quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - O Pelo do Urso Não Era a Cura!- Capítulo 12!



O pelo do urso não era a cura!

Há momentos em que chegamos à vida como quem chega à porta de uma curandeira: cansadas, feridas, impacientes e querendo uma resposta. Queremos alguma coisa concreta que nos diga o que fazer, que alivie a dor, que devolva alguém ao que era antes, que cure uma relação, que acalme uma raiva ou que organize aquilo que dentro de nós parece ter perdido o lugar. Procuramos uma palavra, um conselho, uma fórmula, um ritual, uma decisão. Procuramos, de algum modo, o nosso próprio “pelo do urso”.

No conto apresentado por Clarissa Pinkola Estés, uma mulher procura ajuda porque seu marido volta da guerra profundamente transformado. Ele está irritado, fechado e tomado por uma raiva que ela não sabe como alcançar. Diante disso, ela procura uma curandeira, esperando encontrar uma solução para aquilo que está vivendo. A curandeira, então, lhe pede algo aparentemente impossível: um pelo retirado da região do pescoço de um urso que vive na montanha.

A mulher aceita a missão e começa a subir.

Mas ela logo percebe que não pode simplesmente se aproximar do animal e arrancar aquilo de que precisa. O urso é selvagem, forte e imprevisível. Não pode ser dominado. Então ela precisa aprender outra coisa. Primeiro, observa de longe. Depois, se aproxima um pouco mais. Leva alimento. Espera. Respeita o tempo do animal. Volta no dia seguinte, e no outro, e no outro. Aos poucos, aprende a perceber quando pode avançar e quando precisa recuar. Aprende a lidar com o medo sem abandonar a tentativa. Aprende a construir confiança sem forçar a aproximação.

Até que, lentamente, aquilo que parecia impossível começa a se tornar possível. O urso permite que ela chegue perto o suficiente. Ela consegue o pelo e desce a montanha acreditando que, finalmente, possui aquilo que irá resolver seu problema.

Mas, quando entrega o pelo à curandeira, acontece algo inesperado: ela o joga no fogo.

E talvez essa seja uma das imagens mais bonitas do conto.

Porque o pelo nunca foi a cura.

A jornada era!

A mulher subiu a montanha procurando um objeto, mas voltou diferente. O que realmente trouxe daquela experiência não podia ser segurado nas mãos. Ela trouxe paciência, porque descobriu que não poderia apressar o urso. Trouxe percepção, porque precisou observar cada movimento antes de se aproximar. Trouxe respeito, porque compreendeu que força não se conquista pela violência. Trouxe coragem, porque continuou avançando mesmo diante do medo. Trouxe disciplina, porque voltou repetidamente, mesmo sem qualquer garantia de que conseguiria o que queria. Trouxe sensibilidade, porque precisou aprender a perceber o momento de aproximar-se e o momento de esperar.

E trouxe também uma compreensão ainda mais profunda: não podemos obrigar alguém, nem a nós mesmas, a se transformar no tempo que desejamos.

Talvez seja por isso que o pelo possa ser queimado. Aquilo que precisava permanecer já havia sido incorporado por ela.

Nós também fazemos isso muitas vezes. Procuramos algo fora de nós acreditando que, quando finalmente conseguirmos, tudo ficará bem. Pensamos: “Se ele mudar, eu vou ficar bem.” “Se ela reconhecer o que fez, vou conseguir seguir.” “Se eu encontrar a resposta certa, minha raiva vai desaparecer.” “Se alguém me disser exatamente o que fazer, tudo se resolve.”

Não há nada de errado em buscar ajuda. Precisamos de pessoas, de conhecimento, de orientação, de terapia, de caminhos que nos apoiem. Mas existem transformações que ninguém consegue nos entregar prontas, porque certas respostas só começam a surgir enquanto percorremos o caminho.

Há ainda uma inversão muito bonita nessa história. A mulher começa sua jornada querendo curar o marido. Era ele quem estava tomado pela raiva. Era ele quem havia mudado. Era ele quem parecia precisar da cura. Mas quem sobe a montanha é ela. Quem enfrenta o medo é ela. Quem aprende a esperar é ela. Quem precisa desenvolver uma nova maneira de se aproximar da força, da dor e daquilo que não pode controlar é ela.

Isso não significa que somos responsáveis pela transformação do outro. Pelo contrário. Talvez o conto esteja justamente mostrando que esse poder não nos pertence. Podemos acompanhar, conversar, estabelecer limites, oferecer presença e mudar nossa forma de responder, mas não podemos arrancar de alguém aquilo que essa pessoa ainda não está pronta para transformar.

O caminho que realmente está ao nosso alcance é o nosso.

E talvez essa seja uma das partes mais difíceis de aceitar. Muitas vezes queremos curar alguém, salvar uma relação, acelerar um processo, eliminar uma emoção ou encontrar uma resposta definitiva. Queremos chegar logo ao fim da montanha. Queremos pegar o pelo.

Mas nem toda cura acontece como imaginávamos.

Às vezes pensamos que cura significa não sentir mais raiva, não lembrar, não sofrer, não ter medo ou nunca mais voltar a determinados lugares internos. Mas talvez a cura seja outra coisa. Talvez seja conseguir visitar esses lugares sem ser dominada por eles. Sentir raiva e ainda escolher como agir. Perceber o medo sem abandonar a si mesma. Reconhecer uma ferida sem transformar cada situação nova numa repetição do passado. Estabelecer limites sem precisar destruir o outro. Dar tempo ao que não pode ser apressado.

A mulher desce da montanha ainda vivendo a mesma realidade. Seu marido não foi magicamente transformado. A vida não se reorganizou num instante. Mas ela já não é a mesma mulher que iniciou a subida.

E isso muda muita coisa.

Podemos compreender intelectualmente que precisamos ter paciência, mas é diferente quando alguma situação da vida nos obriga a praticá-la. Podemos saber que precisamos respeitar nossos limites, mas é diferente quando precisamos finalmente dizer “não”. Podemos repetir que não controlamos os outros, mas é diferente quando precisamos amar alguém sem conseguir salvá-lo. Podemos entender que a raiva precisa ser transformada, mas é diferente quando ela aparece e somos nós que precisamos escolher o que fazer com ela.

Existem conhecimentos que entram pela cabeça. Outros só entram pela experiência.

Talvez seja por isso que a curandeira não ofereça simplesmente uma resposta. Ela oferece uma jornada.

E talvez possamos levar essa pergunta para a nossa própria vida: qual é o meu pelo do urso?

O que eu acredito que precisa acontecer para finalmente ficar bem? Existe alguém que ainda precisa mudar? Existe um pedido de desculpas que continuo esperando? Existe uma resposta que acredito precisar encontrar? Existe alguma situação que estou tentando resolver imediatamente, quando talvez o processo esteja pedindo tempo?

E, principalmente, quem estou me tornando enquanto busco aquilo que desejo?

Talvez exista algo que estejamos perseguindo acreditando ser a solução. Mas talvez, como no conto, o verdadeiro presente não esteja no final da montanha. Talvez esteja em cada passo dado para chegar até lá. Na coragem que desenvolvemos. Nos limites que aprendemos. Na paciência que precisamos cultivar. Nas ilusões que abandonamos. Na força que encontramos. Na pessoa que começa a surgir enquanto caminhamos.

No fim, talvez alguns “pelos do urso” também precisem ser lançados ao fogo.

Porque existem coisas que cumprem sua função simplesmente ao nos fazer caminhar até elas.

Às vezes, aquilo que buscamos não é a cura. A pessoa que nos tornamos durante a busca é que começa a nos curar.

Roda Virtual — O Urso da Meia-Lua

No dia 19 de setembro, às 15h30, teremos mais uma roda de conversa virtual pelo Google Meet.

Nosso encontro será inspirado no capítulo O Urso da Meia-Lua, de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

Vamos conversar sobre raiva, limites, instinto, feridas emocionais, transformação e perdão, procurando compreender as metáforas e símbolos que Clarissa utiliza ao longo desse capítulo tão profundo.

Mais do que entender o texto, a proposta é trazer essas reflexões para a nossa própria história:

O que a nossa raiva tenta nos mostrar?
Onde precisamos colocar limites?
O que ainda carregamos do passado?
E o que já pode ser transformado e deixado descansar?

Será um encontro de escuta, reflexão, troca e autoconhecimento.

📅 19 de setembro
🕞 15h30
💻 Roda virtual pelo Google Meet- chame no whatsApp para se inscrever!

Prepare seu cantinho, seu café ou chá e venha participar conosco.

Espero você!


🌿 Com carinho,

#MuenBotoke #mulheresquecorremcomoslobos #clarissapinkolaestés #capitulo12 #oursodameialua  #Perdão #Autoconhecimento #Relacionamentos #CuraEmocional #LibertaçãoEmocional #ressentimento #Reflexão #Ressignificação #BethCastrotaróloga #literaturaemocional #rodademulheressabiasefortes #reflexão #bhtarot #bethcastroterapias #rodadeconversavirtual #rodavirtual #rodademulheres #mulherajudamulher #mulherinteligente #forçafeminina #psicologiaarquetípica #vivênciastransformadoras #mulherselvagem #desapego #encerramentodeciclo #espiritualidade #pazinterior #raiva #curadaraiva 

 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Muen Botoke Parte 2 - Capítulo 12!


 

Os mortos que ainda alimentamos: relações que terminaram, mas continuam ocupando nossa energia!

Algumas pessoas saem da nossa vida.

Mas não saem de dentro de nós.

O relacionamento terminou há anos, a amizade acabou, o afastamento aconteceu e a pessoa seguiu o caminho dela.

Mesmo assim, continuamos conversando mentalmente com ela.

Explicamos aquilo que nunca conseguimos explicar.

Respondemos às frases que nos feriram.

Imaginamos o pedido de desculpas que gostaríamos de receber.

Fantasiamos o dia em que aquela pessoa finalmente perceberá que estava errada.

E, sem perceber, continuamos oferecendo nossa energia a uma relação que já não existe.

Talvez existam mortos emocionais que ainda alimentamos.

Uma relação pode terminar sem que o vínculo termine!

Existe uma diferença entre uma relação acabar e um vínculo emocional ser encerrado.

Uma relação pode terminar numa quinta-feira qualquer.

Uma conversa.

Uma separação.

Uma despedida.

Uma porta fechada.

Mas o vínculo pode permanecer durante meses ou anos.

Porque o vínculo não depende apenas da presença do outro.

Ele também vive dentro de nós.

Vive naquilo que esperamos.

Naquilo que não compreendemos.

Naquilo que gostaríamos que tivesse acontecido.

Naquilo que ainda queremos cobrar.

Por isso, algumas pessoas permanecem profundamente presentes mesmo estando completamente ausentes.

O ressentimento também é uma forma de vínculo!

Quando pensamos em vínculo, normalmente imaginamos amor, carinho ou saudade.

Mas a raiva também une.

O ressentimento também mantém uma ligação.

Enquanto pensamos:

“Um dia ele vai pagar pelo que fez.”

“Ela precisava reconhecer o quanto me machucou.”

“Eu nunca vou esquecer aquilo.”

“Queria que essa pessoa sentisse o que eu senti.”

A história continua aberta.

O outro pode nem pensar mais em nós, mas continua ocupando um espaço emocional dentro da nossa vida.

É uma constatação desconfortável:

às vezes, odiar alguém nos mantém tão presos quanto amar.

Quantas vezes ainda visitamos aquilo que já morreu?

Existe uma imagem interessante relacionada ao termo japonês muen-botoke.

Tradicionalmente, a expressão está ligada aos mortos que não possuem vínculos familiares ou pessoas que cuidem de sua memória e de seus túmulos.

Não é originalmente uma filosofia sobre relacionamentos.

Mas podemos utilizar essa imagem como uma metáfora para observar nossa própria vida.

Há relações que morreram e mesmo assim, continuamos visitando seus túmulos emocionais.

Levamos flores em forma de pensamentos.

Acendemos velas em forma de lembranças repetidas.

Conversamos novamente com episódios que já aconteceram.

Voltamos ao mesmo lugar mental esperando que, desta vez, o passado responda de outra maneira.

Mas ele nunca responde.

“Por quê?” é uma pergunta que pode não ter fim!

Uma das maneiras mais comuns de permanecermos presos a uma história é continuar perguntando:

“Por que ele fez isso?”

“Por que ela não me escolheu?”

“Por que meu pai nunca conseguiu demonstrar carinho?”

“Por que minha mãe agiu daquela forma?”

“Por que aquela pessoa me traiu?”

“Por que não reconheceram o que fizeram comigo?”

Algumas dessas perguntas possuem respostas.

Outras nunca terão.

E existe um momento em que a busca pela explicação deixa de produzir compreensão e passa apenas a prolongar o sofrimento.

Talvez a pergunta precise mudar.

Em vez de:

“Por que fizeram isso comigo?”

podemos perguntar:

“O que eu preciso fazer agora para que isso deixe de determinar minha vida?”

Essa mudança é enorme.

Porque devolve para nós aquilo que estava nas mãos do outro.

Às vezes, queremos justiça quando o que precisamos é liberdade!

É natural desejar reparação.

Quando somos feridos, existe dentro de nós uma espécie de contador emocional.

Ele registra:

o que demos,

o que recebemos,

o que perdemos,

o que nos fizeram,

o que nunca foi reconhecido.

Então esperamos algum tipo de pagamento.

Um pedido de desculpas.

Uma explicação.

Um arrependimento.

Uma mudança.

Ou simplesmente que a vida cobre daquela pessoa aquilo que ela nos fez.

Mas há um problema.

Enquanto esperamos o pagamento, continuamos sendo credores daquela história.

A dívida permanece aberta.

E uma dívida aberta mantém duas pessoas conectadas.

Talvez o perdão comece justamente quando dizemos:

“Você não precisa mais me pagar para que eu possa seguir.”

Isso não significa dizer que o que aconteceu foi correto.

Significa apenas que nossa liberdade não dependerá mais da consciência do outro.

Perdoar não é convidar alguém novamente para nossa mesa!

Existe uma enorme confusão sobre o perdão.

Perdoar não significa necessariamente reconciliar.

Não significa voltar.

Não significa confiar novamente.

Não significa permitir outro abuso.

Não significa esquecer os limites que aprendemos a estabelecer.

É perfeitamente possível perdoar alguém e nunca mais permitir que essa pessoa tenha o mesmo acesso à nossa vida.

Algumas portas podem ser fechadas sem ódio.

Algumas relações podem terminar sem vingança.

Algumas pessoas podem ser perdoadas à distância.

O perdão não precisa devolver a pessoa para a nossa vida.

Talvez ele sirva justamente para retirá-la de dentro de nós.

Existem conversas que precisamos parar de ter!

Você já percebeu quantas discussões acontecem apenas dentro da nossa cabeça?

Enquanto dirigimos.

Enquanto tomamos banho.

Antes de dormir.

No meio de uma tarefa qualquer.

De repente estamos novamente naquela conversa.

Dizendo aquilo que deveríamos ter dito.

Provando nosso ponto.

Mostrando ao outro como ele estava errado.

Vencendo uma discussão que aconteceu cinco anos atrás.

É uma forma silenciosa de permanência.

A pessoa não está presente.

Mas nossa mente continua convocando-a.

Talvez uma das formas mais concretas de desapego seja perceber:

“Eu não preciso continuar essa conversa.”

E interrompê-la.

Não violentamente.

Apenas escolhendo não oferecer mais energia para aquela cena.

A rotina mostra onde ainda estamos presos!

O desapego não acontece apenas em grandes cerimônias ou profundas reflexões.

Ele aparece nas pequenas escolhas.

Quando o nome da pessoa surge e você não precisa contar novamente toda a história.

Quando alguém pergunta sobre o passado e você consegue responder sem reviver tudo emocionalmente.

Quando você percebe uma lembrança surgindo e não passa os quarenta minutos seguintes reconstruindo mentalmente aquele episódio.

Quando deixa de olhar as redes sociais da pessoa.

Quando para de perguntar aos amigos como ela está.

Quando não precisa saber se ela se arrependeu.

Quando percebe que já não sente necessidade de provar que venceu.

Esses pequenos movimentos são sinais de que uma história está finalmente ocupando o lugar ao qual pertence:

o passado.

Algumas histórias não precisam de um final perfeito!

Talvez uma das coisas mais difíceis de aceitar seja que nem todas as histórias terminam de maneira satisfatória.

Algumas pessoas nunca pedirão desculpas.

Algumas nunca reconhecerão o dano que causaram.

Alguns relacionamentos terminarão sem aquela última conversa esclarecedora.

Algumas perguntas continuarão sem resposta.

Algumas injustiças permanecerão injustas.

E ainda assim podemos seguir.

Porque encerramento não é algo que necessariamente recebemos do outro.

Às vezes, somos nós que precisamos produzi-lo.

Um pequeno exercício!

Pense em alguém que não participa mais da sua vida, mas que ainda aparece frequentemente nos seus pensamentos.

Agora pergunte a si mesmo:

O que ainda espero dessa pessoa?

Um pedido de desculpas?

Reconhecimento?

Arrependimento?

Explicação?

Justiça?

Que ela volte?

Que perceba o que perdeu?

Depois pergunte:

E se isso nunca acontecer?

Essa talvez seja a pergunta mais importante.

Porque é justamente aí que encontramos aquilo que ainda nos prende.

E então podemos fazer uma última pergunta:

Posso construir minha paz mesmo sem receber isso?

Não precisamos responder imediatamente.

Mas talvez seja por aí que o desapego comece.

Deixe os mortos descansarem!

Algumas relações foram maravilhosas enquanto existiram.

Outras nos machucaram profundamente.

Algumas nos ensinaram.

Algumas nos quebraram.

Algumas nos obrigaram a descobrir partes de nós mesmos que jamais conheceríamos de outra maneira.

Todas podem fazer parte da nossa história.

Mas fazer parte da nossa história é diferente de continuar comandando nosso presente.

Talvez existam pessoas que já partiram da nossa vida e que ainda estamos tentando manter emocionalmente vivas.

Talvez seja hora de agradecer pelo que houve.

Chorar pelo que não houve.

Aprender o que precisava ser aprendido.

Devolver ao outro aquilo que pertence a ele.

E recolher de volta aquilo que é nosso.

Nossa atenção.

Nossa energia.

Nosso presente.

Nossa capacidade de amar novamente.

Nossa paz.

Eu não preciso mais carregar você comigo.

E talvez uma das formas mais profundas de liberdade seja conseguir olhar para aquilo que um dia nos feriu e dizer:

Existem histórias que não precisam ser apagadas.

Precisam apenas descansar.

Roda Virtual — O Urso da Meia-Lua

No dia 19 de setembro, às 15h30, teremos mais uma roda de conversa virtual pelo Google Meet.

Nosso encontro será inspirado no capítulo O Urso da Meia-Lua, de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

Vamos conversar sobre raiva, limites, instinto, feridas emocionais, transformação e perdão, procurando compreender as metáforas e símbolos que Clarissa utiliza ao longo desse capítulo tão profundo.

Mais do que entender o texto, a proposta é trazer essas reflexões para a nossa própria história:

O que a nossa raiva tenta nos mostrar?
Onde precisamos colocar limites?
O que ainda carregamos do passado?
E o que já pode ser transformado e deixado descansar?

Será um encontro de escuta, reflexão, troca e autoconhecimento.

📅 19 de setembro
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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Muen Botoke - Capítulo 12!


 

Muen-botoke: quando uma relação termina, mas continua vivendo dentro de nós!

Existem relações que acabam por fora, mas permanecem vivas por dentro.

A pessoa já foi embora. O casamento terminou. A amizade se rompeu. Os caminhos se separaram. Às vezes, nem existe mais contato.

Mesmo assim, aquela relação continua recebendo nossa atenção.

Voltamos mentalmente às conversas. Recriamos discussões. Imaginamos o que deveríamos ter dito. Esperamos um pedido de desculpas que talvez nunca venha. Tentamos compreender por que aquilo aconteceu.

É como se o vínculo tivesse terminado na realidade, mas ainda tivesse um lugar reservado dentro de nós.

Uma antiga expressão japonesa pode provocar uma reflexão interessante sobre isso: 

muen-botoke (無縁仏).

O que significa muen-botoke?

No Japão, muen-botoke é uma expressão tradicionalmente utilizada para se referir a pessoas que morreram sem familiares ou pessoas próximas que cuidassem de seu túmulo, realizassem ritos ou preservassem sua memória. Também pode se referir a mortos cuja identidade ou vínculos familiares são desconhecidos.

Portanto, não se trata originalmente de uma filosofia sobre relacionamentos ou de uma técnica de desapego.

Mas sua imagem pode nos oferecer uma poderosa metáfora.

Porque também existem relações que já morreram, mas que continuamos alimentando emocionalmente.

Quando continuamos cuidando do túmulo de uma relação!

Imagine uma mulher cujo relacionamento terminou há cinco anos.

Ela reconstruiu a vida. Não fala mais com o antigo parceiro. Talvez até esteja vivendo uma nova relação.

Mas, de tempos em tempos, volta ao passado.

“Por que ele fez aquilo comigo?”

“Será que algum dia percebeu o quanto me machucou?”

“Eu deveria ter falado tantas coisas.”

“Um dia ele ainda vai entender o que perdeu.”

O relacionamento acabou.

Mas emocionalmente ela continua visitando aquele lugar.

Continua levando flores para algo que já não existe.

Continua conversando com uma história que terminou.

E isso acontece não apenas nos relacionamentos amorosos.

Pode acontecer com uma amizade desfeita.

Com um conflito familiar.

Com alguém que nos traiu.

Com uma injustiça profissional.

Com um pai ou uma mãe que não nos deram aquilo que esperávamos.

Ou até com a versão de nós mesmos que gostaríamos de ter sido.

Nem todo vínculo precisa continuar sendo alimentado!

Há uma diferença importante entre lembrar e continuar vinculado.

Lembrar é reconhecer:

“Isso aconteceu comigo.”

Continuar vinculado é sentir:

“Isso ainda determina o que eu sinto, penso ou faço.”

Uma experiência pode continuar fazendo parte da nossa história sem continuar comandando nossa vida.

Talvez seja justamente aí que comece o desapego.

Não quando apagamos a memória.

Mas quando paramos de alimentá-la diariamente.

Perdoar também pode ser deixar de cobrar uma dívida!

Muitas vezes acreditamos que perdoar significa absolver alguém.

Não necessariamente.

Podemos reconhecer que alguém agiu mal e ainda assim decidir não carregar aquela pessoa emocionalmente conosco para sempre.

Perdoar pode significar deixar de esperar que o outro finalmente:

reconheça o erro,

peça desculpas,

sofra o mesmo que nos fez sofrer,

entenda nossa dor,

ou devolva alguma coisa que sentimos ter perdido.

Porque, enquanto esperamos esse pagamento, a dívida continua aberta.

E toda dívida emocional aberta mantém algum tipo de vínculo.

Às vezes, libertar-se significa simplesmente dizer internamente:

“O que aconteceu não muda. Mas eu não quero mais organizar minha vida ao redor disso.”

Deixar ir não significa dizer que não foi importante!

Existe também um medo silencioso por trás do desapego.

Se eu deixar isso ir, será que estou dizendo que não foi grave?

Se eu parar de sentir raiva, será que estou dando razão ao outro?

Se eu seguir em frente, será que estou diminuindo aquilo que vivi?

Não.

Deixar ir não altera o passado.

Apenas modifica o lugar que o passado ocupa dentro de nós.

Podemos dizer:

“Foi importante.”

“Doeu.”

“Foi injusto.”

“Eu aprendi.”

“Eu não quero viver isso novamente.”

E, ainda assim:

“Eu escolho não carregar mais.”

Talvez existam túmulos emocionais dentro de nós!

Algumas histórias precisam ser lembradas.

Outras precisam ser compreendidas.

Algumas precisam ser choradas.

Mas talvez existam aquelas que simplesmente precisam descansar.

Não porque foram insignificantes.

Mas porque já cumpriram seu tempo em nossa vida.

Talvez possamos olhar para determinados vínculos e perguntar:

Essa relação ainda existe ou sou eu quem continua mantendo viva a relação dentro de mim?

Existe algo que continuo esperando dessa pessoa?

Estou preservando uma lembrança ou alimentando uma ferida?

O que aconteceria se eu parasse de visitar emocionalmente essa história?

Há momentos em que a verdadeira despedida não acontece quando alguém vai embora.

Ela acontece muito depois.

Quando finalmente deixamos de conversar mentalmente com quem já partiu da nossa vida.

Quando paramos de esperar respostas.

Quando deixamos de cobrar dívidas emocionais.

Quando retiramos nossa energia daquele lugar.

E permitimos que algumas histórias, finalmente, descansem.

Não precisamos destruir o passado.

Talvez precisemos apenas parar de morar nele.

Roda Virtual — O Urso da Meia-Lua

No dia 19 de setembro, às 15h30, teremos mais uma roda de conversa virtual pelo Google Meet.

Nosso encontro será inspirado no capítulo O Urso da Meia-Lua, de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

Vamos conversar sobre raiva, limites, instinto, feridas emocionais, transformação e perdão, procurando compreender as metáforas e símbolos que Clarissa utiliza ao longo desse capítulo tão profundo.

Mais do que entender o texto, a proposta é trazer essas reflexões para a nossa própria história:

O que a nossa raiva tenta nos mostrar?
Onde precisamos colocar limites?
O que ainda carregamos do passado?
E o que já pode ser transformado e deixado descansar?

Será um encontro de escuta, reflexão, troca e autoconhecimento.

📅 19 de setembro
🕞 15h30
💻 Roda virtual pelo Google Meet- chame no whatsApp para se inscrever!

Prepare seu cantinho, seu café ou chá e venha participar conosco.

Espero você!

🌿 Com carinho,

#MuenBotoke #mulheresquecorremcomoslobos #clarissapinkolaestés #capitulo12 #oursodameialua #Desapego #Perdão #Autoconhecimento #Relacionamentos #CuraEmocional #LibertaçãoEmocional #Espiritualidade #Reflexão #Ressignificação #BethCastrotaróloga #literaturaemocional #rodademulheressabiasefortes #reflexão #bhtarot #bethcastroterapias #rodadeconversavirtual #rodavirtual #rodademulheres #mulherajudamulher #mulherinteligente #forçafeminina #psicologiaarquetípica #vivênciastransformadoras #mulherselvagem 

domingo, 6 de setembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Brauron -Capítulo 12!

 

Ártemis e as “ursinhas” de Brauron: quando o urso marca uma passagem na vida feminina!

Existe uma ligação muito antiga e bonita entre Ártemis, o feminino e a figura do urso. Na Grécia Antiga, no santuário de Ártemis em Brauron, na região da Ática, meninas participavam de um rito conhecido como Arkteia. Durante essa experiência, elas eram chamadas de arktoi, palavra que significa “ursinhas”.

Ártemis era a deusa da caça, da natureza selvagem e dos animais, mas também estava ligada à proteção das meninas, das mulheres e às importantes transições da vida feminina. Por isso, é interessante perceber que justamente o urso, um animal forte, selvagem e protetor, aparece associado a um ritual realizado por meninas que estavam deixando a infância e se preparando simbolicamente para uma nova fase da vida.

Na Arkteia, as meninas eram colocadas sob a proteção de Ártemis e participavam de atividades rituais ligadas ao culto da deusa. A tradição fala das jovens vestindo túnicas em tons de açafrão e sendo representadas em movimentos, corridas e cerimônias que evocavam sua condição de arktoi. A ideia central era marcar uma passagem: a menina não permaneceria para sempre na infância; alguma coisa estava se transformando.

E talvez seja justamente essa imagem que mais nos interessa psicologicamente.

Antes de entrar numa nova etapa, era necessário reconhecer que uma fase estava terminando.

Hoje atravessamos muitas mudanças sem qualquer ritual. Crescemos, menstruamos, nos casamos ou nos separamos, tornamo-nos mães, vemos os filhos saírem de casa, mudamos de profissão, atravessamos a menopausa, envelhecemos, perdemos pessoas e começamos novamente. Muitas vezes simplesmente seguimos adiante.

Para os antigos, porém, algumas dessas passagens eram importantes demais para acontecer silenciosamente.

Era preciso marcar:

“Até aqui eu era uma coisa. Agora alguma coisa em mim está mudando.”

Por que “ursinhas”?

A imagem é especialmente significativa porque o urso pertence ao mundo selvagem de Ártemis.

Podemos pensar simbolicamente naquela menina que ainda guarda algo de espontâneo, indomado e instintivo. Ela corre, brinca, explora, reage. Aos poucos, precisará aprender a viver dentro de uma comunidade, conhecer responsabilidades e atravessar novas experiências.

Mas isso não significa necessariamente destruir sua natureza selvagem.

Talvez possamos compreender o ritual de outra maneira: é preciso aprender a integrar essa força.

A menina não deixa simplesmente de ser “ursa”. Ela leva consigo aquilo que aprendeu com essa imagem: força, percepção, proteção e capacidade de reconhecer o próprio território.

E é impossível não lembrar aqui do Urso da Meia-Lua, de Clarissa Pinkola Estés.

Quando Clarissa associa o urso a Ártemis, essa ligação não surge do nada. Há uma tradição antiga na qual a própria relação entre a deusa e meninas passava simbolicamente pela figura da ursa.

Isso torna a referência no capítulo ainda mais interessante.

O urso de Clarissa também nos ensina sobre ciclos, força, proteção, limites e transformação.

O mito por trás da Arkteia

Há uma tradição mítica segundo a qual um urso vivia ligado ao santuário de Ártemis. Depois que o animal feriu uma menina, ele foi morto. A morte do animal sagrado teria provocado a ira da deusa e, para restaurar o equilíbrio, as meninas passaram a “servir como ursas” antes de uma importante transição de suas vidas.

Como acontece frequentemente nos mitos antigos, existem diferentes versões e interpretações dessa narrativa. Mas simbolicamente há uma ideia muito forte:

algo foi rompido e precisa ser restaurado.

A relação entre humanidade e natureza foi quebrada.

A força selvagem foi destruída.

E surge então um ritual para restabelecer essa ligação.

Essa imagem combina profundamente com a maneira como Clarissa trabalha o instinto feminino: quando perdemos contato com nossa natureza instintiva, precisamos encontrar um caminho de volta até ela.

Ser “ursa” antes de seguir adiante

Há algo muito bonito em imaginar essas meninas sendo chamadas de ursinhas.

Antes da próxima etapa, havia um momento para reconhecer aquela força.

Como se a cultura dissesse:

“Você está mudando. Seu corpo vai mudar. Sua vida vai mudar. Mas existe uma força dentro de você que precisa acompanhá-la.”

É exatamente por isso que considero tão interessante a presença de Ártemis no capítulo O Urso da Meia-Lua.

Clarissa fala de mulheres que precisam novamente aprender a rastrear, perceber, reconhecer limites e confiar nos próprios sinais internos.

Ártemis é a caçadora.

A caçadora observa.

Percebe rastros.

Conhece o território.

E sabe que não pode caminhar pela floresta completamente desconectada de seus sentidos.

Da mesma maneira, psicologicamente, precisamos aprender a perceber:

“O que estou sentindo?”

“O que mudou aqui?”

“Onde está meu limite?”

“O que precisa ser protegido?”

“Para qual nova etapa da minha vida estou sendo chamada?”

Talvez ainda precisemos de ritos de passagem

É possível que uma das perdas do nosso tempo seja justamente a ausência de rituais para algumas grandes transformações.

Há momentos em que uma versão nossa termina e outra começa, mas ninguém para para reconhecer essa passagem.

Talvez por isso tantas mudanças importantes tragam uma sensação estranha de desorientação.

Terminamos uma etapa, mas emocionalmente ainda não nos despedimos dela.

Começamos outra, mas ainda não reconhecemos quem estamos nos tornando.

Os antigos ritos nos lembram de algo muito simples:

transformações precisam ser reconhecidas.

Às vezes precisamos olhar para nós mesmas e dizer:

“Uma fase terminou.”

“Eu não sou mais exatamente aquela mulher.”

“Alguma coisa nova está começando.”

E talvez seja justamente aí que a antiga imagem da ursa volte a fazer sentido.

A ursa conhece os ciclos.

Sabe quando caminhar.

Sabe quando proteger.

Sabe quando se recolher.

E, depois do recolhimento, volta novamente para a vida.

Talvez esse seja um dos ensinamentos que podemos levar tanto de Ártemis quanto do Urso da Meia-Lua:

crescer não precisa significar abandonar nossa natureza instintiva. Talvez amadurecer seja aprender a caminhar com ela.

Roda Virtual — O Urso da Meia-Lua

No dia 19 de setembro, às 15h30, teremos mais uma roda de conversa virtual pelo Google Meet.

Nosso encontro será inspirado no capítulo “O Urso da Meia-Lua”, de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

Vamos conversar sobre raiva, limites, instinto, feridas emocionais, transformação e perdão, procurando compreender as metáforas e símbolos que Clarissa utiliza ao longo desse capítulo tão profundo.

Mais do que entender o texto, a proposta é trazer essas reflexões para a nossa própria história:

O que a nossa raiva tenta nos mostrar?
Onde precisamos colocar limites?
O que ainda carregamos do passado?
E o que já pode ser transformado e deixado descansar?

Será um encontro de escuta, reflexão, troca e autoconhecimento.

📅 19 de setembro
🕞 15h30
💻 Roda virtual pelo Google Meet- chame no whatsApp para se inscrever!

Prepare seu cantinho, seu café ou chá e venha participar conosco.

Espero você!

🌿 Com carinho,

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