sábado, 10 de outubro de 2026

Mulheres Que Correm Com os Lobos - La Selva Subterrânea - Capítulo 14!

 


Quando o moinho para: você está vivendo ou apenas acumulando experiências?

Em A Donzela sem Mãos, no capítulo 14 de Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés apresenta uma imagem aparentemente simples: um moinho que não está funcionando.

Mas, na interpretação dela, esse moinho representa uma função importante da nossa psique.

Um moinho recebe o grão, tritura, transforma e produz algo que pode nos alimentar.

Clarissa propõe que fazemos algo parecido internamente.

Todos os dias recebemos uma enorme quantidade de “matéria-prima”: experiências, sentimentos, pensamentos, desejos, frustrações, percepções, conversas, perdas e escolhas.

Mas viver uma experiência não significa automaticamente compreendê-la.

É preciso processá-la.

Segundo Clarissa, essa função psíquica seleciona aquilo que aprendemos, ouvimos, desejamos e sentimos e procura transformar esse material em algo que possa nos nutrir. É como se internamente perguntássemos:

“O que faço com tudo isso que estou vivendo?” 

Quando o moinho está funcionando!

Quando conseguimos elaborar aquilo que vivemos, uma experiência não permanece apenas como acontecimento.

Ela pode se transformar em conhecimento.

Uma decepção pode nos ensinar alguma coisa sobre limites.

Uma relação pode nos mostrar algo sobre nossas necessidades.

Um erro pode revelar um padrão.

Uma fase difícil pode nos obrigar a rever prioridades.

Uma ideia pode se transformar em projeto.

Um sentimento pode finalmente ganhar nome.

Isso não significa que toda experiência precise trazer uma “lição positiva”.

Significa apenas que conseguimos pensar sobre aquilo que nos acontece, em vez de simplesmente sermos atravessadas por acontecimentos sucessivos.

É essa transformação da matéria-prima em algo utilizável que Clarissa associa ao moinho. 

Mas e quando o moinho para?

No conto, o moinho está parado.

E Clarissa é muito direta sobre o significado dessa imagem: a matéria-prima continua entrando na vida, mas não está sendo suficientemente processada.

As coisas acontecem.

A pessoa sente.

Vive.

Trabalha.

Cuida dos outros.

Resolve problemas.

Começa e termina dias.

Mas pode não estar conseguindo chegar ao âmago daquilo que está vivendo.

Clarissa relaciona esse estado também à estagnação da vida criativa. O moinho silenciado representa uma psique que já não está sendo suficientemente alimentada por ideias, compreensão e inventividade. 

Talvez seja possível passar muito tempo assim.

Funcionando.

Mas não necessariamente elaborando.

O piloto automático!

Essa imagem me faz pensar em algo muito comum hoje: o piloto automático.

A pessoa acorda, trabalha, cuida da casa, responde mensagens, resolve demandas, atende pessoas, cumpre compromissos, chega ao fim do dia cansada e, no dia seguinte, começa tudo de novo.

Existe muito movimento.

Mas pouco espaço interno.

E talvez seja exatamente aí que precisamos fazer uma distinção:

estar ocupada não significa necessariamente estar em movimento psíquico.

Podemos fazer dezenas de coisas por dia e continuar repetindo internamente as mesmas respostas, os mesmos padrões e as mesmas escolhas.

O moinho pode estar cercado de atividade e, ainda assim, permanecer parado.

Quando não processamos aquilo que vivemos!

Algumas experiências precisam de tempo para serem compreendidas.

Às vezes sentimos primeiro e entendemos muito depois.

Outras vezes percebemos que alguma coisa nos incomoda, mas ainda não sabemos explicar o quê.

Podemos também viver durante anos dentro de uma situação antes de conseguirmos enxergá-la de outra forma.

Isso não significa falta de inteligência.

Há conhecimentos que só amadurecem quando conseguimos olhar novamente para aquilo que vivemos.

O problema aparece quando não existe espaço algum para esse processamento.

Quando tudo precisa ser imediatamente abafado, resolvido, esquecido ou substituído por outra tarefa.

Nesse caso, acumulamos experiências, mas talvez elas não estejam se transformando em conhecimento sobre nós mesmas.

“Como posso fazer o melhor uso disso?”

Há uma pergunta no texto de Clarissa que considero particularmente importante.

Ao explicar o processamento psíquico, ela pergunta:

“Como posso fazer o melhor uso disso?”

“Como faço para transformar tudo em algo positivo?”

Muito menos:

“Como justifico aquilo que me aconteceu?”

A pergunta pode ser muito mais simples.

O que isso revelou para mim?

Talvez eu tenha percebido um limite.

Talvez tenha descoberto algo que não quero mais.

Talvez tenha reconhecido uma necessidade que vinha ignorando.

Talvez ainda não saiba o que fazer — mas agora consigo enxergar melhor o que está acontecendo.

Às vezes, isso já é o moinho voltando a girar.

O moinho e a criatividade!

Clarissa também liga a moagem do grão ao impulso criativo.

Quando o moinho está silenciado, não é apenas a capacidade de entender a própria experiência que pode diminuir.

A criatividade também pode ficar estagnada.

E criatividade aqui não precisa significar pintar, escrever ou produzir arte.

Pode ser a capacidade de imaginar uma saída.

Pensar numa alternativa.

Criar um projeto.

Modificar uma rotina.

Experimentar outra forma de se relacionar.

Perguntar:

“E se eu fizer diferente?”

Quando estamos profundamente entorpecidas, até essa pergunta pode desaparecer.

Como fazer o moinho voltar a funcionar?

Clarissa não apresenta nesse trecho uma receita prática fechada. A imagem é simbólica.

Mas podemos levar essa metáfora para nossa vida.

Às vezes o moinho começa a se mover quando encontramos espaço para pensar sem precisar responder imediatamente a ninguém.

Quando escrevemos sobre aquilo que estamos sentindo.

Quando conversamos com alguém capaz de realmente nos escutar.

Quando fazemos terapia.

Quando estudamos algo que nos ajuda a nomear uma experiência.

Quando criamos.

Quando percebemos um padrão que antes repetíamos automaticamente.

Ou simplesmente quando conseguimos formular uma pergunta nova sobre uma situação antiga.

O importante não é produzir respostas rapidamente.

Talvez seja voltar a permitir que aquilo que vivemos seja elaborado dentro de nós.

Talvez você não esteja sem conteúdo. Talvez o moinho esteja parado.

Essa é uma diferença importante.

Às vezes pensamos:

“Não tenho ideias.”

“Não sei o que quero.”

“Não consigo decidir.”

“Parece que não sinto mais entusiasmo por nada.”

Mas talvez exista muita matéria-prima acumulada.

Experiências.

Desejos.

Incômodos.

Percepções.

Coisas não ditas.

Ideias que nunca receberam tempo suficiente para amadurecer.

O problema pode não ser ausência de grãos.

Pode ser que o moinho esteja precisando voltar a funcionar.

E talvez a pergunta não seja apenas:

“O que está acontecendo na minha vida?”

Mas também:

“O que estou fazendo internamente com tudo aquilo que está acontecendo comigo?”

Porque viver produz matéria-prima.

Mas é a elaboração que pode transformar parte dessa matéria em conhecimento.

E, às vezes, voltar a ouvir o movimento do próprio moinho é também começar a voltar para si.

Para refletir!

Há alguma experiência recente que você viveu, mas sente que ainda não conseguiu realmente processar?

Seu moinho está sem grãos — ou existem muitas coisas dentro de você esperando tempo para serem transformadas?

O que poderia ajudá-la hoje a sair um pouco do piloto automático e voltar a escutar aquilo que está acontecendo dentro de si?

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

#mulheresquecorremcomoslobos #clarissapinkolaestés #capitulo13 #Autoconhecimento #Relacionamentos #CuraEmocional #LibertaçãoEmocional  #Reflexão #Ressignificação #BethCastrotaróloga #literaturaemocional #rodademulheressabiasefortes #reflexão #bhtarot #bethcastroterapias #rodadeconversavirtual #rodavirtual #rodademulheres #mulherajudamulher #mulherinteligente #forçafeminina #psicologiaarquetípica #vivênciastransformadoras #mulherselvagem #desapego #encerramentodeciclo #espiritualidade #pazinterior # #ProcessosDeCura #SabedoriaFeminina #Limites #Transformação   #rodaterapêutica  #saúdeemocional #psicologiafeminina #curaemocional #femininoselvagem #mulheresquesecuram #históriasdemulheres #desenvolvimentopessoal    #MulheresEmProcesso  #FemininoSelvagem    #escutaempática #vozfeminina  #Psicologia  #Jung #MisticaDaParticipacao #LevyBruhl #Autoconhecimento  #InteligenciaEmocional #EscutaEmpatica #SaudeEmocional #PsiqueFeminina #FemininoSelvagem #MulherSelvagem #Simbolismo #Arquetipos #ContosQueCuram #HistoriasQueTransformam #Terapia  #Consciencia #BethCastro  #resistência #florestasubterrânea #laselvasubterrânea #coragem #discernimento #limite #adonzelasemãos  #vidainterior #processopsíquico #criatividade #intuição  #elaboraçãopsíquica #crescimentopessoal #terapiaintegrativa #leituraterapêutica #reflexão #moinhodaalma #vivênciastransformadoras

Nenhum comentário: