segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Capítulo 14!

 

O Machado de Gume de Prata — corte, iniciação e descida em A Donzela sem Mãos!

Entre todos os símbolos de A Donzela sem Mãos, poucos são tão perturbadores quanto o machado.

É com ele que o pai corta as mãos da própria filha.

À primeira vista, poderíamos enxergá-lo apenas como instrumento de violência. Mas Clarissa Pinkola Estés vai muito além.

O machado pertence a uma camada simbólica muito antiga da história. Ele está ligado à lua, ao mundo espiritual, às antigas divindades femininas, aos ritos de passagem, à poda das árvores, ao corte do cordão umbilical e à separação entre uma forma de existência e outra.

Por isso, talvez a pergunta não seja apenas:

“Por que as mãos precisam ser cortadas?”

Mas também:

“Por que justamente um machado realiza esse corte?”

O machado não é simplesmente de prata

Clarissa o chama de “machado de gume de prata”.

Mas existe um detalhe importante: ela não diz que o machado inteiro era feito de prata.

Segundo sua explicação, esses antigos machados eram feitos de aço escurecido pela forja e depois afiados até que a lâmina adquirisse um brilho prateado.

A prata, nesse universo simbólico, está associada ao mundo espiritual e à lua.

Isso já transforma o objeto.

Não estamos diante apenas de uma ferramenta usada para cortar madeira.

Estamos diante de um instrumento que carrega uma dimensão ritual.

E existe ainda uma ligação que só compreenderemos plenamente mais adiante:

a prata do machado antecipa as mãos de prata que a donzela receberá.

O mesmo símbolo que aparece no momento da perda reaparecerá, transformado, no processo de reconstrução.

Antes de pertencer ao pai, o machado pertencia à deusa!

Esse é um dos pontos mais interessantes da interpretação de Clarissa.

Ela diz que, em antigas tradições ligadas ao feminino, o machado pertencia por natureza à deusa, não ao pai.

Na antiga religião minoica, segundo a autora, o machado da deusa era usado para marcar o caminho ritual do iniciado e indicar lugares considerados sagrados.

Isso muda completamente nossa maneira de olhar para a ferramenta.

O machado não servia apenas para destruir.

Ele também marcava uma passagem.

Indicava:

“Daqui em diante, você está entrando em outro território.”

E é exatamente isso que acontece com a donzela.

Depois do corte das mãos, ela não poderá mais continuar vivendo da mesma maneira.

Ela atravessa um limite.

A vida antiga termina.

Começa a descida.

O machado e o cordão umbilical!

Clarissa relata ainda que antigas contadoras de histórias croatas lhe falaram do uso de um pequeno machado ritual para cortar o cordão umbilical do recém-nascido.

Naquela simbologia, cortar o cordão significava libertar a criança do mundo subterrâneo para que ela pudesse viver neste mundo.

Essa imagem é muito importante.

O corte separa dois estados de existência.

Antes do corte, a criança pertence a um mundo.

Depois dele, precisa viver em outro.

O machado, portanto, pode simbolizar separação necessária entre uma condição antiga e uma condição nova.

Na donzela acontece algo semelhante, mas no sentido inverso.

Ela não está chegando ao mundo exterior.

Ela está sendo conduzida para o mundo subterrâneo da psique.

É como se o corte dissesse:

“Você não poderá atravessar esse caminho permanecendo exatamente como era antes.”

Mas por que cortar justamente as mãos?

Porque as mãos são uma das nossas principais formas de agir sobre o mundo.

Com elas seguramos.

Criamos.

Construímos.

Tocamos.

Protegemos.

Afastamos.

Recebemos.

Clarissa associa as mãos psíquicas à capacidade de apreender, segurar e ajudar a nós mesmas e aos outros.

Então a amputação representa uma perda radical da maneira habitual de agir.

A mulher chega a um momento em que suas antigas estratégias já não funcionam.

Ela pode até compreender que sua vida precisa mudar, mas ainda não sabe como realizar essa mudança.

É aquele estado em que alguém diz:

“Eu sei que não posso continuar assim, mas também não sei ainda como viver de outra forma.”

Esse é um dos sentidos mais profundos da descida.

O corte como iniciação!

Clarissa encontra imagens semelhantes em outras tradições.

Ela menciona que, na Ásia, o machado celestial era usado simbolicamente para separar a pessoa do self não iluminado.

Por isso ela considera a imagem do corte central para compreender o processo iniciático da donzela.

Psicologicamente, podemos entender isso como a perda temporária daquilo a que o ego costumava se agarrar.

Existem momentos em que continuamos segurando determinadas coisas simplesmente porque são conhecidas:

uma identidade,

um relacionamento,

uma posição,

uma crença,

uma imagem de nós mesmas,

uma maneira antiga de viver.

Não porque ainda nos façam bem, mas porque sabemos como existir dentro delas.

O corte rompe essa continuidade.

E aí começa a verdadeira pergunta:

Quem sou eu quando não posso mais me apoiar naquilo que sempre usei para me definir?

Por que o pai segura o machado?

Aqui a história fica ainda mais complexa.

Clarissa diz explicitamente que, nas antigas religiões matriarcais às quais ela relaciona esse símbolo, o machado pertenceria à deusa e não ao pai.

Ela interpreta a presença do machado nas mãos do pai como resultado da sobreposição de diferentes camadas religiosas e culturais da história: tradições mais novas teriam se misturado às antigas, enquanto parte do significado original foi sendo esquecida.

Portanto, o pai não ocupa originalmente o lugar ritual da deusa.

Existe aqui uma leitura simbólica muito interessante: aquilo que antes pertencia à deusa - à iniciação feminina, ao corte ritual, à passagem e à transformação - aparece agora nas mãos do princípio paterno. Podemos perceber, simbolicamente, uma mudança de lugar do poder.

Nas mãos da deusa, o machado marca passagem, iniciação e transformação. Nas mãos do pai amedrontado, ele participa da mutilação da filha.

O problema, portanto, não é apenas o machado, mas quem o utiliza e a partir de qual consciência. Aquilo que poderia servir à transformação, quando separado de seu sentido profundo, pode tornar-se instrumento de mutilação.

Mas psicologicamente sua presença também possui significado.

Clarissa o descreve como um princípio organizador da psique externa ou terrena, ligado ao self egóico.

E esse ego tem medo de morrer.

O Diabo ameaça destruir tudo: o pai, a mãe, os campos, toda a vida que ele conhece.

O pai entra em pânico.

E escolhe preservar essa estrutura conhecida, mesmo ao preço das mãos da filha.

Podemos reconhecer esse conflito internamente.

Uma parte de nós percebe que precisa mudar.

Outra responde:

“Mas se eu mudar, o que vai acontecer com toda a vida que construí?”

“E se eu perder minha segurança?”

“E se eu perder minha posição?”

“E se as pessoas não me reconhecerem mais?”

“E se tudo desmoronar?”

O pai representa justamente essa parte que tenta preservar a ordem conhecida.

Mesmo quando essa ordem já não consegue proteger a vida profunda.

Afinal, que “descida” é essa?

Quando Clarissa fala de descida, ela não está falando de um lugar físico.

A descida é o movimento da consciência para uma camada mais profunda da própria psique.

É abandonar temporariamente a superfície organizada da vida e entrar num território em que nossas antigas explicações já não resolvem tudo.

Por isso a descida pode ser acompanhada por:

confusão,

perda de referências,

mudança de valores,

questionamento de identidade,

solidão,

incerteza.

A pessoa continua sendo a mesma — e, ao mesmo tempo, percebe que já não consegue continuar sendo exatamente quem era.

Clarissa diz que parte de nós é atraída por essa descida e outra parte tenta evitá-la por todos os meios.

É compreensível.

Descer significa deixar para trás um terreno conhecido antes de saber exatamente o que encontraremos lá embaixo.

A árvore também é cortada!

Clarissa volta então a um símbolo que já conhecemos desde o primeiro estágio: a árvore.

Nas antigas tradições que ela descreve, existia a ideia de podar uma árvore jovem com um machado para que sua copa se tornasse mais fechada.

A árvore era profundamente reverenciada porque podia aparentemente morrer, ressecar e depois voltar a viver.

Além disso, fornecia inúmeras coisas necessárias à existência: madeira para aquecer e cozinhar, material para construir berços e abrigos, cajados, remédios e até um lugar elevado de onde se podia observar o perigo.

Por isso Clarissa a chama de uma espécie de “mãe selvagem”.

E aqui a donzela volta a se aproximar da árvore.

A mulher-árvore é cortada.

Mas corte não significa necessariamente extinção.

Existe diferença entre aquilo que está morto e aquilo que foi ferido, mas ainda possui vida.

Essa diferença será fundamental para o restante da história.

As tempestades de corte e as tempestades ceifadoras!

Clarissa traz então uma memória de sua infância numa região agrícola.

Ela conta que determinadas tempestades de relâmpagos e granizo eram chamadas de “tempestades de corte” ou “tempestades ceifadoras”.

Eram tempestades violentas, capazes de cortar árvores e destruir lavouras.

Depois que passavam, as famílias saíam para verificar o que ainda podia ser salvo.

As crianças menores recolhiam ramos e frutos caídos.

As maiores sustentavam plantas que ainda estavam vivas, amarrando-as com pedaços de madeira e panos.

Os adultos separavam aquilo que havia sido totalmente destruído.

Essa imagem é belíssima para compreender o processo psíquico.

Depois de determinadas “tempestades” da vida, talvez não seja possível simplesmente colocar tudo de volta no lugar.

Algumas coisas sobreviveram.

Outras precisarão de apoio.

Algumas poderão voltar a crescer.

Outras realmente terminaram.

O trabalho não consiste em fingir que nada aconteceu.

Consiste em perguntar:

O que ainda está vivo?

O que precisa ser sustentado?

O que pode ser restaurado?

E o que precisa ser enterrado porque já não pode continuar?

A família que espera no mundo subterrâneo

Clarissa transforma essa lembrança numa metáfora.

Assim como aquelas famílias saíam depois da tempestade para cuidar das plantas feridas, existe simbolicamente uma família amorosa esperando pela donzela no mundo subterrâneo.

Ou seja: a descida não é apresentada apenas como perda.

Há também forças psíquicas que ainda não conhecemos e que poderão participar da restauração.

Clarissa diz que, no mundo subterrâneo, aquilo que já não consegue viver é derrubado e dividido para ser utilizado de outra maneira.

A donzela não está velha nem doente.

Mas não pode continuar sendo como era antes.

Isso é muito diferente de dizer que ela precisava sofrer.

Não precisava.

A própria Clarissa deixa claro em suas notas que o mal praticado contra alguém não se torna aceitável pelo fato de a vítima posteriormente conseguir se fortalecer.

A questão é outra:

depois que a tempestade aconteceu, o que fazemos com aquilo que restou?

A amputação aprofunda a descida!

Quando o pai corta as mãos da donzela, Clarissa diz que ele aprofunda a descida e acelera aquilo que chama de disolutio.

A palavra é importante.

Disolutio é a dissolução das antigas referências.

Clarissa descreve esse momento como a perda dos valores que significavam tudo para nós, a perda da linha do horizonte e dos pontos de referência que sustentavam aquilo em que acreditávamos.

É quando a pessoa olha para a própria vida e pensa:

“Eu não sei mais onde estou.”

Aquilo em que acreditava mudou.

Aquilo que orientava suas escolhas já não parece confiável.

A antiga identidade não funciona.

Mas ainda não existe uma nova identidade completamente formada.

É um estado profundamente desconfortável.

Mas é também um território em que outras formas de conhecimento podem começar a aparecer.

Os ritos aborígines e a ruptura do cotidiano!

É aqui que Clarissa faz uma associação muito interessante com antigos ritos de iniciação.

Ela diz que, em ritos aborígines ao redor do mundo, o cotidiano era deliberadamente confundido ou interrompido, para que o iniciado pudesse entrar em contato com o místico.

Em outras palavras:

enquanto tudo continua funcionando exatamente como sempre funcionou, tendemos a enxergar a vida através das mesmas lentes.

O rito quebra essa continuidade.

Retira a pessoa de sua referência habitual.

O conhecido deixa de ser suficiente.

E então ela é obrigada a perceber de outra maneira.

E o que Clarissa chama de “místico”?

Essa palavra pode dar a impressão de algo sobrenatural, mas Clarissa faz uma observação muito interessante numa das notas do capítulo.

Para ela, o místico envolve conhecer o rotineiro a partir de mais de uma perspectiva.

Ela chama isso de uma espécie de misticismo pragmático: procurar a verdade de diferentes lados e, depois, decidir qual posição assumir e como agir.

Isso é muito importante para nossa leitura.

O místico não significa fugir da realidade.

Pelo contrário.

Significa ampliar a forma de enxergá-la.

Talvez eu tenha passado anos dizendo:

“Isso é normal.”

Agora consigo olhar novamente e perguntar:

“É normal para quem?”

Talvez eu pensasse:

“É assim que a vida precisa ser.”

E de repente consigo perguntar:

“Precisa mesmo?”

O cotidiano continua sendo o mesmo.

Mas minha consciência já não é a mesma.

O corte faz aparecer aquilo que ainda resta!

Clarissa observa que, quando as mãos são retiradas, os demais atributos do corpo psíquico ganham importância.

A mulher profunda continuará sua tarefa, com ou sem a assistência do antigo pai-regente da psique.

Esse talvez seja um dos sentidos mais belos do símbolo.

Quando perdemos uma maneira de funcionar, descobrimos capacidades que antes quase não utilizávamos.

Se não posso mais me apoiar naquela identidade, preciso descobrir quem sou além dela.

Se aquela relação não existe mais, preciso descobrir quem sou fora dela.

Se aquela certeza caiu, preciso aprender a pensar novamente.

Se minhas antigas “mãos” já não sabem o que fazer, talvez outras partes de mim precisem começar a falar.

O corpo.

A intuição.

Os sonhos.

A percepção.

O instinto.

O duplo machado e o feminino!

Nas notas do capítulo, Clarissa amplia ainda mais essa simbologia.

Ela menciona a semelhança formal entre o machado e os lábios abertos da vulva e fala do duplo machado da deusa como um antigo símbolo que também foi retomado por alguns grupos de mulheres como representação do retorno ao poder feminino.

Ela registra ainda uma especulação presente em seu grupo de estudos, Las Mujeres, aproximando o formato do machado de dois gumes, das asas abertas da borboleta e da vulva — imagens associadas simbolicamente à alma.

É importante perceber que a própria autora apresenta parte dessas associações como especulação simbólica, e não como uma afirmação histórica definitiva.

Mas a imagem é sugestiva.

O machado corta.

A borboleta transforma-se.

A vulva é passagem para a vida.

Três imagens diferentes se encontram numa mesma ideia:

atravessar uma fronteira e sair transformada do outro lado.

Então por que o machado?

Talvez agora possamos responder.

O machado é a ferramenta do conto porque ele separa.

Separa antes e depois.

Velho e novo.

Superfície e profundidade.

A vida conhecida e a descida.

Aquilo a que o ego se agarra e aquilo que a mulher ainda precisará descobrir.

Mas o mesmo machado que corta também pertence, nas camadas antigas recuperadas por Clarissa, à deusa que marca o caminho do iniciado.

Por isso ele é um símbolo tão ambíguo.

Ele fere.

Mas também marca uma passagem.

Ele poda.

Mas a árvore pode voltar a crescer.

Ele separa.

Mas também inaugura outra etapa.

Ele aparece nas mãos do pai dentro de uma história já transformada por muitas camadas culturais, embora Clarissa diga que, numa camada mais antiga, ele pertenceria à própria deusa.

E talvez esteja aí uma das imagens centrais deste segundo estágio:

a mulher não está apenas perdendo aquilo que possuía. Ela está sendo retirada, de maneira dolorosa, da forma de vida que conhecia.

Ainda não sabemos quem ela será depois.

Ela também não sabe.

Por enquanto existe apenas o corte.

A tempestade passou.

Os galhos estão espalhados pelo chão.

Algumas coisas não poderão mais ser recuperadas da maneira antiga.

Outras continuam vivas.

E, em algum lugar mais profundo da psique, já existem forças esperando para ajudá-la a descobrir:

o que precisa ser enterrado, o que precisa ser sustentado e o que ainda poderá voltar a florescer.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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domingo, 25 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - Capítulo 14!

 

O Diabo em A Donzela sem Mãos — quando a força predadora tenta nos roubar 

de nós mesmas!

No segundo estágio de A Donzela sem Mãos, o Diabo volta.

Mas ele encontra uma donzela diferente daquela do início da história.

Alguma coisa já começou a despertar nela.

Ela se banha, veste branco, traça um círculo de giz ao seu redor e, quando o Diabo tenta agarrá-la, uma força invisível o lança para longe.

A partir daí, começa uma sequência muito interessante.

O Diabo tenta retirar uma proteção depois da outra.

E talvez seja justamente observando aquilo que ele tenta destruir que conseguimos compreender melhor o que ele representa psicologicamente.

O objetivo do Diabo não é apenas fazê-la sofrer!

Clarissa apresenta o Diabo como uma força predadora da psique.

Ele não quer simplesmente assustar a donzela.

Ele quer enfraquecê-la até conseguir roubá-la de si mesma.

Quando não consegue alcançá-la porque ela se purificou e chorou, ele começa a atacar justamente aquilo que parece protegê-la.

Primeiro, proíbe o banho.

Depois tenta degradá-la.

Finalmente, exige que suas mãos sejam cortadas.

Existe uma progressão muito clara aí.

É como se o predador perguntasse:

“O que ainda mantém essa mulher ligada a si mesma?”

E então tentasse atingir exatamente esse ponto.

Psicologicamente, podemos reconhecer esse movimento em situações em que uma pessoa, uma relação, uma estrutura ou até um padrão interno vai pouco a pouco enfraquecendo nossa percepção, nossa autonomia e nossa capacidade de reagir.

O objetivo não é apenas provocar dor.

É fazer com que a mulher deixe de confiar naquilo que sente.

Que deixe de perceber.

Que deixe de escolher.

Que deixe de agir.

“Se eu descascar sua camada civilizada...”

Em determinado momento, o Diabo pensa:

“Se eu descascar sua camada civilizada, eu talvez possa roubar sua vida para sempre.”

Clarissa explica que o predador pretende degradá-la e enfraquecê-la por meio das proibições. Ele acredita que, se conseguir retirar dela a aparência organizada e civilizada, poderá fazê-la perder a si mesma.

Mas acontece exatamente o contrário.

A donzela fica suja.

Desgrenhada.

Animalesca.

A aparência exterior se deteriora.

E, paradoxalmente, ela se aproxima cada vez mais da Mulher Selvagem.

Esse ponto é muito profundo.

Porque o Diabo confunde civilização com essência.

Ele acredita que, se retirar aquilo que socialmente torna a mulher apresentável, organizada e aceitável, não sobrará nada.

Mas sobra.

E talvez sobre justamente aquilo que ele menos desejava encontrar:

a natureza instintiva.

A parte mais profunda da mulher não depende da aparência perfeita.

Não depende de aprovação.

Não depende de parecer forte.

Não depende de manter tudo sob controle.

Existe algo nela que permanece vivo mesmo quando sua aparência externa desmorona.

Quando não conseguimos mais “parecer bem”!

Podemos pensar numa mulher que atravessa uma separação difícil, uma perda ou uma grande crise.

Durante algum tempo, ela não consegue manter a mesma produtividade.

Não tem disposição para festas.

Não quer agradar ninguém.

Talvez se preocupe menos com a aparência.

Talvez reduza compromissos.

Talvez não consiga mais desempenhar com a mesma perfeição todos os papéis que desempenhava antes.

De fora, alguém poderia dizer:

“Ela está pior.”

Mas nem sempre isso significa que sua psique está sendo destruída.

Às vezes, parte da energia que antes era usada para manter a aparência de normalidade está sendo direcionada para um trabalho interno muito mais profundo.

Isso não significa romantizar abandono de autocuidado ou sofrimento grave.

Significa apenas compreender que nem toda desorganização externa corresponde à perda da vida interior.

No conto, o Diabo não entende isso.

Ele acredita que, ao retirar a camada civilizada, irá enfraquecê-la.

Mas acaba aproximando-a ainda mais daquilo que existe de mais instintivo nela.

Por que o Diabo não consegue se aproximar quando ela chora?

As lágrimas são um dos símbolos mais importantes desse estágio.

Clarissa diz que elas preservam a donzela, purificam a ferida e ajudam a manter o predador afastado. Mais do que isso: elas fazem com que a mulher se torne consciente.

E aqui existe uma chave psicológica importante.

Enquanto estamos completamente entorpecidas, podemos permanecer dentro de uma situação destrutiva sem compreender plenamente o que ela está fazendo conosco.

Quando começamos a sentir a dor, alguma coisa muda.

A mulher pode dizer:

“Isso está me machucando.”

“Eu não estou bem.”

“Isso não é normal.”

“Eu não quero continuar dessa forma.”

A dor consciente ainda é dor.

Mas ela já não é igual ao entorpecimento.

É por isso que as lágrimas têm tanta força simbólica.

Elas não afastam o Diabo porque ele sente pena.

Clarissa é muito clara: ele não está comovido.

O que o enfraquece é aquilo que as lágrimas representam.

A mulher voltou a sentir.

Voltou a reconhecer sua ferida.

Voltou a ter contato com alguma verdade interna.

No conto, as lágrimas chegam a funcionar como um “muro de água”, um campo protetor que o Diabo não consegue atravessar.

O predador não quer que a mulher sinta!

Mais adiante, Clarissa aprofunda ainda mais essa ideia.

Ela diz que o aspecto não redimido da psique não sente e, por isso, inveja e ataca justamente aquilo que sente.

O Diabo tenta atingir a capacidade de perceber, tocar, cuidar e curar.

Isso nos ajuda a compreender por que as mãos se tornam seu grande alvo.

As mãos não são apenas mãos.

No conto, elas representam a capacidade de apreender, segurar e ajudar a si mesma e aos outros.

Podemos ampliar isso psicologicamente:

com as mãos fazemos.

Escolhemos.

Criamos.

Seguramos.

Afastamos.

Protegemos.

Recebemos.

Portanto, quando o Diabo manda cortar as mãos da donzela, ele está tentando mutilar exatamente aquilo que lhe permitiria agir sobre a própria vida.

É uma imagem extrema para algo que, na realidade cotidiana, pode acontecer de maneiras muito mais sutis.

Uma mulher pode continuar fisicamente livre, mas aos poucos perder confiança em suas decisões.

Pode começar a perguntar ao outro tudo antes de decidir.

Pode abandonar projetos.

Pode deixar de administrar o próprio dinheiro.

Pode afastar-se de amizades.

Pode parar de confiar naquilo que percebe.

Pode saber que algo está errado e, ainda assim, sentir:

“Eu não consigo fazer nada.”

É uma forma simbólica de ficar sem mãos.

Quando o predador não consegue chegar diretamente, ele procura outro caminho!

Existe ainda outro aspecto importante.

O Diabo não consegue dominar diretamente a donzela.

Então ele se volta para o pai.

Ameaça destruir tudo caso ele não corte as mãos da própria filha.

Clarissa descreve esse elemento paterno como imaturo e incapaz de se posicionar diante do predador.

Isso também possui uma leitura psicológica muito interessante.

Nem sempre aquilo que nos prejudica chega diretamente até nós.

Às vezes utiliza nossos próprios medos.

O medo de perder estabilidade.

O medo da solidão.

O medo de decepcionar a família.

O medo do julgamento.

O medo de perder dinheiro.

O medo de começar novamente.

E então uma parte de nós pode acabar colaborando com aquilo que nos enfraquece.

Não porque desejamos nossa própria destruição.

Mas porque estamos com medo.

É por isso que o pai é descrito como apavorado.

Ele não consegue sustentar sua posição.

O Diabo quer mutilar, não apenas ferir!

Clarissa chega a fazer uma distinção muito forte.

Esse Diabo não quer apenas ferir.

Ele quer mutilar.

Quer impedir que a mulher continue usando plenamente determinadas capacidades psíquicas.

Isso ajuda a entender o predador de forma mais profunda.

Uma força verdadeiramente destrutiva não quer apenas que você fique triste durante algum tempo.

Ela quer que você passe a acreditar:

“Eu não consigo.”

“Eu não sei.”

“Eu não posso confiar em mim.”

“Sem isso eu não existo.”

“Nunca vou conseguir viver de outra maneira.”

Quando essas ideias se instalam profundamente, a mulher começa a entregar o próprio poder antes mesmo de alguém precisar tomá-lo.

Por isso o trabalho de recuperação não envolve apenas sair de uma situação.

Envolve também reconstruir a relação consigo mesma.

E por que o Diabo finalmente perde?

Porque ele consegue ferir a donzela, mas não consegue tomar tudo.

Ele consegue chegar às mãos.

Mas não consegue alcançar completamente o Self selvagem.

Clarissa diz que a natureza selvagem e a pureza das lágrimas repelem essa energia destrutiva.

Mesmo mutilada, a donzela ainda sente.

Ainda chora.

Ainda percebe.

Ainda possui pés para caminhar.

Ainda existe nela alguma coisa que o predador não conseguiu possuir.

E talvez esta seja uma das mensagens mais fortes desse estágio:

uma mulher pode estar profundamente ferida sem estar completamente perdida.

Pode ter perdido temporariamente sua maneira habitual de agir.

Pode não saber ainda o que fazer.

Pode sentir que sua antiga vida acabou.

Mas alguma coisa profunda continua viva.

O Diabo também pode aparecer sem rosto!

Existe ainda uma ampliação importante ao longo do capítulo.

Clarissa mostra que essa força predadora não precisa ser entendida apenas como uma pessoa concreta.

Ela pode aparecer através de imposições culturais, familiares ou intrapsíquicas que desvalorizam a vida profunda da mulher e procuram afastá-la de seus próprios recursos.

Por isso o símbolo é tão poderoso.

O Diabo pode estar numa relação destrutiva.

Mas também pode aparecer naquela voz interna que repete:

“Não faça isso.”

“Você não consegue.”

“É melhor continuar presa porque pelo menos aqui você está segura.”

“Não confie no que sente.”

“Não dê trabalho.”

“Não mude.”

“Não seja demais.”

Em todas essas formas existe algo em comum:

a tentativa de afastar a mulher daquilo que sabe, sente, cria e pode fazer por si mesma.

Talvez a pergunta não seja: “Quem é o Diabo?”

Talvez a pergunta mais interessante seja:

“O que, na minha vida, tenta me afastar de mim mesma?”

O que tenta enfraquecer minha percepção?

O que me faz duvidar constantemente daquilo que sinto?

O que exige que eu entregue minha autonomia para permanecer segura?

O que me convence de que preciso abandonar partes de mim para continuar pertencendo?

E, principalmente:

O que ainda existe em mim que essa força não conseguiu tocar?

Talvez seja justamente aí que esteja o começo da recuperação.

Porque, em A Donzela sem Mãos, o Diabo consegue provocar uma ferida profunda.

Mas não consegue possuir a mulher.

Ele tenta retirar sua aparência, suas proteções e finalmente suas mãos.

Mesmo assim, alguma coisa nela permanece viva.

E talvez essa seja a imagem mais importante deste estágio:

o predador pode ferir aquilo que usamos para agir no mundo, mas não necessariamente consegue alcançar o núcleo mais profundo daquilo que somos.

É desse lugar preservado que, mais adiante, a vida poderá começar a ser reconstruída.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!


O Círculo de Giz — o limite que protege 

sem nos isolar!

No segundo estágio de A Donzela sem Mãos, há uma cena pequena, mas carregada de significado.

Depois de três anos, o Diabo retorna para buscar a donzela. Antes de enfrentá-lo, ela se banha, veste um vestido branco e traça um círculo de giz ao redor de si. Quando ele tenta alcançá-la, uma força invisível o lança para longe.

Clarissa Pinkola Estés explica que esses gestos pertencem a uma antiga linguagem ritual.

O banho representa purificação.
O vestido branco, a preparação para uma descida ao mundo profundo.
E o círculo de giz é apresentado como um círculo de proteção, ligado ao pensamento sagrado.

Mas esse círculo também pode nos fazer pensar em algo muito presente na vida cotidiana:

os nossos limites.

O limite começa quando percebemos que algo não pode continuar entrando!

Estabelecer um limite não significa necessariamente afastar todas as pessoas, fechar-se para o mundo ou endurecer.

Às vezes, limite significa apenas reconhecer:

“Isso me faz mal.”

“Dessa forma eu não aceito.”

“Eu preciso de espaço para pensar.”

“Essa decisão pertence a mim.”

Há situações em que passamos muito tempo permitindo que outras pessoas entrem em espaços que deveriam ser nossos: nosso tempo, nossas escolhas, nossos sentimentos, nosso corpo, nosso dinheiro, nossa energia ou nossa maneira de viver.

Nem sempre percebemos isso imediatamente.

Muitas vezes, o primeiro limite nasce antes mesmo de sabermos exatamente o que faremos depois.

A mulher ainda não resolveu toda a sua vida.

Ela apenas começa a perceber:

“Daqui para dentro existe algo que eu preciso proteger.”

Talvez seja exatamente isso que o círculo de giz nos ensine.

O círculo não elimina o perigo

Existe um aspecto particularmente importante nessa passagem.

O círculo não faz o Diabo desaparecer.

Ele continua tentando encontrar maneiras de chegar até a donzela.

Isso torna o símbolo ainda mais interessante.

Porque estabelecer um limite não significa que o problema desapareça imediatamente.

Uma pessoa controladora pode não gostar do nosso primeiro “não”.

Uma família acostumada a decidir por nós pode reagir quando começamos a fazer escolhas próprias.

Alguém acostumado a ter acesso irrestrito ao nosso tempo pode estranhar quando deixamos de estar sempre disponíveis.

O limite não transforma imediatamente o outro.

Ele começa transformando a nossa posição diante do outro.

O espaço sagrado dentro de nós!

Mais adiante, Clarissa relaciona o círculo à proteção da Mãe Selvagem. É sob essa proteção que a descida psicológica pode prosseguir sem que a vitalidade mais profunda da mulher seja completamente destruída.

Isso amplia muito o significado do símbolo.

O círculo não serve apenas para manter algo do lado de fora.

Ele também preserva algo do lado de dentro.

Talvez nossa integridade.

Nossa percepção.

Nossa capacidade de sentir.

Nossa intuição.

Nossa criatividade.

Nossa possibilidade de continuar sendo nós mesmas.

É por isso que gosto de pensar que um limite saudável não diz somente:

“Você não pode entrar.”

Ele também diz:

“Há algo aqui dentro que merece ser preservado.”

Quando não temos um círculo

Na prática, muitas mulheres aprendem muito cedo a ser disponíveis, compreensivas, agradáveis e cuidadoras.

Mas nem sempre aprendem, com a mesma intensidade, a reconhecer quando algo ultrapassou seus limites.

Então começam pequenas concessões.

Responder quando não queriam responder.

Aceitar aquilo que as incomoda.

Explicar demais suas decisões.

Mudar planos constantemente para atender aos outros.

Silenciar para evitar conflito.

Pedir desculpas por necessidades legítimas.

Separadamente, cada uma dessas situações pode parecer pequena.

Mas, com o tempo, a mulher pode perceber que existe cada vez menos espaço para ela própria dentro da sua vida.

É aí que o círculo precisa ser redesenhado.

Traçar um círculo não é construir um muro!

Essa distinção é importante.

Um muro impede qualquer aproximação.

Um limite saudável permite relação, mas estabelece condições para que essa relação não destrua quem somos.

Posso amar alguém e ainda dizer não.

Posso ajudar sem me responsabilizar por tudo.

Posso escutar sem aceitar agressão.

Posso compreender a história de uma pessoa sem justificar aquilo que ela faz comigo.

Posso estar em uma relação sem entregar o direito de decidir sobre minha própria vida.

O círculo não precisa nos separar do mundo.

Ele pode justamente tornar possível uma relação mais consciente com o mundo.

Um exemplo simples

Imagine uma mulher que sempre atende às ligações de determinada pessoa, mesmo quando sabe que terminará a conversa emocionalmente exausta.

Durante muito tempo, ela pensa:

“Se eu não atender, vou parecer egoísta.”

Um dia, começa a perceber o efeito que aquelas conversas têm sobre ela.

Talvez seu primeiro círculo de giz seja simplesmente:

“Hoje eu não vou atender. Vou conversar quando estiver preparada.”

O problema entre as duas pessoas não foi resolvido.

Mas alguma coisa mudou.

Ela deixou de se abandonar automaticamente.

E talvez o primeiro limite seja exatamente isso:

parar de nos abandonar para manter alguma coisa do lado de fora funcionando.

O círculo também precisa ser interno

Nem todos os invasores vêm de fora.

Às vezes carregamos dentro de nós vozes que dizem:

“Você precisa agradar.”

“Não faça confusão.”

“Você está exagerando.”

“Se disser não, vão deixar de gostar de você.”

“Uma boa mulher suporta.”

Nesse caso, o círculo de giz também precisa separar aquilo que realmente sentimos daquilo que aprendemos que deveríamos sentir.

Talvez seja necessário perguntar:

Essa voz é realmente minha?

Essa escolha corresponde ao que eu quero ou ao que esperam de mim?

Estou dizendo sim porque quero ou porque tenho medo das consequências de dizer não?

O círculo precisa ser redesenhado muitas vezes!

Um limite não é algo que estabelecemos uma única vez para nunca mais pensar sobre ele.

Nós mudamos.

As relações mudam.

As necessidades mudam.

Aquilo que aceitávamos aos vinte anos talvez já não faça sentido aos quarenta, cinquenta ou sessenta.

Existem limites que precisam ser ampliados.

Outros precisam ser fortalecidos.

Alguns já não são necessários.

Outros só percebemos que precisávamos depois que alguém os ultrapassou.

Talvez por isso o círculo seja desenhado com giz.

O giz não é uma muralha de pedra.

Ele pode ser apagado e redesenhado.

Mas, naquele momento, ele diz claramente:

“Este é o meu espaço.”

Uma pergunta para levar com você!

Se hoje você pudesse desenhar simbolicamente um círculo de giz ao seu redor, pergunte:

O que eu gostaria de manter do lado de fora?

E depois faça uma segunda pergunta, talvez ainda mais importante:

O que existe dentro desse círculo que eu preciso proteger?

Talvez sua paz.

Sua criatividade.

Seu corpo.

Seu tempo.

Sua intuição.


Seu direito de escolher.

Seu silêncio.

Ou simplesmente a possibilidade de voltar a escutar a própria voz.

Porque, algumas vezes, o limite não é criado para afastar o mundo.

É criado para que possamos voltar a nos encontrar dentro dele.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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