segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Dia das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida - 12 de Outubro!


 

12 de outubro carrega duas imagens muito fortes para nós: Nossa Senhora Aparecida 

e as crianças.

Uma nos lembra de amparo, proteção, fé e cuidado.
A outra nos lembra de uma parte de nós que, mesmo depois de adultas, continua precisando ser vista, acolhida e protegida.

Quando somos crianças, dependemos dos adultos para compreender o mundo, estabelecer limites, sentir segurança e aprender que nossas emoções têm lugar.

Mas crescemos.

E chega um momento em que parte desse cuidado precisa começar a vir de nós mesmas.

Talvez cuidar da nossa criança interior não seja voltar ao passado nem permanecer presas a ele.

Talvez seja poder dizer hoje:

“Eu vejo o que você sentiu.”
“Eu entendo por que aquilo doeu.”
“Você não precisa mais aceitar tudo para ser amada.”
“Agora eu posso cuidar de você.”

Há uma diferença profunda entre viver como uma criança ferida esperando que alguém finalmente venha nos salvar e tornar-se a mulher adulta capaz de oferecer proteção àquela criança que um dia fomos.

Isso também é amadurecimento.

É aprender a colocar limites.

Escolher melhor onde permanecer.

Reconhecer nossas necessidades.

Permitir alegria.

Brincar novamente.

Criar.

Descansar.

E recuperar partes nossas que talvez tenham precisado crescer cedo demais.

Neste 12 de outubro, além de celebrarmos o Dia das crianças que fazem parte da nossa vida, talvez possamos fazer uma pergunta simples:

Como tenho tratado a criança que ainda existe dentro de mim?

Com cobrança?

Com vergonha?

Com impaciência?

Ou com o cuidado que eu gostaria que ela tivesse recebido?

E, para quem encontra em Nossa Senhora Aparecida uma expressão de fé, que este também possa ser um dia de lembrar do colo, da proteção e da esperança.

Porque algumas partes de nós crescem.

Outras continuam precisando ouvir:

“Você está segura. Eu estou aqui.”

Para refletir

Se você pudesse encontrar hoje a menina que um dia foi, o que gostaria de dizer a ela?

Eu fecharia o post com:

“Que a mulher que somos hoje saiba cuidar da menina que ainda vive em nós.”

🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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domingo, 11 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!


A macieira florida: o que em nós ainda precisa de tempo para amadurecer?

Em A Donzela sem Mãos, Clarissa Pinkola Estés apresenta a macieira florida como muito mais do que uma árvore do conto.

Ela representa um aspecto profundo da vida feminina.

A macieira tem raízes, flores, frutos, estações. Passa pelo inverno, volta à primavera, floresce, amadurece.

E é justamente por isso que ela se torna uma imagem tão poderosa para falar da nossa própria vida interior. 

Nem tudo o que parece pronto está maduro!

Clarissa lembra que, no fim da primavera, a maçã já pode estar bonita, redonda e com aparência de madura.

Mas ainda está ácida.

Só mais tarde, depois de atravessar seu tempo de maturação, ela se torna doce. 

Essa imagem nos traz uma reflexão importante:

aparência de maturidade não é a mesma coisa que maturidade interior.

Podemos parecer prontas.

Podemos cumprir responsabilidades, trabalhar, cuidar de pessoas, tomar decisões, sustentar uma casa, ocupar lugares importantes.

E ainda assim existem partes de nós que continuam em processo de amadurecimento.

Isso não significa fracasso.

Significa que algumas coisas simplesmente precisam de tempo.

Criar raízes!

Clarissa diz que a macieira e a donzela são símbolos intercambiáveis do Self feminino.

O fruto representa a maturação do conhecimento desse Self.

Mas esse conhecimento não nasce pronto.

As raízes precisam procurar seu chão. As estações precisam passar. O amadurecimento precisa acontecer. 

Talvez por isso algumas respostas sobre nós mesmas demorem tanto.

Quem sou eu?

O que realmente quero?

O que não aceito mais?

O que preciso proteger?

O que estou tentando construir?

Às vezes, essas respostas não aparecem porque ainda estamos criando raízes.

E raízes crescem no subterrâneo.

Nem sempre são visíveis.

Há crescimento que ninguém vê!

Uma árvore pode parecer parada durante o inverno.

Mas isso não significa que esteja morta.

Clarissa usa a imagem da mulher-árvore justamente para falar de uma energia de florescimento que chega em ciclos.

Existe inverno psíquico.

Existe primavera psíquica.

Existem períodos em que algo em nós floresce intensamente e outros em que precisamos recolher, aprofundar, reorganizar. 

Talvez um dos erros que cometemos seja esperar de nós mesmas uma primavera permanente.

Queremos estar sempre produtivas.

Criativas.

Animadas.

Cheias de respostas.

Mas a natureza não funciona assim.

E talvez nós também não.

A macieira também fala de criatividade!

Clarissa associa a árvore à fecundidade, ao impulso criador e ao amadurecimento das ideias.

Ou seja: florescer não significa apenas estar bem.

Também significa criar.

Dar forma.

Produzir algo que antes existia apenas como possibilidade. 

Pode ser um projeto.

Uma escolha.

Uma nova forma de viver.

Uma mudança de direção.

Uma ideia.

Uma expressão artística.

Ou até uma versão de nós mesmas que ainda está começando a existir.

O perigo de não reconhecer o próprio valor!

Há um momento particularmente forte no conto.

O pai acredita estar entregando apenas a macieira e diz:

“Claro que podemos plantar outra.”

Mas Clarissa mostra que essa fala representa uma profunda desvalorização.

A psique ainda não reconhece o valor daquela árvore.

Não reconhece tudo aquilo que ela representa: criatividade, potencial, vida selvagem, amadurecimento, profundidade.

O jovem Self é entregue antes que seu verdadeiro valor seja compreendido. 

E talvez isso também aconteça conosco.

Às vezes só percebemos o valor de uma parte de nós depois que já a abandonamos.

Uma vocação.

Uma liberdade.

Uma criatividade.

Um limite.

Uma forma de viver.

Um desejo antigo.

Uma necessidade legítima.

Talvez tenhamos pensado:

“Depois eu recupero.”

“Isso não é tão importante.”

“Posso abrir mão disso.”

“Dá para plantar outra.”

E só depois percebemos que não era algo pequeno.

Era uma parte importante da nossa vida.

A macieira florida é nossa vida profunda!

Clarissa resume toda essa imagem em uma frase:

“A macieira florida é nossa vida profunda.” 

Talvez seja por isso que essa árvore nos toca tanto.

Ela nos lembra de algo que o mundo externo nem sempre consegue medir.

Existe uma vida acontecendo dentro de nós.

Existem raízes crescendo.

Ideias amadurecendo.

Instintos se tornando mais claros.

Partes antigas morrendo.

Outras começando a florescer.

E nem tudo precisa estar pronto agora.

Algumas coisas precisam apenas de tempo, profundidade e cuidado.

Talvez a pergunta seja:

Que parte da sua vida profunda está florescendo hoje?

E outra, talvez ainda mais importante:

O que em você ainda precisa de raízes, tempo e proteção antes de poder dar frutos?


Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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sábado, 10 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!

 


Quando o moinho para: você está vivendo ou apenas acumulando experiências?

Em A Donzela sem Mãos, no capítulo 14 de Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés apresenta uma imagem aparentemente simples: um moinho que não está funcionando.

Mas, na interpretação dela, esse moinho representa uma função importante da nossa psique.

Um moinho recebe o grão, tritura, transforma e produz algo que pode nos alimentar.

Clarissa propõe que fazemos algo parecido internamente.

Todos os dias recebemos uma enorme quantidade de “matéria-prima”: experiências, sentimentos, pensamentos, desejos, frustrações, percepções, conversas, perdas e escolhas.

Mas viver uma experiência não significa automaticamente compreendê-la.

É preciso processá-la.

Segundo Clarissa, essa função psíquica seleciona aquilo que aprendemos, ouvimos, desejamos e sentimos e procura transformar esse material em algo que possa nos nutrir. É como se internamente perguntássemos:

“O que faço com tudo isso que estou vivendo?” 

Quando o moinho está funcionando!

Quando conseguimos elaborar aquilo que vivemos, uma experiência não permanece apenas como acontecimento.

Ela pode se transformar em conhecimento.

Uma decepção pode nos ensinar alguma coisa sobre limites.

Uma relação pode nos mostrar algo sobre nossas necessidades.

Um erro pode revelar um padrão.

Uma fase difícil pode nos obrigar a rever prioridades.

Uma ideia pode se transformar em projeto.

Um sentimento pode finalmente ganhar nome.

Isso não significa que toda experiência precise trazer uma “lição positiva”.

Significa apenas que conseguimos pensar sobre aquilo que nos acontece, em vez de simplesmente sermos atravessadas por acontecimentos sucessivos.

É essa transformação da matéria-prima em algo utilizável que Clarissa associa ao moinho. 

Mas e quando o moinho para?

No conto, o moinho está parado.

E Clarissa é muito direta sobre o significado dessa imagem: a matéria-prima continua entrando na vida, mas não está sendo suficientemente processada.

As coisas acontecem.

A pessoa sente.

Vive.

Trabalha.

Cuida dos outros.

Resolve problemas.

Começa e termina dias.

Mas pode não estar conseguindo chegar ao âmago daquilo que está vivendo.

Clarissa relaciona esse estado também à estagnação da vida criativa. O moinho silenciado representa uma psique que já não está sendo suficientemente alimentada por ideias, compreensão e inventividade. 

Talvez seja possível passar muito tempo assim.

Funcionando.

Mas não necessariamente elaborando.

O piloto automático!

Essa imagem me faz pensar em algo muito comum hoje: o piloto automático.

A pessoa acorda, trabalha, cuida da casa, responde mensagens, resolve demandas, atende pessoas, cumpre compromissos, chega ao fim do dia cansada e, no dia seguinte, começa tudo de novo.

Existe muito movimento.

Mas pouco espaço interno.

E talvez seja exatamente aí que precisamos fazer uma distinção:

estar ocupada não significa necessariamente estar em movimento psíquico.

Podemos fazer dezenas de coisas por dia e continuar repetindo internamente as mesmas respostas, os mesmos padrões e as mesmas escolhas.

O moinho pode estar cercado de atividade e, ainda assim, permanecer parado.

Quando não processamos aquilo que vivemos!

Algumas experiências precisam de tempo para serem compreendidas.

Às vezes sentimos primeiro e entendemos muito depois.

Outras vezes percebemos que alguma coisa nos incomoda, mas ainda não sabemos explicar o quê.

Podemos também viver durante anos dentro de uma situação antes de conseguirmos enxergá-la de outra forma.

Isso não significa falta de inteligência.

Há conhecimentos que só amadurecem quando conseguimos olhar novamente para aquilo que vivemos.

O problema aparece quando não existe espaço algum para esse processamento.

Quando tudo precisa ser imediatamente abafado, resolvido, esquecido ou substituído por outra tarefa.

Nesse caso, acumulamos experiências, mas talvez elas não estejam se transformando em conhecimento sobre nós mesmas.

“Como posso fazer o melhor uso disso?”

Há uma pergunta no texto de Clarissa que considero particularmente importante.

Ao explicar o processamento psíquico, ela pergunta:

“Como posso fazer o melhor uso disso?”

“Como faço para transformar tudo em algo positivo?”

Muito menos:

“Como justifico aquilo que me aconteceu?”

A pergunta pode ser muito mais simples.

O que isso revelou para mim?

Talvez eu tenha percebido um limite.

Talvez tenha descoberto algo que não quero mais.

Talvez tenha reconhecido uma necessidade que vinha ignorando.

Talvez ainda não saiba o que fazer — mas agora consigo enxergar melhor o que está acontecendo.

Às vezes, isso já é o moinho voltando a girar.

O moinho e a criatividade!

Clarissa também liga a moagem do grão ao impulso criativo.

Quando o moinho está silenciado, não é apenas a capacidade de entender a própria experiência que pode diminuir.

A criatividade também pode ficar estagnada.

E criatividade aqui não precisa significar pintar, escrever ou produzir arte.

Pode ser a capacidade de imaginar uma saída.

Pensar numa alternativa.

Criar um projeto.

Modificar uma rotina.

Experimentar outra forma de se relacionar.

Perguntar:

“E se eu fizer diferente?”

Quando estamos profundamente entorpecidas, até essa pergunta pode desaparecer.

Como fazer o moinho voltar a funcionar?

Clarissa não apresenta nesse trecho uma receita prática fechada. A imagem é simbólica.

Mas podemos levar essa metáfora para nossa vida.

Às vezes o moinho começa a se mover quando encontramos espaço para pensar sem precisar responder imediatamente a ninguém.

Quando escrevemos sobre aquilo que estamos sentindo.

Quando conversamos com alguém capaz de realmente nos escutar.

Quando fazemos terapia.

Quando estudamos algo que nos ajuda a nomear uma experiência.

Quando criamos.

Quando percebemos um padrão que antes repetíamos automaticamente.

Ou simplesmente quando conseguimos formular uma pergunta nova sobre uma situação antiga.

O importante não é produzir respostas rapidamente.

Talvez seja voltar a permitir que aquilo que vivemos seja elaborado dentro de nós.

Talvez você não esteja sem conteúdo. Talvez o moinho esteja parado.

Essa é uma diferença importante.

Às vezes pensamos:

“Não tenho ideias.”

“Não sei o que quero.”

“Não consigo decidir.”

“Parece que não sinto mais entusiasmo por nada.”

Mas talvez exista muita matéria-prima acumulada.

Experiências.

Desejos.

Incômodos.

Percepções.

Coisas não ditas.

Ideias que nunca receberam tempo suficiente para amadurecer.

O problema pode não ser ausência de grãos.

Pode ser que o moinho esteja precisando voltar a funcionar.

E talvez a pergunta não seja apenas:

“O que está acontecendo na minha vida?”

Mas também:

“O que estou fazendo internamente com tudo aquilo que está acontecendo comigo?”

Porque viver produz matéria-prima.

Mas é a elaboração que pode transformar parte dessa matéria em conhecimento.

E, às vezes, voltar a ouvir o movimento do próprio moinho é também começar a voltar para si.

Para refletir!

Há alguma experiência recente que você viveu, mas sente que ainda não conseguiu realmente processar?

Seu moinho está sem grãos — ou existem muitas coisas dentro de você esperando tempo para serem transformadas?

O que poderia ajudá-la hoje a sair um pouco do piloto automático e voltar a escutar aquilo que está acontecendo dentro de si?

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!


 

Nem tudo que nos fortalece precisava ter acontecido!

Depois de atravessar uma experiência difícil, é comum ouvir frases como:

“Foi bom que aconteceu.”
“Deus quis assim.”
“Você precisava passar por isso para ficar mais forte.”

Às vezes essas frases são ditas com a intenção de consolar.

Mas existe uma diferença importante entre reconhecer que uma pessoa desenvolveu força depois de uma experiência e concluir que aquela experiência precisava ter acontecido.

No capítulo 14 de Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés faz uma ressalva muito clara ao falar sobre resistência. Ela explica que o fato de alguém se fortalecer depois de uma experiência não torna aceitável o mal que lhe foi feito.

Essa diferença parece simples, mas muda muita coisa.

Fortalecer-se depois não transforma a dor em algo bom!

Uma pessoa pode desenvolver limites depois de ter sido invadida.

Pode aprender a se posicionar depois de ter sido silenciada.

Pode encontrar autonomia depois de ter vivido uma relação em que perdeu espaço.

Pode reconstruir a própria vida depois de uma perda.

Tudo isso é real.

Mas nada disso significa que a invasão, o silenciamento, a relação destrutiva ou a perda tenham sido necessários.

Podemos reconhecer o que nasceu depois sem transformar aquilo que aconteceu antes em uma bênção.

Resistência não é romantização do sofrimento!

Clarissa usa a palavra resistência de um modo mais amplo do que simplesmente “aguentar”.

Para ela, resistir também envolve tornar-se mais firme, fortalecer-se e desenvolver recursos ao longo da travessia. Ela escreve que “não continuamos só por continuar” e que a resistência indica que algo está sendo criado.

Isso não significa:

“Quanto mais eu sofrer, mais forte vou ficar.”

Nem:

“Se eu fiquei mais forte, então aquilo foi bom para mim.”

A questão é outra.

É perguntar:

“Diante do que aconteceu, o que eu precisei desenvolver para continuar?”

Talvez tenha sido coragem.

Talvez discernimento.

Talvez limite.

Talvez capacidade de pedir ajuda.

Talvez a decisão de não aceitar novamente aquilo que um dia pareceu normal.

Dar sentido não é justificar!

Existe também uma diferença entre encontrar um sentido pessoal depois de uma experiência e dizer que ela aconteceu por um motivo determinado.

Uma pessoa pode olhar para trás e pensar:

“Depois disso, passei a perceber melhor meus limites.”

Ou:

“Aquilo mudou a forma como eu me relaciono.”

Ou ainda:

“Descobri forças em mim que eu não conhecia.”

Essas são formas de elaboração.

Mas são diferentes de afirmar:

“Isso precisava acontecer comigo.”

Nem sempre precisamos transformar a dor em destino para conseguir integrá-la à nossa história.

“Deus quis assim”

Essa frase merece cuidado especial porque, para algumas pessoas, a fé é uma fonte profunda de apoio.

Mas quando ela é usada de fora para explicar o sofrimento de alguém, pode produzir o efeito contrário.

Em vez de acolher a dor, pode encerrá-la rapidamente.

Em vez de permitir perguntas, pode sugerir que questionar aquilo seria errado.

Cada pessoa pode construir sua própria leitura espiritual sobre o que viveu. Isso é diferente de alguém determinar para ela que uma violência, uma perda ou uma injustiça “foi vontade de Deus”.

Nesse caso, talvez uma postura mais cuidadosa seja simplesmente reconhecer:

“Isso aconteceu. Foi difícil. E você precisou encontrar maneiras de continuar.”

O que pode surgir depois da ferida!

Talvez a pergunta mais útil não seja:

“Por que isso precisava acontecer?”

Mas:

“O que eu precisei aprender, proteger ou reconstruir depois disso?”

Essa mudança de pergunta retira a obrigação de transformar sofrimento em algo bom.

E, ao mesmo tempo, reconhece a capacidade humana de reconstrução.

Por isso, resumindo:

Não estamos glorificando a ferida. Estamos olhando para os recursos que podem surgir na pessoa que precisa continuar depois dela.

Isso preserva as duas verdades ao mesmo tempo:

aquilo pode ter sido injusto, doloroso ou desnecessário — e ainda assim algo pode ter sido construído depois.

Para refletir!

Você já ouviu alguma frase sobre uma experiência dolorosa que, mesmo dita com boa intenção, pareceu diminuir aquilo que você viveu?

E olhando para sua própria história:

o que você desenvolveu depois de uma experiência difícil sem precisar dizer que ela “foi boa” ou “precisava acontecer”?

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!

 

Algumas histórias não apenas nos contam algo. Elas despertam algo em nós!

No capítulo 14 de Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés diz que, ao ouvirmos uma história, podemos ficar “impregnadas de conhecimento”.

Ela não está falando de conhecimento no sentido de decorar uma informação ou aprender uma regra.

Está falando de um conhecimento que pode chegar pela imagem, pela emoção, pela identificação e pelo reconhecimento.

Quando realmente entramos em um conto, não ficamos apenas observando o que acontece com a personagem. Nós imaginamos a cena, acompanhamos o medo, a tensão, a perda, a esperança, a coragem. Por alguns momentos, aquela experiência simbólica também se movimenta dentro de nós. É nesse sentido que Clarissa aproxima o efeito dos contos da chamada “participação mística”: entramos temporariamente em outra realidade e depois retornamos trazendo alguma coisa dela.

E talvez seja justamente por isso que algumas histórias nos atingem de um jeito tão particular.

Às vezes, uma história confirma algo!

Podemos ouvir um conto e pensar:

“Era exatamente isso que eu sentia, mas nunca consegui explicar.”

A história dá forma a algo que já existia dentro de nós.

Ela não cria necessariamente aquele sentimento. Muitas vezes, apenas o torna visível.

Uma personagem que permanece tempo demais numa situação que lhe faz mal pode nos fazer reconhecer algo parecido na nossa própria vida.

Uma personagem que finalmente diz “não” pode confirmar uma necessidade de limite que já vinha sendo sentida.

Uma personagem que parte sem saber exatamente para onde vai pode tocar alguém que também está vivendo uma transição.

Nesse caso, a história funciona como uma espécie de confirmação interna.

Em outros momentos, ela funciona como alerta!

Também podemos ouvir uma história e perceber algo que ainda não estávamos vendo.

Talvez um padrão repetitivo.

Uma escolha feita sempre pelo mesmo motivo.

Uma relação em que estamos cedendo demais.

Uma situação que parecia normal, mas começa a ser percebida de outro modo.

O conto não precisa dizer diretamente:

“Faça isso” ou “não faça aquilo”.

A própria trajetória da personagem pode provocar uma pergunta:

“Será que alguma coisa parecida está acontecendo comigo?”

Esse é um dos modos pelos quais uma história pode servir como alerta.

E, às vezes, ela oferece uma nova forma de compreender

Há experiências que já reconhecemos, mas ainda não sabemos como interpretar.

Uma história pode apresentar outro ângulo.

Pode mostrar que uma fase de desorientação não significa necessariamente fracasso.

Que pedir ajuda não significa fraqueza.

Que sair de uma situação conhecida não significa já saber exatamente qual será o próximo caminho.

Ou que uma perda pode modificar profundamente alguém sem significar que aquela pessoa deixou de existir.

Nesse caso, o conto não confirma apenas algo que já sabemos e também não funciona apenas como alerta.

Ele amplia nossa maneira de compreender uma experiência.

É por isso que Clarissa dá tanta importância às histórias!

Desde a introdução do livro, Clarissa chama as histórias de “bálsamos medicinais”.

Ela diz que elas despertam interesse, tristeza, perguntas, anseios e compreensões. Também afirma que existem, dentro das histórias, “instruções” capazes de nos orientar diante das complexidades da vida.

Mas isso não significa que todo conto tenha uma moral pronta.

Nem que exista uma interpretação única.

A mesma história pode tocar pessoas diferentes de maneiras completamente diferentes.

Uma pessoa pode se identificar com a perda.

Outra com a decisão de partir.

Outra com a espera.

Outra com a ajuda que chega.

Outra com a necessidade de recuperar a própria autonomia.

A história é a mesma, mas quem a recebe não é.

Talvez seja por isso que Clarissa use a imagem da semente e do solo.

O conto traz uma possibilidade.

Mas aquilo que germina depende também da história de quem escuta.

O conhecimento que chega antes da explicação!

Às vezes terminamos uma história sem saber exatamente por que ela nos tocou.

Alguma imagem fica.

Alguma frase incomoda.

Alguma personagem continua voltando à memória.

E só depois conseguimos compreender:

“Isso me lembrou algo que eu vivi.”

“Isso mostrou uma coisa que eu não estava querendo ver.”

“Isso me ajudou a entender melhor o que estou passando.”

Talvez seja isso que Clarissa queira dizer quando fala em ficarmos “impregnadas de conhecimento”.

Nem todo aprendizado chega primeiro pela razão.

Alguns chegam pela experiência simbólica.

Para refletir!

Você já ouviu ou leu uma história que parecia confirmar algo que você já sentia?

Alguma história já funcionou como alerta para uma situação da sua vida?

Ou já aconteceu de um conto lhe oferecer uma forma completamente nova de compreender algo que você estava vivendo?

Talvez algumas histórias permaneçam conosco justamente porque não vieram apenas para ser entendidas.

Vieram para nos ajudar a enxergar.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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