algumas lágrimas não signifiquem que estamos quebrando.

Talvez signifiquem justamente o contrário:

“Às vezes, as lágrimas não mostram que quebramos. Elas mostram que a pedra começou a ceder.”

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!




 

Ragnarök em A Donzela sem Mãos: por que Clarissa cita o “crepúsculo dos deuses”?

Em A Donzela sem Mãos, existe um detalhe que pode passar despercebido.

Depois que o moleiro faz o pacto com o Diabo, ele não retorna imediatamente para buscar a jovem.

Passam-se três anos.

Clarissa Pinkola Estés dedica atenção especial a esse intervalo e, para explicar seu significado, faz uma referência inesperada à mitologia nórdica: Ragnarök, o chamado “crepúsculo dos deuses”.

Mas por que trazer Ragnarök para dentro da história da Donzela sem Mãos?

Porque os dois símbolos falam de algo semelhante:

há momentos em que uma antiga ordem precisa chegar ao limite antes que uma nova forma de vida possa surgir.

Os três anos não são apenas tempo!

Clarissa explica que os três anos representam um período em que a mulher ainda não compreende plenamente que ela própria é a vítima do pacto.

Alguma coisa já aconteceu.

Uma escolha foi feita.

Um preço foi estabelecido.

Mas a consciência ainda não alcançou completamente aquilo que essa escolha significará.

É um período de expectativa e de pressão.

A mulher pode sentir que algo está para acontecer, mas ainda não sabe exatamente o quê.

É nesse ponto que Clarissa menciona Ragnarök. 

O que é Ragnarök?

Na referência usada por Clarissa, Ragnarök é o “crepúsculo dos deuses” da mitologia escandinava.

Antes dessa grande destruição, haveria um período de três anos de inverno.

Depois vem a devastação.

E, depois dela, surge um novo mundo.

É justamente esse desenho simbólico que interessa à autora:

pressão → ruptura → transformação → nova vida.

Não é necessário conhecer toda a mitologia nórdica para compreender por que Clarissa usa essa imagem.

Ela está mostrando que algumas mudanças psíquicas não acontecem imediatamente.

Primeiro existe um período em que a tensão aumenta.

Aquilo que antes funcionava começa a deixar de funcionar.

As antigas certezas ficam frágeis.

E chega um momento em que já não é possível continuar da mesma maneira.

O terceiro momento é o momento da transformação!

Clarissa observa também que o número três aparece repetidamente nos contos.

A primeira tentativa não resolve.

A segunda ainda não.

Mas, na terceira, alguma coisa acontece.

Ela diz que, quando se chega à “terceira potência”, a energia acumulada começa a produzir movimento. 

Nas notas do capítulo, ela reforça essa ideia: o três pode representar a culminação de uma luta intensa, um sacrifício que desemboca numa nova vida.

Isso ajuda a compreender os três anos da donzela.

Durante esse período, algo está sendo preparado.

Não externamente apenas.

Internamente.

Às vezes sabemos que algo está terminando antes de saber o que vai começar!

Talvez seja essa uma das experiências humanas mais difíceis.

Perceber que a vida como está não consegue mais continuar, mas ainda não enxergar o que virá depois.

Uma relação perdeu seu sentido.

Um trabalho deixou de representar quem somos.

Uma forma de viver tornou-se pequena.

Uma antiga identidade já não nos serve.

Mas a nova ainda não apareceu.

É um espaço intermediário.

Não estamos mais completamente na vida antiga.

Mas ainda não chegamos à nova.

Talvez os “três anos” do conto representem justamente esse território.

O inverno antes da mudança!

A imagem do inverno é muito adequada.

No inverno, aparentemente pouco acontece.

A árvore perde suas folhas.

A paisagem parece vazia.

O crescimento deixa de ser visível.

Mas isso não significa ausência de vida.

Existe um processo acontecendo abaixo da superfície.

E talvez seja isso que Clarissa esteja mostrando ao aproximar os três anos do conto dos três invernos que antecedem Ragnarök.

Antes da transformação visível, existe um período subterrâneo.

Algo está se acumulando.

Algo está amadurecendo.

Algo está chegando ao limite.

Mas Clarissa não está dizendo que precisamos sofrer para crescer!

Esse ponto é fundamental.

Nas notas do mesmo capítulo, Clarissa deixa claro que o fato de uma pessoa poder desenvolver força depois de uma experiência dolorosa não torna aceitável o mal que lhe aconteceu.

Portanto, a imagem de Ragnarök não deve ser entendida como:

“Precisamos ser destruídas para renascer.”

Ou:

“Tudo acontece porque precisamos aprender alguma coisa.”

Não.

O que Clarissa está observando é outra coisa:

quando uma ruptura já aconteceu, a psique pode tentar criar uma nova organização a partir dela.

A ferida não se torna boa porque algo novo nasceu depois.

O fim de um mundo não é necessariamente o fim da vida!

Ragnarök é uma imagem extrema porque fala do colapso de uma ordem inteira.

E isso ajuda a entender o que acontecerá com a donzela.

A vida que ela conhecia vai terminar.

Sua inocência será rompida.

Suas mãos serão cortadas.

Ela precisará deixar a casa dos pais.

Perambular.

Receber ajuda.

Aprender outras formas de viver.

Ou seja, o mundo antigo dela realmente termina.

Mas a história não termina.

Esse é o ponto.

Algumas transformações começam quando já não conseguimos continuar como antes!

Talvez seja essa a razão mais profunda pela qual Clarissa traz Ragnarök para esse capítulo.

Ela quer mostrar que determinados processos psíquicos chegam a um ponto de saturação.

Durante muito tempo podemos continuar.

Adaptar.

Suportar.

Ignorar.

Tentar fazer funcionar.

Até que alguma coisa chega ao limite.

E então acontece uma ruptura.

Depois dela, não somos mais exatamente quem éramos.

Ainda não sabemos quem seremos.

Mas alguma coisa começou a se mover.

Talvez você já tenha vivido um pequeno Ragnarök!

Não no sentido literal de destruição.

Mas talvez tenha vivido momentos em que uma parte importante da sua vida desmoronou.

Uma relação terminou.

Uma crença caiu.

Uma identidade deixou de fazer sentido.

Uma forma de viver tornou-se impossível.

E durante algum tempo você talvez tenha pensado:

“E agora?”

Talvez esse seja o ponto em que o conto da Donzela sem Mãos e a imagem de Ragnarök se encontram.

Não na glorificação da destruição.

Mas na compreensão de que, às vezes, quando uma antiga organização da vida termina, começa um período em que outra precisa ser construída.

E é justamente nesse espaço entre o que terminou e aquilo que ainda não nasceu que começa uma das partes mais profundas da jornada da donzela.

Para refletir!

Existe alguma área da sua vida em que você percebe que a antiga forma de viver já não funciona, mas a nova ainda não apareceu?

O que talvez esteja amadurecendo durante esse “inverno”?

E, principalmente:

o que precisa terminar para que você possa enxergar com mais clareza aquilo que precisa começar?

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Dia das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida - 12 de Outubro!


 

12 de outubro carrega duas imagens muito fortes para nós: Nossa Senhora Aparecida 

e as crianças.

Uma nos lembra de amparo, proteção, fé e cuidado.
A outra nos lembra de uma parte de nós que, mesmo depois de adultas, continua precisando ser vista, acolhida e protegida.

Quando somos crianças, dependemos dos adultos para compreender o mundo, estabelecer limites, sentir segurança e aprender que nossas emoções têm lugar.

Mas crescemos.

E chega um momento em que parte desse cuidado precisa começar a vir de nós mesmas.

Talvez cuidar da nossa criança interior não seja voltar ao passado nem permanecer presas a ele.

Talvez seja poder dizer hoje:

“Eu vejo o que você sentiu.”
“Eu entendo por que aquilo doeu.”
“Você não precisa mais aceitar tudo para ser amada.”
“Agora eu posso cuidar de você.”

Há uma diferença profunda entre viver como uma criança ferida esperando que alguém finalmente venha nos salvar e tornar-se a mulher adulta capaz de oferecer proteção àquela criança que um dia fomos.

Isso também é amadurecimento.

É aprender a colocar limites.

Escolher melhor onde permanecer.

Reconhecer nossas necessidades.

Permitir alegria.

Brincar novamente.

Criar.

Descansar.

E recuperar partes nossas que talvez tenham precisado crescer cedo demais.

Neste 12 de outubro, além de celebrarmos o Dia das crianças que fazem parte da nossa vida, talvez possamos fazer uma pergunta simples:

Como tenho tratado a criança que ainda existe dentro de mim?

Com cobrança?

Com vergonha?

Com impaciência?

Ou com o cuidado que eu gostaria que ela tivesse recebido?

E, para quem encontra em Nossa Senhora Aparecida uma expressão de fé, que este também possa ser um dia de lembrar do colo, da proteção e da esperança.

Porque algumas partes de nós crescem.

Outras continuam precisando ouvir:

“Você está segura. Eu estou aqui.”

Para refletir

Se você pudesse encontrar hoje a menina que um dia foi, o que gostaria de dizer a ela?

Eu fecharia o post com:

“Que a mulher que somos hoje saiba cuidar da menina que ainda vive em nós.”

🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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