quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Depois que sabemos, já não podemos voltar a não saber!

 


Depois que sabemos, já não podemos voltar 

a não saber!

Esses dias encontrei uma frase de Clarissa Pinkola Estés que me fez parar:

“Nenhum ente senciente neste mundo tem a permissão de permanecer inocente para sempre.”

E fiquei pensando nela.

Porque existem frases que parecem pequenas até começarmos a abri-las.

Essa, para mim, abre um mundo inteiro.

Talvez porque fale de uma coisa que conhecemos muito bem: aquele momento da vida em que alguma coisa acontece e nós simplesmente não conseguimos mais enxergar o mundo da mesma maneira.

Pode ser uma decepção.

Uma perda.

Uma separação.

Uma traição.

Uma doença.

Uma situação familiar.

Uma experiência profissional.

Ou simplesmente uma verdade sobre nós mesmas que demoramos muito tempo para reconhecer.

Até aquele momento podíamos dizer:

“Eu não sabia.”

Depois dele, não mais.

E acho que é aí que começa uma forma diferente de amadurecimento.

Porque a inocência tem alguma coisa de confortável.

Quando não sabemos, ainda podemos imaginar.

Quando não vimos, ainda podemos acreditar que determinadas coisas não existem.

Quando não reconhecemos determinado padrão, ainda podemos dizer que foi apenas coincidência.

Mas depois que enxergamos…

alguma coisa muda.

E a pergunta passa a ser outra:

“Agora que eu sei, o que faço com aquilo que sei?”

Talvez amadurecer seja exatamente isso.

Não saber tudo.

Mas assumir responsabilidade pelo que já conseguimos perceber.

E existe uma parte dessa reflexão que me toca especialmente enquanto mulher.

Quantas vezes fomos ensinadas a não perceber?

A não desconfiar.

A não perguntar.

A não incomodar.

A não dizer aquilo que sentimos.

Às vezes o corpo percebe primeiro.

A intuição avisa.

Algo não parece certo.

Mas imediatamente encontramos uma explicação.

“Estou exagerando.”

“Devo ter entendido errado.”

“Talvez seja coisa da minha cabeça.”

E assim podemos permanecer muito tempo tentando preservar uma inocência que, no fundo, já perdemos.

Porque alguma parte de nós já sabe.

A Mulher Selvagem de Clarissa não é uma mulher que sabe tudo.

Mas é uma mulher que aprende a confiar na própria capacidade de perceber.

Ela observa.

Fareja.

Escuta.

Reconhece.

E talvez isso seja uma das maiores perdas de inocência que uma mulher pode viver:

parar de fingir que não percebe aquilo que já percebeu.

Mas existe algo importante aqui.

Perder a inocência não significa tornar-se dura.

Essa talvez seja a parte mais difícil.

Depois de algumas experiências, seria muito fácil dizer:

“Não confio mais em ninguém.”

“Não espero nada.”

“Não me entrego.”

“Não quero sentir.”

Mas isso não seria consciência.

Seria apenas outra prisão.

A consciência verdadeira nos ensina a enxergar sem fechar completamente o coração.

A colocar limites sem construir muros em torno de nós.

A dizer não sem perder a capacidade de dizer sim.

A reconhecer o perigo sem acreditar que tudo é perigoso.

A compreender que existem pessoas que ferem sem concluir que todas irão ferir.

Isso, para mim, é maturidade.

Perder a ingenuidade sem perder a ternura.

E talvez essa reflexão tenha ainda mais força no momento em que vivemos.

Todos os dias chegam até nós histórias de violência, guerras, intolerância, injustiças e dores humanas.

As notícias entram na nossa casa pelo telefone.

Às vezes ainda estamos tomando café e já estamos diante de acontecimentos que, algumas décadas atrás, talvez demorassem dias para chegar até nós.

É muita coisa para sentir.

E existe um risco de nos tornarmos anestesiadas.

Vemos.

Passamos.

Rolamos a tela.

Vemos outra coisa.

E outra.

E outra.

Talvez por isso eu ache tão importante distinguir informação de consciência.

Ter informação não significa necessariamente ter consciência.

Consciência pede pausa.

Pede reflexão.

Pede que façamos perguntas.

Pede que não aceitemos imediatamente tudo aquilo que chega até nós.

E pede também que encontremos uma maneira de viver depois de saber.

Não podemos resolver todas as dores do mundo.

Nem devemos tentar carregar todas elas.

Mas também não precisamos escolher a indiferença como forma de proteção.

Existe um caminho entre carregar tudo e não sentir nada.

Talvez esse caminho seja justamente o da consciência.

Essa frase de Clarissa também me faz pensar no Tarot.

No começo da jornada temos O Louco.

Ele parte sem saber exatamente o que encontrará.

Há nele alguma coisa de inocente.

Ele confia.

Experimenta.

Segue.

Mas o Louco não permanece para sempre naquele primeiro passo.

A jornada apresenta escolhas.

Perdas.

Rupturas.

Desejos.

Sombras.

Transformações.

Até que aquele viajante já não consegue olhar o mundo com os mesmos olhos com que começou.

Talvez aconteça o mesmo conosco.

Vamos perdendo algumas ilusões.

Algumas certezas.

Algumas imagens que tínhamos das pessoas e também de nós mesmas.

Mas talvez a grande sabedoria esteja em não permitir que cada perda nos torne menores.

Podemos sair de uma experiência mais conscientes sem sair dela mais frias.

Podemos aprender.

Podemos mudar.

Podemos nos proteger melhor.

Podemos escolher diferente.

E continuar sensíveis.

Porque talvez a maior vitória não seja chegar ao fim da vida dizendo:

“Ninguém conseguiu me enganar.”

Talvez seja poder dizer:

“Eu aprendi a enxergar sem precisar deixar de amar.”

A inocência não dura para sempre.

Talvez nem devesse durar.

Mas isso não significa que precisemos perder nossa essência junto com ela.

Algumas ilusões precisam morrer para que o discernimento nasça.

Algumas verdades doem antes de libertar.

E alguns momentos da vida simplesmente não permitem que continuemos sendo a mulher que éramos antes.

Depois que sabemos, não conseguimos voltar a não saber.

E talvez a pergunta mais importante seja:

O que faremos com a mulher que nasce depois dessa descoberta?

Porque perder a inocência é inevitável.

Perder a alma, não.

Nossa próxima roda, inscrições abertas!

No dia 7 de Novembro, às 15h30, pelo Google Meet, vamos conversar sobre o Capítulo 14:

La Selva Subterrânea: A iniciação na floresta subterrânea — A Donzela sem Mãos.

Vamos refletir sobre os momentos em que a vida nos leva para territórios desconhecidos, sobre a perda da inocência, a sensação de ficar sem recursos, a necessidade de continuar mesmo sem saber exatamente o caminho e a importância de reconhecer a ajuda que surge durante a travessia.

Também vamos pensar sobre resistência, transformação, autonomia e sobre como algumas experiências nos modificam profundamente.

Será um encontro de reflexão, escuta e partilha a partir de Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.

07de Novembro
15h30
Google Meet - se inscreva, me chame somente pelo whatsApp 31-99122-3190.

Talvez algumas travessias nos deixem, por um tempo, sem saber como agir. Mas é justamente nesse caminho que podemos descobrir novas formas de nos sustentar, escolher e voltar a tocar a própria vida com as nossas mãos.

 🌿 Com carinho,

Vivências Transformadoras.

Terapeuta Integrativa & Taróloga

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