quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - A Fome Que Não é de Comida!

 

A fome que não é de comida!

Há momentos em que aparentemente não falta nada.

Continuamos trabalhando, cuidando da casa, conversando com as pessoas, cumprindo compromissos, fazendo planos.

A vida segue.

E, ainda assim, alguma coisa dentro de nós continua com fome.

Não é uma fome que se resolve com comida.

É uma fome difícil até de explicar.

Fome de sentido.

Fome de afeto.

Fome de silêncio.

Fome de liberdade.

Fome de criação.

Fome de ser vista de verdade.

Fome de uma vida que combine mais com aquilo que estamos nos tornando.

Essa imagem aparece de uma maneira muito bonita em A Donzela sem Mãos, de Clarissa Pinkola Estés.

Durante sua perambulação, a Donzela chega faminta a um pomar.

Mas existe um problema: ela não tem mãos.

O alimento está diante dela, mas ela não consegue simplesmente estender os braços e colher o fruto.

Então acontece algo extraordinário:

a pereira se curva até ela.

Dessa vez, ela não conquista o alimento.

Ela o recebe.

Clarissa compara essa imagem à mãe que oferece o seio ao bebê.

E acho essa comparação muito profunda, principalmente para nós, mulheres.

Porque muitas de nós fomos ensinadas a oferecer.

Cuidar.

Resolver.

Sustentar.

Trabalhar.

Organizar.

Acolher.

Estar disponíveis.

Mas nem sempre aprendemos com a mesma facilidade a receber.

Receber cuidado.

Receber ajuda.

Receber descanso.

Receber carinho.

Receber uma oportunidade.

Receber sem sentir que precisamos imediatamente devolver alguma coisa.

A Donzela está numa fase da vida em que já fez muito esforço.

Já sofreu.

Já perdeu.

Já caminhou.

E agora a história parece dizer:

nem tudo precisa ser conquistado pela força.

Há momentos em que também precisamos permitir que alguma coisa nos alimente.

Isso não significa esperar passivamente que a vida resolva nossos problemas.

A Donzela continua caminhando.

Mas existe uma diferença entre caminhar e acreditar que precisamos fazer toda a travessia sozinhas.

Talvez uma das formas mais profundas de amadurecimento seja justamente aprender a reconhecer o alimento quando ele aparece.

Às vezes ele vem através de uma pessoa.

Uma conversa.

Uma amizade.

Um livro.

Uma terapia.

Uma oportunidade inesperada.

Um momento de silêncio.

Uma ideia.

Uma pequena coragem que surge exatamente quando pensávamos não ter mais nenhuma.

Pode parecer pouco.

Mas talvez seja aquilo de que precisamos para continuar.

E então Clarissa traz outra imagem que amplia ainda mais essa reflexão.

Ela lembra a saudação de Isabel a Maria:

“Bendito o fruto do teu ventre.”

Aqui surge a imagem de algo que está sendo gestado.

Algo ainda não nasceu, mas já existe.

E foi aí que comecei a pensar:

Talvez algumas das nossas fomes apareçam porque existe alguma coisa dentro de nós tentando nascer.

Talvez a mulher que fomos durante muitos anos já não consiga alimentar aquilo que estamos nos tornando.

Por isso certas coisas começam a perder o sabor.

Uma conquista que antes parecia tão importante já não satisfaz.

A aprovação das pessoas deixa de ser suficiente.

Uma relação que ocupava tanto espaço já não nutre.

Um trabalho que dava segurança começa a parecer vazio.

Um antigo sonho já não provoca entusiasmo.

E podemos interpretar isso como ingratidão.

Confusão.

Insatisfação.

Mas talvez seja outra coisa.

Talvez exista um novo fruto amadurecendo dentro de nós.

Uma nova identidade.

Um desejo.

Uma escolha.

Um projeto.

Uma criatividade.

Uma voz que ficou muito tempo calada.

Uma maneira diferente de viver.

E se existe algo sendo gestado, ele precisa de alimento.

Talvez por isso a pergunta não seja apenas:

“O que está faltando na minha vida?”

Talvez seja:

“O que está crescendo dentro de mim e precisa ser alimentado?”

Essa mudança de pergunta faz diferença.

Porque podemos passar anos tentando preencher uma fome nova com alimentos antigos.

Mais trabalho.

Mais reconhecimento.

Mais consumo.

Mais aprovação.

Mais esforço.

Mais uma tentativa de fazer aquela relação funcionar.

Mais uma tentativa de caber num lugar que já ficou pequeno.

Mas há fomes que não pedem mais quantidade.

Pedem outro tipo de alimento.

Clarissa traz ainda a imagem do maná no deserto.

E gosto muito dela porque o maná não entrega o destino inteiro.

Ele apenas alimenta o suficiente para continuar.

Talvez a vida também funcione assim em algumas fases.

Não recebemos imediatamente a resposta completa.

Recebemos aquilo de que precisamos para o próximo trecho.

Uma percepção.

Um encontro.

Um limite.

Uma coragem.

Um não.

Um sim.

Um pequeno movimento.

E vamos seguindo.

Talvez este seja um bom momento para perguntar:

Do que eu estou realmente com fome?

E, mais profundamente:

O que dentro de mim está tentando nascer e precisa ser alimentado?

Nem toda fome é sinal de vazio.

Às vezes, ela é o primeiro sinal de que uma nova vida interior começou a pedir espaço.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 14h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
14h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

#mulheresquecorremcomoslobos #clarissapinkolaestés #capitulo13 #Autoconhecimento #Relacionamentos #CuraEmocional #LibertaçãoEmocional  #Reflexão #Ressignificação #BethCastrotaróloga #literaturaemocional #rodademulheressabiasefortes #reflexão #bhtarot #bethcastroterapias #rodadeconversavirtual #rodavirtual #rodademulheres #mulherajudamulher #mulherinteligente #forçafeminina #psicologiaarquetípica #vivênciastransformadoras #mulherselvagem #desapego #encerramentodeciclo #espiritualidade #pazinterior # #ProcessosDeCura #SabedoriaFeminina #Limites #Transformação   #rodaterapêutica  #saúdeemocional #psicologiafeminina #curaemocional #femininoselvagem #mulheresquesecuram #históriasdemulheres #desenvolvimentopessoal    #MulheresEmProcesso  #FemininoSelvagem    #escutaempática #vozfeminina  #Psicologia  #Jung #MisticaDaParticipacao #LevyBruhl #Autoconhecimento  #InteligenciaEmocional #EscutaEmpatica #SaudeEmocional #PsiqueFeminina #FemininoSelvagem #MulherSelvagem #Simbolismo #Arquetipos #ContosQueCuram #HistoriasQueTransformam #Terapia  #Consciencia #BethCastro  #resistência #florestasubterrânea #laselvasubterrânea #coragem #discernimento #limite #adonzelasemãos  #vidainterior #processopsíquico #criatividade #intuição  #elaboraçãopsíquica #crescimentopessoal #terapiaintegrativa #leituraterapêutica #reflexão #moinhodaalma #macieiraflorida  #vidainterior #amadurecimento #crescimentopessoal #ciclosfemininos #raízes #self #desenvolvimentopessoal  #rodaterapêutica #leituraterapêutica #ragnarok #criançadepedra #contonuit #CSLewis #Maryculhame #mulherdebarro #deusasdobarro #nigredo #albedo #rubedo #arcanomorte #arcanoestrela #arcanolua  #almaquesabe #reiki #catlicue #dante #virgíliodedante #saiadeserpentes #divindadeasteca #travessia #mundointerior #aprendizado #autoconhecimento #pajemdecopas #fomedelalma

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - A Donzela Que Não Sabe A Força Que Tem!


A mulher que ainda não sabe a força que tem!


Tenho pensado muito na Donzela sem Mãos.

Talvez porque, quanto mais avançamos na história, mais percebemos que ela não é apenas aquela jovem frágil que aparece no começo do conto.

Clarissa diz que por baixo daquela aparência existe uma heroína-guerreira.

Só que, no início, a própria Donzela ainda não sabe disso.

E quantas vezes isso acontece conosco?

Às vezes passamos anos sem saber a força que temos simplesmente porque ainda não precisamos encontrá-la.

Vivemos, confiamos, amamos, acreditamos nas pessoas, fazemos planos.

Até que alguma coisa acontece.

Uma traição.

Uma perda.

Um relacionamento que revela uma face que não conhecíamos.

Uma violência.

Uma separação.

Uma família que decide demais por nós.

Um grupo onde fazemos de tudo para pertencer, mas nunca somos verdadeiramente acolhidas.

Ou simplesmente aquele momento em que olhamos para nossa vida e percebemos:

“Eu não quero mais viver assim.”

A Donzela começa sua história inocente.

E eu não vejo essa inocência como ingenuidade ou falta de inteligência.

Há coisas que simplesmente não conseguimos saber antes de viver.

Podemos receber todos os conselhos do mundo e, ainda assim, certas verdades só se tornam nossas quando passam pela própria experiência.

Talvez por isso algumas descobertas sejam tão dolorosas.

Porque não descobrimos apenas alguma coisa sobre o outro.

Descobrimos também que a vida não funciona exatamente como acreditávamos.

É uma espécie de perda da inocência.

Depois disso não conseguimos simplesmente voltar para trás e fingir que não vimos.

No conto, a Donzela perde as mãos.

E para mim esse é um dos símbolos mais fortes de toda a história.

Porque existem momentos em que também nos sentimos assim.

Sem mãos.

Sabemos que precisamos tomar uma decisão, mas não conseguimos.

Sabemos que aquela relação não faz bem, mas continuamos.

Sabemos que determinado grupo não nos quer verdadeiramente, mas insistimos em ser aceitas.

Sabemos que precisamos colocar um limite, mas sentimos culpa.

Sabemos que poderíamos viver de outra maneira, mas alguma coisa dentro de nós ainda não consegue dar o primeiro passo.

É curioso porque, muitas vezes, olhando de fora, a mulher tem tudo.

Tem inteligência.

Tem trabalho.

Tem recursos.

Tem pessoas que poderiam ajudá-la.

Talvez tenha até consciência de tudo o que está acontecendo.

E mesmo assim não consegue sair.

Foi pensando nisso que compreendi melhor as mãos da Donzela.

Talvez não seja suficiente ter mãos.

É preciso sentir que podemos usá-las em favor de nós mesmas.

Existe uma diferença enorme entre ter recursos e sentir-se autorizada internamente a utilizá-los.

Porque medo, culpa, dependência emocional, necessidade de pertencimento, hábitos antigos e tantas outras coisas podem nos manter presas mesmo quando a porta parece estar aberta.

A Donzela, porém, não permanece para sempre naquele lugar.

Em determinado momento ela parte.

E gosto muito disso porque ela não parte sabendo para onde vai.

Ela simplesmente compreende que não consegue mais permanecer onde estava.

Quantas mudanças da nossa vida começam exatamente assim?

Não temos ainda um novo endereço interior.

Não sabemos qual será o próximo amor.

Não sabemos qual trabalho encontraremos.

Não sabemos quem continuará conosco.

Não sabemos nem exatamente quem seremos.

Mas sabemos:

“Aqui eu não posso mais ficar.”

Então caminhamos.

E pode existir muita solidão nesse caminho.

Porque quando começamos a mudar, nem sempre continuamos pertencendo aos mesmos lugares.

Algumas pessoas estranham.

Algumas relações se afastam.

Algumas conversas já não alimentam.

Aquilo que antes parecia suficiente deixa de ser.

A Donzela sente fome no caminho.

E talvez essa fome também seja nossa.

Fome de verdade.

Fome de uma relação em que não precisemos diminuir quem somos.

Fome de um trabalho que tenha sentido.

Fome de amizade verdadeira.

Fome de silêncio.

Fome de liberdade.

Fome de nós mesmas.

E aos poucos a vida começa a oferecer pequenas coisas.

Uma pessoa.

Uma oportunidade.

Uma percepção.

Uma coragem que aparece justamente quando achávamos que não conseguiríamos.

São nossas pequenas mãos de prata.

Não significam que estamos completamente reconstruídas.

Significam apenas que alguma coisa começou a funcionar novamente.

Talvez pela primeira vez consigamos dizer não.

Talvez consigamos sair.

Talvez paremos de correr atrás de quem nunca nos escolheu.

Talvez percebamos que não precisamos convencer ninguém do nosso valor.

Talvez consigamos pedir ajuda.

E cada pequeno movimento devolve alguma coisa.

Até que, no final da história, acontece algo que considero belíssimo:

as próprias mãos da Donzela voltam a crescer.

Não são mais as mãos de prata.

São as mãos dela.

Isso significa muito para mim.

Porque talvez a verdadeira reconstrução não aconteça quando alguém nos salva.

Ela acontece quando conseguimos novamente tocar nossa própria vida.

Escolher.

Criar.

Mudar.

Ir embora.

Ficar.

Dizer sim.

Dizer não.

E assumir as consequências dessas escolhas.

A Donzela do final não é a mesma jovem inocente do início.

Mas também não se tornou uma mulher endurecida.

Ela se tornou uma mulher que sabe.

Talvez seja isso que a vida esteja tentando nos ensinar em algumas das experiências mais difíceis.

Não necessariamente voltar a ser quem éramos antes.

Mas descobrir quem podemos nos tornar depois.

E talvez exista uma pergunta para levar conosco:

Em que parte da minha vida eu já tenho mãos, mas ainda não percebi que posso usá-las?

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 14h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
14h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos = O Que Fazer Com Aquilo Que Aprendeu? - Capítulo 14!



Do mundo interior à vida concreta: quando o autoconhecimento se transforma em escolha!

Há momentos em que compreender alguma coisa sobre nós mesmas já é uma grande conquista.

Finalmente enxergamos um padrão. Entendemos por que determinada situação se repete. Percebemos de onde vem um medo, uma necessidade, uma forma de nos relacionarmos. Reconhecemos o que nos machuca, o que desejamos, o que já não queremos mais.

E durante algum tempo essa compreensão parece suficiente.

Só que chega uma hora em que a vida nos faz uma pergunta um pouco mais difícil:

E agora que você sabe, o que vai fazer com aquilo que sabe?

No quarto estágio de A Donzela sem Mãos, encontro uma imagem muito bonita para esse momento.

A Donzela já atravessou muita coisa. Ela saiu da antiga vida, perdeu referências, entrou num território desconhecido, sentiu fome e começou a aprender uma nova forma de perceber a si mesma e o mundo.

Então aparece o Rei.

Mas gosto de olhar para esse Rei não simplesmente como um homem que encontra a Donzela.

Psicologicamente, ele pode representar aquela parte de nós que consegue pegar aquilo que aprendemos nas profundezas e levar para a vida concreta.

Porque há conhecimentos que podem permanecer durante anos dentro de nós sem realmente modificar nossa existência.

Podemos saber que precisamos colocar limites e continuar dizendo sim quando gostaríamos de dizer não.

Podemos perceber que determinada relação nos faz mal e permanecer repetindo a mesma dinâmica.

Podemos entender que vivemos tentando agradar e continuar organizando nossas escolhas a partir da aprovação dos outros.

Podemos reconhecer nosso cansaço e continuar tratando descanso como culpa.

Podemos dizer que queremos uma vida diferente e continuar tomando exatamente as mesmas decisões.

Não porque sejamos incoerentes.

Mas porque existe uma distância entre compreender uma verdade e conseguir viver de acordo com ela.

Talvez amadurecer seja justamente diminuir essa distância.

Chega um momento da travessia em que o conhecimento interior começa a pedir corpo.

Aquilo que percebemos precisa aparecer na agenda, nos relacionamentos, na maneira como trabalhamos, nos limites que estabelecemos, no dinheiro, no descanso, na forma como usamos nosso tempo e nas escolhas aparentemente pequenas do cotidiano.

A consciência começa a dizer:

“Se isso é verdade para você, então alguma coisa precisa mudar.”

E talvez essa seja uma das partes mais exigentes de qualquer processo de transformação.

Porque enquanto uma verdade existe apenas dentro de nós, ela ainda pode permanecer protegida no mundo das ideias.

Quando decidimos vivê-la, começamos a correr riscos.

Dizer não pode decepcionar alguém.

Mudar de direção pode causar insegurança.

Escolher a nós mesmas pode incomodar quem se beneficiava da nossa antiga forma de viver.

Assumir aquilo que desejamos pode nos obrigar a abrir mão de algo que já conhecemos.

E perceber que uma fase terminou não significa que seja fácil encerrá-la.

Por isso, transformar consciência em vida exige uma espécie de autoridade interna.

Não uma autoridade dura, controladora ou inflexível.

Mas aquela voz que começa a dizer:

“Eu preciso respeitar aquilo que já descobri sobre mim.”

Talvez essa seja uma das formas mais profundas de respeito próprio.

Não basta escutar nossa alma se todas as nossas escolhas continuam contradizendo aquilo que ela nos diz.

Com o tempo, começamos a perceber que determinadas mudanças não acontecem através de grandes rupturas.

Às vezes começam discretamente.

Numa conversa que finalmente temos.

Num limite que colocamos.

Num convite que recusamos.

Num projeto que começamos.

Numa situação da qual decidimos sair.

Numa tarde em que escolhemos descansar.

Na coragem de dizer: “isso não serve mais para mim”.

Ou simplesmente na decisão de parar de nos abandonar para manter alguma coisa funcionando.

É assim que o conhecimento começa a ganhar corpo.

Talvez por isso algumas transformações pareçam tão lentas.

Primeiro alguma coisa muda dentro.

Depois precisamos aprender a viver a partir dessa mudança.

E esse aprendizado pode levar tempo.

Não precisamos executar perfeitamente tudo aquilo que compreendemos.

Mas podemos começar a observar uma pergunta muito simples:

Minha vida está, aos poucos, ficando mais parecida com aquilo que eu já sei ser verdadeiro para mim?

Porque talvez exista um momento em toda travessia em que não precisamos de mais uma resposta.

Precisamos começar a honrar as respostas que já encontramos.

E talvez uma das formas mais bonitas de amadurecimento seja justamente esta:

quando aquilo que aprendemos por dentro começa, finalmente, a aparecer na vida que construímos por fora.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 14h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
14h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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