quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Marcas de Combate - Capítulo 13!

 


Dar nome ao que sentimos muda alguma coisa?

Às vezes sabemos que alguma coisa está errada, mas não conseguimos explicar exatamente o quê.

Sentimos um peso, uma angústia, uma irritação, uma tristeza que volta, um desconforto no corpo ou uma vontade de evitar determinados assuntos.

Mas ainda não conseguimos dizer:

“É isso que estou sentindo.”

No capítulo Marcas de Combate: A participação no Clã das Cicatrizes, Clarissa Pinkola Estés trabalha justamente com a passagem do que estava silenciado para aquilo que finalmente encontra voz.

No conto da Mulher dos Cabelos de Ouro, aquilo que estava enterrado continua vivo. Os cabelos crescem, atravessam a terra, transformam-se em juncos, depois em flautas e finalmente em canção.

A canção representa aquilo que antes não podia ser dito encontrando uma forma de expressão. É nesse movimento que Clarissa relaciona a descoberta da própria voz ao início da recuperação psíquica. 

Mas dar nome ao que sentimos não significa que a dor desapareça imediatamente.

Dizer:

“Eu estou com raiva.”

“Eu me senti rejeitada.”

“Aquilo me humilhou.”

“Eu ainda sinto falta.”

“Eu estava com medo.”

não resolve automaticamente aquilo que aconteceu.

Mas pode mudar nossa relação com a experiência.

Porque existe diferença entre sentir alguma coisa sem compreender o que está acontecendo e conseguir reconhecer:

“É isso que está acontecendo dentro de mim.”

Quando uma experiência começa a ganhar palavras, ela deixa de existir apenas como uma sensação confusa.

Podemos observá-la.

Pensar sobre ela.

Perceber de onde veio.

Decidir o que fazer com ela.

E, se quisermos, compartilhá-la com alguém capaz de nos ouvir.

No seu roteiro do capítulo, essa ideia aparece de maneira muito clara: aquilo que estava escondido começa a poder ser visto, nomeado e compreendido, seja numa terapia, numa conversa com alguém de confiança, através da escrita ou em outra forma segura de expressão. 

Talvez por isso algumas pessoas digam:

“Eu nem sabia que sentia isso até começar a falar.”

Não porque o sentimento tenha surgido naquele momento.

Ele já estava ali.

O que surgiu foi uma forma de reconhecê-lo.

E reconhecer não significa concordar com tudo o que sentimos.

Podemos sentir raiva e escolher não agir movidas por ela.

Podemos sentir culpa e perceber depois que aquela culpa nem nos pertence.

Podemos sentir vergonha e descobrir que ela nasceu muito mais do julgamento dos outros do que de um erro nosso.

Podemos sentir tristeza e entender que aquilo é parte de um luto que ainda precisa de cuidado.

Dar nome cria uma pequena distância entre:

“Eu sou isso”

e

“Eu estou sentindo isso.”

E essa diferença pode ser importante.

Porque talvez a emoção deixe de ocupar todo o espaço e passe a ser algo que podemos observar, compreender e cuidar.

Clarissa não propõe simplesmente “fale e tudo ficará bem”.

O movimento é mais profundo:

aquilo que estava enterrado encontra voz, aquilo que encontra voz pode ser reconhecido, e aquilo que pode ser reconhecido começa a ter a possibilidade de ser elaborado. 

Então talvez a pergunta não seja apenas:

“Dar nome ao que sentimos muda alguma coisa?”

Talvez seja também:

“O que dentro de mim ainda está procurando palavras?”

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 3 de outubro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o capítulo 13:

Marcas de Combate: A participação no Clã das Cicatrizes.

Vamos refletir sobre os segredos que carregamos, a vergonha, as feridas, a importância de encontrar voz para aquilo que ficou silenciado e o significado das cicatrizes que fazem parte da nossa história.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

03 de outubro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp.

Talvez algumas lágrimas não venham para nos afundar. Talvez venham justamente para colocar novamente em movimento aquilo que, dentro de nós, estava parado.

 🌿 Com carinho,

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