terça-feira, 3 de novembro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos = O Que Fazer Com Aquilo Que Aprendeu? - Capítulo 14!



Do mundo interior à vida concreta: quando o autoconhecimento se transforma em escolha!

Há momentos em que compreender alguma coisa sobre nós mesmas já é uma grande conquista.

Finalmente enxergamos um padrão. Entendemos por que determinada situação se repete. Percebemos de onde vem um medo, uma necessidade, uma forma de nos relacionarmos. Reconhecemos o que nos machuca, o que desejamos, o que já não queremos mais.

E durante algum tempo essa compreensão parece suficiente.

Só que chega uma hora em que a vida nos faz uma pergunta um pouco mais difícil:

E agora que você sabe, o que vai fazer com aquilo que sabe?

No quarto estágio de A Donzela sem Mãos, encontro uma imagem muito bonita para esse momento.

A Donzela já atravessou muita coisa. Ela saiu da antiga vida, perdeu referências, entrou num território desconhecido, sentiu fome e começou a aprender uma nova forma de perceber a si mesma e o mundo.

Então aparece o Rei.

Mas gosto de olhar para esse Rei não simplesmente como um homem que encontra a Donzela.

Psicologicamente, ele pode representar aquela parte de nós que consegue pegar aquilo que aprendemos nas profundezas e levar para a vida concreta.

Porque há conhecimentos que podem permanecer durante anos dentro de nós sem realmente modificar nossa existência.

Podemos saber que precisamos colocar limites e continuar dizendo sim quando gostaríamos de dizer não.

Podemos perceber que determinada relação nos faz mal e permanecer repetindo a mesma dinâmica.

Podemos entender que vivemos tentando agradar e continuar organizando nossas escolhas a partir da aprovação dos outros.

Podemos reconhecer nosso cansaço e continuar tratando descanso como culpa.

Podemos dizer que queremos uma vida diferente e continuar tomando exatamente as mesmas decisões.

Não porque sejamos incoerentes.

Mas porque existe uma distância entre compreender uma verdade e conseguir viver de acordo com ela.

Talvez amadurecer seja justamente diminuir essa distância.

Chega um momento da travessia em que o conhecimento interior começa a pedir corpo.

Aquilo que percebemos precisa aparecer na agenda, nos relacionamentos, na maneira como trabalhamos, nos limites que estabelecemos, no dinheiro, no descanso, na forma como usamos nosso tempo e nas escolhas aparentemente pequenas do cotidiano.

A consciência começa a dizer:

“Se isso é verdade para você, então alguma coisa precisa mudar.”

E talvez essa seja uma das partes mais exigentes de qualquer processo de transformação.

Porque enquanto uma verdade existe apenas dentro de nós, ela ainda pode permanecer protegida no mundo das ideias.

Quando decidimos vivê-la, começamos a correr riscos.

Dizer não pode decepcionar alguém.

Mudar de direção pode causar insegurança.

Escolher a nós mesmas pode incomodar quem se beneficiava da nossa antiga forma de viver.

Assumir aquilo que desejamos pode nos obrigar a abrir mão de algo que já conhecemos.

E perceber que uma fase terminou não significa que seja fácil encerrá-la.

Por isso, transformar consciência em vida exige uma espécie de autoridade interna.

Não uma autoridade dura, controladora ou inflexível.

Mas aquela voz que começa a dizer:

“Eu preciso respeitar aquilo que já descobri sobre mim.”

Talvez essa seja uma das formas mais profundas de respeito próprio.

Não basta escutar nossa alma se todas as nossas escolhas continuam contradizendo aquilo que ela nos diz.

Com o tempo, começamos a perceber que determinadas mudanças não acontecem através de grandes rupturas.

Às vezes começam discretamente.

Numa conversa que finalmente temos.

Num limite que colocamos.

Num convite que recusamos.

Num projeto que começamos.

Numa situação da qual decidimos sair.

Numa tarde em que escolhemos descansar.

Na coragem de dizer: “isso não serve mais para mim”.

Ou simplesmente na decisão de parar de nos abandonar para manter alguma coisa funcionando.

É assim que o conhecimento começa a ganhar corpo.

Talvez por isso algumas transformações pareçam tão lentas.

Primeiro alguma coisa muda dentro.

Depois precisamos aprender a viver a partir dessa mudança.

E esse aprendizado pode levar tempo.

Não precisamos executar perfeitamente tudo aquilo que compreendemos.

Mas podemos começar a observar uma pergunta muito simples:

Minha vida está, aos poucos, ficando mais parecida com aquilo que eu já sei ser verdadeiro para mim?

Porque talvez exista um momento em toda travessia em que não precisamos de mais uma resposta.

Precisamos começar a honrar as respostas que já encontramos.

E talvez uma das formas mais bonitas de amadurecimento seja justamente esta:

quando aquilo que aprendemos por dentro começa, finalmente, a aparecer na vida que construímos por fora.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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